Mostrar mensagens com a etiqueta Porto Editora. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Porto Editora. Mostrar todas as mensagens

domingo, 28 de setembro de 2014

Insurgente [Opinião]


Nome: “Insurgente”

Autora: Veronica Roth

Nº de Páginas: 376

Editora: Porto Editora

Sinopse: “A tua escolha pode transformar-te - ou destruir-te. Mas qualquer escolha implica consequências, e à medida que as várias fações começam a insurgir-se, Tris Prior precisa de continuar a lutar pelos que ama - e por ela própria.
O dia da iniciação de Tris devia ter sido marcado pela celebração com a fação escolhida. No entanto, o dia termina da pior forma possível. À medida que o conflito entre as diferentes fações e as ideologias de cada uma se agita, a guerra parece ser inevitável. Escolher é cada vez mais incontornável... e fatal.
Transformada pelas próprias decisões mas ainda assombrada pela dor e pela culpa, Tris terá de aceitar em pleno o seu estatuto de Divergente, mesmo que não compreenda completamente o que poderá vir a perder.
A muito esperada continuação da saga Divergente volta a impressionar os fãs, com um enredo pleno de reviravoltas, romance e desilusões amorosas, e uma maravilhosa reflexão sobre a natureza humana.”

Opinião: Veronica Roth estudou Escrita Criativa na Northwestern University, onde escreveu a sua primeira obra “Divergente”, que foi considerada, em 2011, pelos seus leitores como sendo o melhor livro do ano, através Goodreads Choice Award. Em 2012 foi eleita a melhor escritora, tal como “Insurgente” foi considerado o melhor livro de fantasia para jovens-adultos pela mesma entidade.

Em “Insurgente”, continuação da trilogia distópica de Roth, somos apresentados a uma sociedade em guerra, em que as facções se encontram em polvoroso, e enquanto isso Tris tenta encontrar o seu caminho e a sua posição no mundo que a rodeia.

Após ter ficado completamente rendida a “Divergente”, que me fez ler o livro em poucas horas, foi com enorme expectativa que embrenhei neste volume. Contudo, tenho de admitir, desde já, que não me agradou tanto quanto o outro. É, sem dúvida, um livro repleto de acção, adrenalina e suspense, onde são poucos os momentos mortos, mas pessoalmente senti que não aconteceu nada realmente de importante. Compreendemos que as facções se encontram em guerra e todos os problemas que isso irá desencadear nos mesmos e naqueles que não têm facção, porém pareceu-me que muito é dito e lançado, mas pouco acontece, se é que me faço entender.

No que concerne ao par romântico, Four e Tris penso que neste volume a sua relação foi deixada mais de parte, para dar um maior relevo à guerra das facções, o que será considerado um aspecto positivo para aquelas pessoas que não gostam de obras com muitas cenas românticas, mas que eu pessoalmente senti falta.

Numa escrita simples, directa e repleta de acção, Veronica Roth apresenta-nos uma continuação de Divergente, que a mim, pessoalmente, não me preencheu completamente as medidas, nem me trouxe muitas novidades, mas que ainda assim consegue prender e entreter, devido às cenas repletas de adrenalina, suspense e ao seu final realmente surpreendente, que nos deixa expectantes por futuros desenvolvimentos. Embora tenha lido, sem querer, um enorme spoiler relativo ao último volume da trilogia, que receio que poderá influenciar a forma como irei apreciar a obra, espero conseguir ler o final num futuro próximo.

Frases a Reter: “Mas lembre-se, já agora, que por vezes as pessoas que oprimimos tornam-se mais poderosas do que nós gostaríamos.” 


Avaliação: 3/5 (Gostei!)

Outras obras da autora, com opinião no blogue:

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Viver Depois de Ti [Opinião]


Nome: “Viver Depois de Ti”

Autora: Jojo Moyes

Nº de Páginas: 424

Editora: Porto Editora

Sinopse: “Lou Clark sabe muitas coisas. Sabe quantos passos deve dar entre a paragem do autocarro e a sua casa. Sabe que trabalha na casa de chá The Buttered Bun e sabe que não está apaixonada pelo namorado, Patrick. O que ela não sabe é que vai perder o emprego e que todas as suas certezas vão ser postas em causa.

Will Traynor sabe que o acidente de motociclo lhe tirou o desejo de viver. Sabe que agora tudo lhe parece triste e inútil e sabe como pôr fim a este sofrimento. O que não sabe é que Lou vai irromper na sua vida com toda a energia e vontade de viver. E nenhum deles sabe que as suas vidas vão mudar para sempre.

Em Viver depois de ti, Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso com sensibilidade e realismo, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências.”

Opinião: Jojo Moyes estudou Jornalismo e foi até 2002 correspondente do jornal The Independent, ano em que publicou a sua primeira obra “Retrato de Família”, o que a levou a dedicar-se a tempo inteiro à escrita. Vencedora por duas vezes do prémio Romantic Novel of the Year, já conta com 6 obras suas publicadas em Portugal.

Lou Clark encontra-se à procura de emprego quando lhe surge a oportunidade de auxiliar um tetraplégico, sendo a sua função somente dar-lhe a medicação, arrumar a casa e fazer-lhe companhia. Apesar de considerar que não tem as capacidades e experiência necessárias, acaba por conseguir o emprego, sendo nestas condições que conhece Will e a vida de ambos muda para sempre.

Após a leitura de “Silver Bay – A Baia do Desejo”, obra que me agradou bastante, foi com entusiasmo que comecei esta leitura. Este volume conseguiu prender-me de uma forma fantástica, de um modo que há muito não me acontecia, que me levava a pensar nas personagens e na história mesmo quando não o conseguia ler, fazendo-me ansiar por futuros desenvolvimentos. Confesso que não esperava apreciar tanto este volume, mas a verdade é que me transmitiu muitas emoções de uma forma tão real, quase como se fossem minhas.

