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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Rumores


Nome: “Rumores”

Autora: Ana Godbersen

Nº de Páginas: 288

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “A trilogia «Princesas de Nova Iorque» prossegue com Rumores, o segundo volume que promete, à semelhança do primeiro, muito glamour, rebeldia, mentiras, segredos e escândalos. Ambientado dois meses mais tarde do que em Rebeldes, Nova Iorque de 1899 é o mesmo palco de fundo para a intriga. Nos meses cada vez mais frios do final do ano, a cidade ainda chora a perda da sua «princesa» favorita, Elizabeth Holland. Mas as atenções também se voltam rapidamente para quem irá ocupar o seu lugar no coração de todos. Diana, a irmã de Elizabeth irá confrontar-se com a ambiciosa e pouco escrupulosa Penélope na conquista de Henry Schoonmaker, o solteiro mais cobiçado da cidade. À medida que a linha entre amizade e rivalidade continua a revelar-se cada vez mais ténue para as duas raparigas, Nova Iorque prepara-se para assistir a nova torrente de escândalos envolvendo a nata da sua sociedade. Especialmente quando certos rumores do passado ameaçam comprometer o futuro de todos os envolvidos…”

Opinião: Anna Godbersen é uma escritora americana, que viu em 2007 a sua obra de estreia, "Rebeldes", ser editada, dando início à série “The Luxe”. O segundo volume desta quadrologia, “Rumores,” foi lançado inicialmente em 2008 e um ano depois na língua de Camões.

Destinada a um público mais jovem, esta obra embrenha-nos novamente na sociedade do final do Século XIX em Nova Iorque, onde nos são apresentadas quatro jovens muito diferentes entre si, uma jovem rebelde, que tenta a todo o custo destacar-se pela diferença e sem receio de lutar por aquilo em que acredita; uma criada repleta de ambição e de vontade de igualar as jovens com mais posses, tentando a todo o custo mostrar que com um pouco de dinheiro também ela se poderá tornar uma senhora; uma jovem encarada pela sociedade como um exemplo de virtude e amabilidade e, por último, uma jovem ambiciosa, que não vê a meios para atingir fins.

Iniciei esta leitura sem conter grandes expectativas, por um lado por não ter ficado absolutamente rendida ao anterior volume desta saga, apesar de ter apreciado a leitura, e, por outro, porque me tinham dado alguns spoilers da obra, o que me suscitou algum interesse, mas ao mesmo tempo comprometeu um pouco a leitura, pois já sabia o que se iria passar futuramente. Contudo, apesar de saber alguns dos desenvolvimentos e de estar constantemente à espera que algo se passasse, a verdade é que a obra não deixou de me surpreender. Neste volume constatamos as consequências das escolhas tomadas no anterior volume, observamos os jogos de poder, onde cada uma destas personagens tenta alcançar aquilo que deseja, umas por dinheiro, outras por amor. Numa sociedade onde a aparência é tudo e onde é essencial salvaguardar a inocência e a amabilidade para evitar escândalos, este volume encontra-se repleto de intrigas, amor, mentiras e escândalos abafados.

No que se refere às personagens, no anterior volume havia defendido que não apreciava sobremaneira a personagem Elizabeth, porém neste volume cativou-me pela forma como aprendeu a viver de uma forma diferente à que estava habituada, pelo amor que nutria pelos que mais lhe diziam, pela sua simplicidade e força. Quanto a Diana continuo a gostar da sua forma de ser, livre e descontraída, contudo penso igualmente que é uma personagem algo impulsiva e que deveria pensar mais vezes nas consequências dos seus actos antes de agir, pois actos irreflectidos poderão trazer-lhe futuramente alguns dissabores. No que se refere a Penelope Hayes é daquele género de personagens de quem rapidamente sentimos animosidade, pela sua falsidade, pela forma como não vê a meios para atingir fins, não se importando de alcançar os seus objectivos à custa do sofrimento dos outros envolvidos. Quanto a Linda Broud encontra-se a tentar entrar na sociedade aos poucos e tenta igualmente vários estratagemas para o conseguir. Pessoalmente penso que é um jogo muito perigoso aquele que ela enceta e algo me diz que tem uma grande probabilidade de vir a correr mal.

Numa escrita acessível e fluída, Anna transporta-nos para os salões de baile, para os jantares, repletos de glamour, onde as aparências são a base de tudo, mostrando-nos que a vida é feita de momentos e que devemos aproveitar cada dia como se fosse o último, pois não sabemos o que se passará de seguida; que o amor nem sempre é suficiente para que uma relação vingue, pois a vida é um aglomerado de acontecimentos e que nem tudo o que parece ser à primeira vista o é efectivamente.