“Viver depois de Ti” é daquelas obras difíceis de serem descritas, com uma profundidade e emotivade que só poderão ser sentidas ao folhear as suas páginas. Esta é uma história sobre perdas, formas de voltar a viver e de desenvolver as nossas potencialidades. Apesar de toda a tristeza e perda inerentes à obra, acaba por ser igualmente uma história sobre esperança, de que nunca nos devemos acomodar, mas sim viver intensamente, lutar por aquilo em que acreditamos e pelo que realmente nos faz feliz, pois a vida é muita curta para se viver na indecisão e no medo. Muitas vezes temos efectivamente medo de viver, de embarcar e conhecer mais e esta obra defende que devemos perder esses receios, pois só saberemos se algo vale a pena se tentarmos.

Esta obra fez-me pensar em diversos aspectos, nas coisas que deixamos de fazer por pensarmos que futuramente teremos tempo. Fez-me igualmente pensar na beleza dos sonhos, na necessidade de lutarmos por eles, pois se poderemos ter o mundo porque nos havemos de contentar com menos?! Nesta obra é também abordado as prioridades, as nossas escolhas, medos e ambições. Tendo igualmente o objectivo de sensibilizar, de mostrar que a nossa sociedade ainda não se encontra suficientemente adaptada para pessoas com necessidades especiais e como ainda precisa de aprender a aceitar e a gerir a diferença. E, por último, faz-nos pensar sobre o que faríamos no lugar de Will, como reagiríamos, quais seriam as nossas escolhas e como lidaríamos com a realidade, pois na verdade só podemos sentir-nos sensibilizados e compassivos para com ele, mas nunca compreender plenamente a situação, pois acredito que somente passando por uma situação destas é que se compreende realmente, sendo que a escritora aborda este tema, na minha opinião, de uma forma fantástica.

Quanto às personagens adorei Louisa, pela sua força de viver, pela forma como olhava o mundo, pela sua história de vida, mas igualmente pela sua paixão, alegria e capacidade de superação. Adorei completamente os momentos vivenciados entre ela e Will, desde o primeiro momento, em que pareciam não gostar muito um do outro, até que se conhecem, aprendem a conviver e a apreciar as particularidade um do outro. Will foi igualmente uma personagem soberba, cheio de força, vontade de conhecer, de se arriscar e aventurar, mas que devido a infortúnios da vida se vê limitado a uma existência que se recusa a aceitar. Louisa acaba por ser a sua âncora, a pessoa que lhe mostra que apesar de tudo ainda existe felicidade, algum amor e diversão que ele pode usufruir.

Relativamente às restantes personagens são igualmente importantes e apresentam-nos realidades presentes na nossa sociedade, desde a gravidez na adolescência, o desemprego, à traição, entre outros exemplos.

Como aspecto negativo da obra, que não chega inteiramente a sê-lo, poderia mencionar a sinopse e o título, que penso que são demasiado auto-explicativos, o que poderá levar a que obra seja um pouco previsível. Pessoalmente, não deixei de sentir as emoções, de ficar rendida à história e às personagens, mas sei que o impacto poderia ter sido maior, se não suspeitasse desde o início o desenrolar dos acontecimentos.

Numa escrita fluída, emotiva e tremendamente cativante, Jojo Moyes apresenta-nos uma obra soberba, que perdura na nossa mente muito depois de terminada e que terá, sem dúvida, não só um lugar de destaque na minha estante, como também no meu pensamento, como sendo das melhores obras que já tive o prazer de ler. Recomendo, sem qualquer reserva, a sua leitura aos amantes deste género de obras!

Avaliação: 5/5 (Adorei!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Pensa num Número


Nome: “Pensa num Número”

Autor: John Verdon

Nº de Páginas: 448

Editora: Porto Editora

Sinopse: “Pelo correio chega uma série de cartas perturbadoras que terminam com uma declaração inquietante: «Pensa num número qualquer até mil, o primeiro que te vier à cabeça... Repara agora como eu conheço bem os teus segredos.» Estranhamente, aqueles que obedecem constatam que o remetente de tais cartas previu com precisão a sua escolha. Para Dave Gurney, um inspetor de homicídios recém-reformado da Polícia de Nova Iorque e amigo de um dos alvos das missivas, o que primeiro lhe pareceu um caso estranho depressa se transforma num complicado quebra-cabeças que levará a uma investigação em grande escala na busca de um pérfido assassino em série.
Convidado como consultor pelo gabinete do procurador, em pouco tempo Gurney consegue alguns avanços na descoberta de pistas que a polícia local negligenciara. Ainda assim, diante de um adversário que parece ter o dom da clarividência e antecipar-se a todos os passos, vê os seus melhores esforços dissiparem-se como areia por entre os dedos. Terá encontrado, ao fim de vinte e cinco anos de carreira exemplar, um adversário capaz de o vencer?
Considerado pela crítica internacional uma obra-prima do suspense, Pensa num Núm3ro dá-nos a conhecer uma personagem fascinante, capaz de rivalizar com Sherlock Holmes ou Poirot.”

Opinião: John Verdon foi durante alguns anos director criativo em agências de publicidade em Manhattan. Após o 11 de Setembro de 2001, Verdon mudou-se para uma pequena localidade no Norte de Nova Iorque, onde passou a dedicar-se exclusivamente à escrita. “Pensa num número” é a sua obra de estreia e encontra-se publicada em 24 países.

Um conjunto de cartas estranhas começam a chegar a diferentes destinatários, onde é possível ser lida a seguinte mensagem “Pensa num número qualquer até mil, o primeiro que te vier à cabeça… Repara agora como eu conheço bem os teus segredos”. Misteriosamente parece que o remetente acerta verdadeiramente no número pensado pelas pessoas que aceitam o desafio.

Dave Gurney é um reformado inspector de homicídios que se vê envolvido neste mistério quando um antigo colega de faculdade o contacta por estar a ser alvo destas estranhas cartas, que lhe parecem ler os pensamentos. Envolvido no mistério, sendo meticuloso e perseverante, Gurney não desiste enquanto não começa a juntar o quebra-cabeças, até que o seu antigo colega aparece morto. Será Gurney capaz de resolver este mistério encabeçado por um assassino meticuloso, que parece ser clarividente e pensar cada um dos seus passos sem o único erro?

Embora o género policial não seja dos que mais leio, são, quando bem conseguidos, dos livros que mais prazer me dão desfolhar, pelo mistério, pelo suspense, pela forma como nos deixam a pensar na identidade do criminoso e a suster a respiração nos momentos mais atribulados ou em que tudo começa a encaixar nos seus devidos lugares, como se de um puzzle se tratasse.

Em “Pensa num Número” somos apresentados a uma história original, onde por diversas vezes nos colocamos a pensar como poderá o criminoso saber os números pensados pelas vítimas. Uns poderão pensar que o criminoso efectivamente consegue ler as mentes das suas vítimas, outros pensarão que se trata de alguém próximo das vítimas que as conhece suficientemente bem para descobrir os números. Contudo, quando começam a aparecer mais mortes em vários estados, o mistério adensa-se e todas as nossas conjunturas são lançadas por terra. Arrisco-me a dizer que serão surpreendidos do princípio ao fim e que a resolução deste enigma será uma surpresa espantosa, tal como foi para mim.

Fiquei completamente cativada por esta história, onde o suspense e a adrenalina são uma realidade, é uma obra tremendamente bem estruturada, onde todos os pormenores parecem ter sido pensados ao mais ínfimo detalhe. Confesso que todo o mistério em volta do assassino, a motivação do crime, os contornos do mesmo, a forma como o assassino parecia saber sempre o que a vítima pensava, os poemas que o mesmo enviava para as suas vítimas, todos estes detalhes me surpreenderam muito pela positiva, tendo sido, sem duvida, dos policiais mais bem conseguidos que já tive o prazer de ler.

Relativamente às personagens, penso que é mais um dos factores fortes desta trama, onde a idealização e consolidação das personagens foi muito bem conseguida, onde têm um passado que as define, com receios e sonhos característicos, sendo deveras humanas. Dave Gurney é um desses exemplos, é um conceituado ex-inspector de homicídios, que após uma tragédia na sua vida e na da sua mulher, acaba por decidir mais tarde reformar-se e mudar-se para uma pequena localidade. Contudo, o seu glorioso passado como inspector, irá levar a que seja colocado neste mistério, onde temos a possibilidade de perceber que é um homem tremendamente inteligente, meticuloso, perspicaz, com um sentido de lealdade bastante vincado, contendo um passado triste, que o persegue e condiciona a sua felicidade, tal como a da sua mulher. 

Quanto ao assassino, tenho de confessar que considerei a sua idealização e estruturação absolutamente genial, pois todos os pormenores foram pensados, desde o que motivava o crime, o porquê de ser determinada arma do crime, entre todos os outros aspectos que mencionei. Para ser sincera somente umas dez páginas antes da resolução do mistério, é que pensei que poderia ser determinada personagem o criminoso, e porque nos estavam a ser dadas pistas ao longo da narrativa, por isso o escritor está mesmo de parabéns por esta fantástica obra.

Numa escrita fluída e cativante, contendo vários elementos da Psicologia e da Criminologia, que nos prendem à narrativa, John Verdon apresenta-nos uma história fantástica, original e tremendamente cativante, que certamente agradará aos amantes do género. Aguardo com expectativa os seguintes volumes desta trilogia.


Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Corações sem Dono


Nome: “Corações sem Dono”

Autora: Lucy Dillon

Nº de Páginas: 448

Editora: Porto Editora

Sinopse: “Histórias de solidão, amor e recomeços ou como cachorros abandonados podem salvar corações solitários.
A londrina Rachel de trinta e nove anos descobre que tudo na vida pode dar uma volta enorme quando e como menos se espera.
Tudo começa num momento conturbado: na mesma semana Rachel perde o namorado, o emprego, descobre o primeiro cabelo branco e é acusada pela irmã de ser egoísta por se ter esquecido do aniversário do sobrinho.
Como se não bastasse de repente tem de se mudar de Londres para uma pequena cidade de província, no fim do mundo, onde uma tia lhe deixou em herança um canil a abarrotar de cães, uma casa enorme e uma montanha de dívidas.
Mas nem tudo é o que parece e nem só de problemas se fará este novo percurso de Rachel; graças aos amigos de quatro patas, muitos corações solitários vão descobrir valiosas lições sobre lealdade, companheirismo e amor incondicional.”

Opinião: Lucy Dillon é uma escritora escocesa, que em pequena desejava ser bailarina. Com o seu sonho de menina em mente, não é de estranhar que a sua primeira obra se intitulasse “The Ballroom Class”, lançado em 2008. A sua segunda obra, “Corações sem Dono”, editado em 2009 e dois anos depois em Portugal, alcança o reconhecimento de Romantic Novel of The Year.