Em suma, “Rumores” foi um livro agradável, repleto de intriga, glamour, mentiras, com uma pitada de amor, sendo capaz de surpreender o leitor por diversas vezes. Acredito que se não me tivesse sido contado alguns dos desenvolvimentos da obra, teria apreciado mais a sua leitura e que teria deixado uma marca mais duradoura em mim, pois penso sinceramente que este volume se encontra melhor do que anterior, mais não seja por as personagens nos tocarem na sua generalidade, ao contrário do que aconteceu em “Rebeldes”.


Avaliação: 3/5 (Gostei!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Rebeldes



Nome: “Rebeldes”

Autora: Anna Godbersen

Nº de Páginas: 312

Editora: Editorial Presença

Sinopse: Rebeldes é o primeiro da série Princesas de Nova Iorque destinada a um público juvenil e eminentemente feminino. Esta história acompanha um grupo de jovens pertencentes à nata da sociedade nova-iorquina dos finais do século XIX. Elizabeth e Diana são filhas de uma das mais prestigiadas famílias. Num ambiente sumptuoso, caracterizado através da moda, dos ambientes ricamente decorados e da esplendorosa arquitectura da Gilded Age, vivem como verdadeiras princesas. Mas a verdade é que o estatuto social lhes impõe pesados sacrifícios, como acontece à primogénita, Elizabeth, cuja vida é alvo de mexeriquices e invejas que inspiram as colunas sociais da imprensa da época, mas que se vê compelida a aceitar um casamento por conveniência. Um romance escrito sob a inspiração de Edith Wharton, em que a idade da inocência é tudo menos inocente.”

Opinião: Anna Godbersen nascida na Califórnia, estudou no Barnard College em Manhattan. Depois de ter trabalhado como assistente de editora literária na revista Esquire, de ter feito críticas literárias e o suplemento literário do New York Times, vê em 2007 editada a sua obra de estreia, “Rebeldes”, que dá início à série “The Luxe”.

Destinada a um público mais juvenil, esta obra apresenta-nos um grupo de jovens nova-iorquinos pertencentes à sociedade do final do século XIX. Elizabeth e Diana Holland, protagonistas desta trama, pertencem a uma das famílias de maior renome. Contudo, quando o pai de ambas se suicida, deixa além da dor da perda, inúmeras dívidas que irão obrigar a filha mais velha, Elizabeth, a ter de casar para salvar o nome da família.

Confesso que não comecei esta obra com grandes expectativas, embora seja uma saga com opiniões positivas na sua generalidade. Somos apresentados a um mundo bastante rico, em termos de cenários e ambiente, onde nos assaltam descrições bastante bem conseguidas da classe nobre da altura.

Nesta altura, em que as aparências contam acima de tudo e onde o estatuto social traz algumas regalias, mas, ao mesmo tempo, o ter de ceder a vários desejos e ambições, somos apresentados à personagem Elizabeth, que é obrigada a enveredar por um casamento de conveniência e a colocar em causa a sua felicidade. Tenho de admitir que não me senti muito ligada a esta personagem, achei-a muito superficial e todos os seus momentos previsíveis. Desde o início do livro que previ como iria terminar a sua história, o que tornou a minha leitura mais lenta. Quanto a Diana, gostei mais desta personagem, porque era mais viva, perspicaz e alegre. Bastante inteligente, amante da leitura e do bom que a vida tem para oferecer, mas ao mesmo tempo, possuidora de comportamentos arrojados para a altura. Foi bom puder acompanhar os momentos vividos entre ela e a pessoa de quem gostava, que tal como sucede com ela, aprendemos a gostar aos poucos. Considero que contém duas personagens que não se encontram contrabalançadas, Diana, a meu ver, é bastante mais interessante, que Elizabeth, que é mais frívola e previsível, algo que me levou a não apreciar tanto este volume, quanto gostaria.

Numa escrita fluída, com descrições envolventes e mágicas, desde os salões de baile, às mansões e trajes da altura, Anna apresenta-nos duas histórias de amor impossível, que são interessantes e que nos cativam.

“Rebeldes” é, deste modo, um volume que não surpreenderá um leitor mais exigente, mas que é uma boa escolha para quem deseja passar alguns momentos de descontracção, com uma história leve, repleta de intriga, amor, traição e glamour.

Avaliação: 3/5 (Gostei!)