Nesta obra somos apresentados a Rachel, uma mulher de trinta e nove anos que perde tudo o que considerava importante para si, o emprego, o namorado e a sua casa. Com a morte da tia, recebe em testamento uma casa com um canil adjacente, que compreende encontrar-se com diversas dívidas. Se se encontrava emergida em problemas, quando descobre o estado do canil fica na dúvida se a solução melhor será vender ou se tentar arranjar uma solução. Quando com o passar do tempo se começa a apaixonar por aqueles animais e pelas pessoas que a rodeiam, a resposta torna-se simples, mas os problemas monetários continuarão a ser uma realidade. Será Rachel capaz de salvar o canil e ajudar todos aqueles amigos de quatro patas?

Como amante que sou de animais domésticos, especialmente de cães, foi com alguma expectativa que embrenhei nesta obra. Numa narrativa bastante fluída, Dillon aborda diversos temas, desde a infertilidade, ao divórcio e maternidade, apresentando-nos personagens bastante reais, portadoras de sonhos, desejos e receios característicos, sendo fácil para o leitor sentir-se ligado às mesmas e ansiar por futuros desenvolvimentos.  

Um dos aspectos que mais agradou nesta leitura centrou-se na relação e convivência que as personagens mantinham com estes animais. As páginas destinadas aos momentos vivenciados entre estes foram abordadas de forma bastante ternurenta, sendo visível o amor que a autora sente por estes animais no modo como o tema e as relações foram abordadas.

Juntamente com estes amigos de quatro patas, as personagens encontrarão uma verdadeira amizade, amor incondicional e lealdade que estes animais demonstram para com os seus donos. Sendo, em certa medida, para todas as personagens mais simples a superação de certos problemas por não se encontrarem sozinhos.

Quanto a aspectos negativos, existem vários elementos que poderiam ser mencionados. Primeiramente, Rachel descobre, graças à sua mãe, que existe um segredo que a tia Dot nunca lhe contou e que a mesma poderá possivelmente encontrar a sua solução naquela casa. Com a expectativa de um segredo por detrás da vida de Dot são várias as conjunturas que nos apanhamos a fazer, tentando descobrir por nós mesmos o mistério. Pessoalmente pensei que o segredo teria ligação directa com Rachel, acabando efectivamente por pensar que Dot, ao ser tão parecida com Rachel, tanto psicologicamente como fisicamente, poderia ser sua mãe biológica. Contudo, o segredo acaba por se relevar completamente insatisfatório, pois a autora leva-nos a crer que o segredo poderá ser algo verdadeiramente importante e a solução do mesmo acaba por saber a pouco.

Outro aspecto que não me agradou na obra, centra-se na revisão dada, pois por diversas vezes encontramos nomes das personagens trocados, o que leva a que exista uma quebra na leitura e que se releia novamente a passagem de modo a percebermos o que se passou na realidade.

Por último, considerei que o final foi deixado demasiado em aberto, terminando de forma algo abrupta. Livros com finais em aberto têm a sua magia, permitindo ao leitor idealizar o desfecho que lhe aprouver, contudo considero que foram deixados demasiados aspectos sem resolução aparente e fiquei curiosa por saber mais sobre o que se passaria na vida das personagens.

Apesar de ter havido vários aspectos que não me tenham convencido inteiramente nesta obra, fico curiosa com a obra da autora, que foi lançada em português no presente ano, “Segredos para um Final Feliz”.


Avaliação: 3/5 (Gostei!)

domingo, 10 de março de 2013

Silver Bay - A Baía do Desejo



Nome: “Silver Bay – A Baía do Desejo”

Autora: Jojo Moyes

Nº de Páginas: 416

Editora: Porto Editora

Sinopse: “Mike Dormer chega a Silver Bay, uma pacata vila costeira da Austrália, com um único e secreto intuito que abalará por completo a vida dos seus habitantes.
Mas Silver Bay reserva-lhe um destino diferente.
Liza McCullen e a sua filha Hannah, de dez anos, residem no familiar Hotel Silver Bay - tão excêntrico como a sua proprietária Kathleen - onde Mike se hospeda. As suas personalidades enigmáticas exercerão um fascínio inexplicável sobre o pragmático executivo londrino, que se deixará envolver irremediavelmente pelos membros da pequena comunidade de Silver Bay e pela magia que descobre no seu modo de vida. Em pouco tempo, Mike sentir-se-á dividido entre a culpa e o desejo, a responsabilidade... e a paixão inesperada. Paralelamente, a vida de Liza sofrerá uma reviravolta inevitável.
Prisioneiros de uma perigosa teia de segredos e mentiras, estarão eles preparados para enfrentar os acontecimentos que se avizinham?”

Opinião: Jojo Moyes, nascida e crescida em Londres, formou-se em Jornalismo e foi correspondente do jornal The Independent até 2002, ano em que publicou o seu primeiro romance “Retracto de Família”. Após a publicação do mesmo, decide dedicar-se a tempo inteiro à escrita. Conseguiu a proeza de vencer por duas vezes o prémio Romantic Novel of the Year, com a sua segunda obra “Foreign Fruit”, lançada em 2003, e com a sua oitava obra “A Última Carta de Amor”, lançada em 2010.

“Silver Bay – A Baía do Desejo”, lançada inicialmente em 2007, apresenta-nos Silver Bay, uma pacata vila costeira da Austrália. Mike Dormer parte para esta vila com o intuito de conseguir avançar com um empreendimento para a sua empresa londrina. Ao chegar a esta pequena vila, fica hospedado no hotel de Kathleen, que vive juntamente com a sua sobrinha Liza McCullen e a filha desta Hannah. Mike tenta ao máximo arranjar formas de levar o projecto para a frente, contudo quando finalmente consegue cumprir o objectivo que o levou a Silver Bay, percebe que foi um enorme erro. As espécies marítimas que habitam a zona costeira irão ser irremediavelmente afectadas com este novo hotel, o comércio da vila será igualmente comprometido e a vida de todos aqueles habitantes será afectada com este hotel de luxo com desportos marítimos, especialmente a família de Kathleen.

Há algum tempo que esta autora me suscitava interesse, por todas as opiniões positivas que acompanhei sobre a mesma e devido às premissas interessantes das suas obras. Com a sua mais recente obra editada em Portugal, “A Última Carta de Amor”, tive a possibilidade de trazer como oferta este volume.

Confesso que me surpreendeu pela positiva esta obra. A história é bastante envolvente e interessante, levando-nos a conhecer esta população que subsiste devido a excursões de observação a estes animais marítimos e devido ao comércio local. Aspecto que nos permite constatar cenas absolutamente fantásticas de animais marítimos, como as baleias e os golfinhos. Os momentos em que tínhamos prazer de ter contacto com estes animais mostraram-nos a ternura que os diferentes personagens tinham por estes animais, a inteligência e a singularidade destes seres, mas também o modo como o Homem pode ser fatal para estes.

No que se refere às personagens, temos a possibilidade de ter diferentes narradores, num relato na primeira pessoa, o que nos permitiu conhecer melhor cada uma das personagens e consequentemente sentirmo-nos mais ligados às mesmas.

Liza é uma mulher reservada, podendo ser considerada por muitos como anti-social, por não se dar a conhecer e por evitar muitas vezes qualquer contacto com outras pessoas. Com um passado conturbado, Liza mostra-nos que o ambiente onde nos encontramos inseridos, nos pode levar a tomar decisões que moldam para sempre o nosso futuro e daqueles que nos rodeiam. Quanto a Mike, parte de Londres como um homem de negócios, ambicioso, que quer prosseguir na carreira e mostrar que foi feito para ser um homem de sucesso, mas que depois de Silver Bay percebe que existem coisas mais importantes e que as pessoas daquela comunidade, os animais são mais relevantes que todos esses aspectos supérfluos. Também nesta vila irá compreender o verdadeiro significado da palavra amor e que nunca é tarde para admitir um erro e para o tentar solucionar.

No que se refere às restantes personagens, Kathleen é uma senhora idosa, cheia de vivacidade, com mais energia que muitas pessoas com metade da sua idade. Na década de 50 tornou-se famosa por capturar um Tubarão, o que também catapultou o hotel do pai para a ribalta durante alguns anos, safando-o da falência. Hannah é uma menina que é mais madura do que seria de se esperar, com uma certa amargura e tristeza, que só se costuma observar em pessoas mais velhas. É uma menina bastante querida, atenciosa, que acaba por ser um pilar e de ter de guardar muitas vezes para si o que sente. Também esta pequena menina terá um papel fundamental nos desenvolvimentos deste futuro hotel.

Numa escrita bastante fluída, ternurenta e apaixonada, Jojo Moyes apresenta-nos uma história de amor, perda, segredos, amizade, mas fundamentalmente de escolhas, que moldam quem somos e todo o nosso percurso.

Em suma, “Silver Bay – A Baía do Desejo” foi uma agradável surpresa, por todas as mensagens patentes na mesma, pelo modo como nos mostra como o Homem pode ser mau para a sua própria espécie, mas também para com outros seres e como as nossas escolhas podem afectar a nossa vida e a dos que nos rodeiam.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Pedaços de Ternura



Nome: “Pedaços de Ternura”

Autora: Dorothy Koomson

Nº de Páginas: 448

Editora: Porto Editora

Sinopse: “Poderá um estranho curar o seu coração?
Kendra Tamale regressa a Inglaterra, fugindo de velhas mágoas e em busca de um novo começo. Conhece Kyle, pai de duas crianças e separado, de quem se aproxima, contra todas as suas expectativas.
Então, um terrível encontro com o passado obriga-a a enfrentar os seus fantasmas. Não consegue dormir, é despedida e a sua relação com Kyle e as crianças fica debilitada. A única forma de remediar a situação é confessar o erro terrível que cometeu há muitos anos atrás - algo que prometeu nunca fazer...”

Opinião: Dorothy Koomson desde muito cedo se mostrou uma apaixonada pelas letras, tendo escrito o seu primeiro romance com 13 anos, “There’s a thin line between love and hate”. Contendo uma licenciatura em Psicologia e Jornalismo, pela Universidade de Leeds, a escritora inglesa lança a sua primeira obra em 2003, “O Amor está no Ar”.

“Pedaços de Ternura” é a quarta obra desta escritora, que se tornou uma das mais adoradas das leitoras portuguesas, tendo sido lançada inicialmente em 2007. Kendra Tamale regressa a Inglaterra, depois de ter estado uns anos na Austrália a trabalhar e onde conheceu Will, um homem que a ensinou o verdadeiro significado da palavra amor. Kendra que nunca acreditou em amor à primeira vista, vê-se enredada nesta relação complicada. Ao regressar à sua terra natal, aluga o anexo de Kyle, que tem dois filhos gémeos, Summer e Jaxon.

Kendra que nunca quis envolver-se na vida desta família e especialmente criar qualquer ligação com as crianças, vê-se obrigada a criar uma relação com estes, de modo a auxiliá-la a superar a dissolução da família. Aos poucos Kendra torna-se parte integrante desta família e com uma ligação tão forte com as crianças, quase como se as mesmas fossem suas, contudo um terrível segredo do passado poderá condicionar a felicidade criada.

Esta é a terceira obra que tenho o prazer de ler da escritora, que se tem vindo a tornar numa das minhas preferidas. Aprecio bastante a escrita fluída e apaixonada da escritora, as suas personagens humanas e cheias de garra, tal como as suas histórias emotivas.

Através desta leitura somos confrontados com diversos temas sensíveis, sendo um deles o alcoolismo. Apresentando-nos o modo como debilita não só a pessoa que é dependente, mas também as pessoas que a rodeiam. Tal facto sucede com a mulher de Kyle, que desde pequena aprendeu a refugiar-se na bebida, com o intuito de enfrentar os seus problemas. Depois de formar uma família com Kyle, permanece por diversas vezes de tal modo alcoolizada, que coloca em perigo não só a sua vida, como também a dos seus filhos. Depois de vários momentos de tensão, Kyle acaba por compreender que embora ame muito a mulher, não consegue mais suportar uma vida contendo estes moldes, confrontando-a com esta realidade, o que culmina no divórcio de ambos. Além deste tema somos também apresentados a temas mais ligeiros, como o amor e a paixão, mostrando-nos que, por vezes, marcas do passado podem condicionar a nossa felicidade e que para que uma relação perdure, o amor não é o único ingrediente importante.

No que se refere às personagens, voltei a sentir-me bastante ligada à personagem principal. Penso que a autora tem essa particularidade, de conseguir criar uma ligação entre a narradora e o leitor, de tal modo que quase vivenciamos os acontecimentos como se fossem nossos ou de alguém que conhecemos. Kendra é uma mulher reservada, com algum receio de se entregar a alguém, devido ao seu passado, sendo uma mulher tremendamente dedicada, atenciosa e bastante astuta. Foi, sem dúvida, a personagem que mais me disse ao longo desta narrativa e que me tocou bastante. Kyle é-nos apresentado inicialmente como um homem sofrido, que aparentemente está de tal modo siderado com o divórcio que está a atravessar, que acaba por colocar os filhos em segundo plano. Contudo, rapidamente percebemos que é um homem bom, íntegro, que passou bastante devido ao alcoolismo da mulher. Quanto aos gémeos Summer e Jaxon, achei-os uma completa ternura e adorei os momentos vivenciados com estes meninos, que embora tão pequenos, já tinham passado por bastante.

Numa escrita fluída, apaixonada e emotiva, Dorothy Koomson apresenta-nos uma história emotiva com alguns temas sensíveis, abordados na perfeição, e várias histórias de amor, não só o amor entre um homem e uma mulher, mas também o amor parental.

“Pedaços de Ternura” foi, desta feita, uma obra que me agradou e que veio reforçar o quanto aprecio a escritora. Aguardo com alguma expectativa as seguintes obras da escritora.

Avaliação: 3.5/5 (Gostei!)


Outras obras da escritora, com opinião no blogue:
   

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Alma Rebelde


Nome: “Alma Rebelde”

Autora: Carla M. Soares

Nº de Páginas: 288

Editora: Porto Editora

Sinopse: “No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.
Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.
Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?”

Opinião: Carla M. Soares formou-se em Línguas e Literaturas Modernas, possui um mestrado em Estudos Americanos, Literatura Gótica e Film Studies, sendo também doutoranda no Instituto de História da Arte. Leitora, professora e escritora, Carla vê a sua obra de estreia, “Alma Rebelde”, ser publicada pela Porto Editora em 2012.

A história inicia-se em Portugal no século XIX, quando é acordado o casamento de interesse entre Joana e Santiago d’ Oriaga. Joana imagina que será certamente infeliz neste casamento arranjado, que lhe será atribuído um marido velho, que a tratará mal, tal como sucedeu à sua prima Ester, com quem mantém contacto regularmente. Contudo, acaba por conhecer um pretendente muito diferente daquilo que idealizava, em todos os aspectos.

As opiniões que acompanhei sobre esta obra eram bastante positivas, o que me levou a elegê-la como oferta, quando a Wook me ofereceu 15 euros para investir num ebook. Também afectou a minha decisão, o facto de ter decidido ler mais obras de Romance Histórico e obras de autores nacionais, porque era um dos géneros que pior conhecia e como admiti em opiniões anteriores, costumo ler muito mais obras estrangeiras do que nacionais, algo que sinto que tem de ser contornado.

Esta obra foi uma surpresa muito agradável, sendo que um dos pontos que me agradou foi o facto de a autora nos transmitir os ideais que vigoravam na altura descrita no livro, sem se tornar enfadonho, conseguindo contextualizar a história na nossa História. Foco este ponto, pois alguns Romances de Época, que já tive o prazer de ler, pecavam, no meu ponto de vista, por não nos transmitirem informações sobre o tempo em que se inserem. Na altura em que se passa esta narrativa, D. João V era rei e temos a possibilidade de conhecer um pouco sobre o que sucedeu no seu reinado, os problemas e os costumes que vigoravam na altura, o que foi bastante interessante e enriquecedor.

Quanto à história entre Joana e Santiago achei-a uma ternura e bastante real. Quando Joana está prestes a ir ter com o seu noivo, foi interessante constatar o seu debate interno, os seus receios e até sonhos. Transmitiu-nos muito bem a impotência de se ver obrigada a um casamento de conveniência e os receios de ser infeliz e maltratada, o que nos leva a sentirmo-nos ligados a ela e nos leva a torcer para que tudo lhe corra de feição. Ao ser confrontada com um noivo muito diferente daquilo que idealizara, conseguimos também perceber que não sabe bem como reagir para com ele, se deverá ser sincera, ou seja, ser ela mesma, ou se deverá ser o que a mãe sempre lhe incutiu. Os momentos vividos por este casal foram em certos momentos divertidos, tocantes, mas sempre enternecedores. A partir do momento em que conhecemos Santiago é impossível não torcer para que fiquem juntos e que a vida não lhes coloque qualquer entrave.

As personagens encontram-se muito bem desenvolvidas, de modo que nenhuma me deixou indiferente. Joana era uma rapariga inteligente, forte, com ideais desenvolvidos para a época em que se encontrava inserida, que sonhava com um casamento que não fosse contratual e que acaba por conhecer alguém que lhe provoca algum receio, mas ao mesmo tempo um enorme fascínio. Santiago é uma pessoa muito interessante, diferente dos homens da altura, algo impulsivo, mas tremendamente apaixonado. Alguns anos mais velho que Joana e também mais vivido, acaba por se apaixonar por ela e a sentir uma enorme ternura por esta jovem mulher, aspecto que é transparecido para nós leitores. Das personagens secundárias, poderia destacar Ester, a prima de Joana, que simboliza os casamentos infelizes que nesta altura sucediam e a busca pela felicidade e o pai de Santiago, que era bastante frio para com a família, muito ambicioso, mas sem qualquer olho para o negócio, que nos transmite alguma tristeza e irritação.

Numa linguagem muito cativante e enternecedora, Carla M. Soares presenteia-nos com uma história de amor possível, que temos a possibilidade de ver florescer e amadurecer; apresentando-nos também a luta por um sonho, pela felicidade que todos merecemos e que nunca devemos deixar de procurar. Sem dúvida, que foi uma obra que me deu um prazer enorme de ler e que espero poder voltar a ler algo desta promissora escritora.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

sábado, 1 de setembro de 2012

A Filha da Minha Melhor Amiga




Nome: “A Filha da Minha Melhor Amiga”

Autora: Dorothy Koomson

Nº de Páginas: 448

Editora: Porto Editora

Sinopse: “A forte relação de amizade entre Kamryn Matika e Adele Brannon, companheiras desde os tempos de faculdade, é destruída num instante de traição que marcará as suas vidas para sempre.
Anos depois desse incidente, Kamryn é uma mulher com uma carreira de sucesso, que vive sem ligações pessoais complexas, protegendo-se de todas as desilusões. Mas eis que, no dia do seu aniversário, Adele a contacta... A amiga de Kamryn está a morrer e implora-lhe que adote a sua filha, Tegan, fruto da sua ilícita relação de uma noite com Nate.
Terá ela outra escolha? Será o perdão possível? O que estará Kamryn disposta a fazer pela amiga que lhe partiu o coração? Uma viagem dolorosa e comovente de auto-conhecimento, uma leitura de cortar a respiração.”

Opinião: Kamryn no dia do seu 32º aniversário recebe um postal da sua amiga Adele, com quem não mantém contacto há vários anos. Neste postal informa-a que se encontra num hospital, bastante doente. Apesar de tudo o que se passou entre ambas, Kamryn dirige-se ao hospital e o que presencia vai contra tudo o que pensara. A pessoa que em tempos foi a sua melhor amiga encontra-se com leucemia e a morrer, completamente diferente da mulher que conheceu. Num último pedido antes de falecer, Adele pede a Kamryn que cuide da sua filha Tegan. Apesar da traição que gira ao volta destas duas amigas, Kamryn adora Tegan e o que inicialmente poderia ser uma loucura, adoptar uma criança, tornar-se-á num amor incondicional.

Sempre ouvi opiniões fantásticas sobre esta obra, que foi a estreia da escritora em Portugal, logo a expectativa e vontade de embrenhar nas suas páginas era enorme. Tive a possibilidade de ler esta obra através de uma troca, fica aqui o meu agradecimento pelo empréstimo.

Nesta história somos confrontados com diversas realidades. Kamryn e Adele eram melhores amigas até há poucos anos, quando a primeira descobre que a amiga a traiu e que dessa traição Tegan foi concebida. Sentindo-se traída e destroçada porque numa mesma noite perde a melhor amiga, o noivo que amava de todo o coração e esta menina amorosa, de quem sempre gostou, Kamryn que tinha batalhado tanto para acreditar nos outros, especialmente nos homens, começa a encarar-se de modo ainda mais depreciativo do que sucedia até então, desistindo do amor. Quando descobre que a amiga está doente e toma conta desta menina, acaba por descobrir uma faceta que nunca pensou que tivesse, o de ser mãe. Encara tudo o que é preciso dar para poder ter e sustentar uma criança. Ela que sempre deu muito valor ao trabalho, descobre que existem acontecimentos muito mais importantes na vida, colocando a família à frente de qualquer promoção que pudesse existir.

Esta obra é sobre amizade, o quanto investimos nesta relação, que muitas vezes pensamos e desejamos ser para sempre, mas que a vida por vezes não permite que tal suceda. Centra-se na capacidade de perdoar o outro e no bem que tal acto faz tanto para o outro, como para nós mesmos, que deixamos de nos sentir perseguidos por aquela dor. É também uma obra de amor, o amor que uma mãe sente por um filho, mas também o amor entre um homem e uma mulher. Nesta obra é-nos demonstrado que o amor é algo que floresce e embora Tegan tenha tido a sua mãe, que amava e sempre a amará, que nunca poderá ser substituída, tem ao seu lado uma mulher que se torna a sua segunda mãe, porque lhe dá todo o amor do mundo, a sustentabilidade e o carinho que tanto necessita para enfrentar as barreiras que se lhe colocam no caminho. Por fim, são abordados dois temas bastante sensíveis, a morte e os maus-tratos infantis. Confesso que me tocou bastante os maus-tratos que Tegan sofreu por parte dos avós. Pensamos sempre nas crianças como alguém a defender, a perseverar e as cenas descritas no livro tocaram-me bastante, até porque são fruto de alguém que deveria dar a esta pequena menina todo o amor do mundo.

Quando li a minha obra de estreia com a autora, “Amor e Chocolate”, havia presenciado que me sentia bastante retratada pela personagem principal e nesta obra sucedeu o mesmo, penso que temos alguns pontos em comum, o que me fez gostar ainda mais deste volume.

Kamryn, Ryn como é chamada por Tegan, sempre teve uma auto-estima baixa, refugiando-se numa faceta gélida, de modo a encobrir os seus sentimentos. Na escola não tinha muitos amigos e era alvo de chacota por parte dos colegas. Quando se torna uma mulher todas as inseguranças, medos, a tornam numa mulher com medo de se entregar a alguém, esperando sempre o pior do sexo oposto. Mostrou ser uma mulher forte, determinada, carinhosa, que é capaz de tudo pelo próximo. Ao passo que com os homens mostrava sempre o seu lado gélido, não deixando ninguém perfurar o seu escudo, com Tegan mostra a mulher fantástica que é, sendo deste modo que conhece Luke, que no primeiro momento antipatizam um com o outro, mas que depois ele percebe a mulher fantástica que é Ryn, sucedendo o mesmo com esta.

Relativamente à personagem Luke, no princípio causou-me alguma desconfiança, confesso. Tratava imensamente bem Tegan, muito carinhoso, atencioso e amável, contudo com Ryn era bastante depreciativo, centrando-se no seu aspecto físico e não na mulher fantástica que é efectivamente. Depois de a conhecer e de perceber quão injusto foi, vive com Ryn momentos tremendamente carinhosos. Houve momentos que me deixaram mesmo sensibilizada. Por fim, achei-o demasiado inseguro, porém o seu passado condicionou tal comportamento e tornou-o ainda mais real.

Numa escrita deliciosa, ternurenta, humorística e emocionante, Dorothy presenteia-nos com uma história de amor paternal, de amor entre um homem e uma mulher possível, personagens imensamente bem caracterizadas e mensagens soberbas. Esta será uma autora que seguirei atentamente, pois tem o condão de nos chegar ao coração.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Divergente

 
Nome: "Divergente"

Autora: Veronica Roth

Nº de Páginas: 352

Editora: Porto Editora

Sinopse: "Na Chicago distópica de Beatrice Prior, a sociedade está dividida em cinco fações, cada uma delas destinada a cultivar uma virtude específica: Cândidos (a sinceridade), Abnegados (o altruísmo), Intrépidos (a coragem), Cordiais (a amizade) e Eruditos (a inteligência). Numa cerimónia anual, todos os jovens de 16 anos devem decidir a facção a que irão pertencer para o resto das suas vidas. Para Beatrice, a escolha é entre ficar com a sua família... e ser quem realmente é. A sua decisão irá surpreender todos, inclusive a própria jovem.

Durante o competitivo processo de iniciação que se segue, Beatrice decide mudar o nome para Tris e procura descobrir quem são os seus verdadeiros amigos, ao mesmo tempo que se enamora por um rapaz misterioso, que umas vezes a fascina e outras a enfurece. No entanto, Tris também tem um segredo, que nunca contou a ninguém porque poderia colocar a sua vida em perigo. Quando descobre um conflito que ameaça devastar a aparentemente perfeita sociedade em que vive, percebe que o seu segredo pode ser a chave para salvar aqueles que ama... ou acabar por destruí-la."

Opinião: “Divergente”, a obra de estreia da escritora Veronica Roth, descreve uma sociedade controladora, onde todas as pessoas têm uma qualidade que as define e que descreve o seu papel na sociedade, os cândidos (sinceridade), os eruditos (inteligência), etc. Tornando-se uma lufada de ar fresco dentro do género em que se insere.

Beatrice, a nossa personagem principal, é uma jovem de 16 anos, que tem uma complicada decisão a tomar. Decisão essa que reside entre permanecer juntamente com a família, na facção incutida pela mesma, ou tomar o seu próprio caminho e decidir uma facção que melhor se adeqúe a si. Desde o primeiro momento que se insere na sua nova facção, a sua vida é colocada em causa e revela algo que há muito tempo se questionava, qual o seu papel na sociedade.

Depois de ter lido inúmeras opiniões favoráveis a esta obra, a expectativa e a vontade de embrenhar nas suas páginas era enorme. Gostei bastante do mundo criado pela autora, que além de original, é deveras interessante. Foi, na minha opinião, aproveitado da melhor forma, conjugando a sua originalidade, com a dose certa de suspense, acção, momentos mais ternurentos e introspectivos.

Numa escrita simples e directa são-nos apresentados os acontecimentos pelos olhos de Beatrice, uma personagem bastante bem caracterizada, onde nos são transparecidas as suas emoções, receios, ambições e sonhos, de modo bastante claro. Penso que é muito fácil sentirmo-nos ligados e apegados a esta jovem, desde o primeiro momento, em que se questiona qual o caminho a tomar. Quantos de nós já não nos perguntámos qual seria a melhor acção, se seguir o coração ou os que nos rodeiam?! Contudo, também nos apegamos a ela, pelo facto de a vermos de certo modo crescer, pois quando saímos de casa, do conforto e segurança que a mesma nos transmite, tal invariavelmente sucede, e pelo modo como constatamos todos os seus questionamentos e receios.

As personagens secundárias possuem de igual modo um papel preponderante para o desenrolar da trama. Cada uma delas com uma função na vida de Beatrice, demonstrando-lhe as mais variadas lições, desde o poder da amizade, do amor, à sobrevivência. Se tivesse de salientar as que mais me disseram, teria de mencionar a família de Beatrice, especialmente a mãe, que demonstrou que mesmo quando cometemos erros ou tomamos as decisões erradas, podemos sempre contar com elas, pois o seu amor é incondicional, independentemente do que suceda. Quatro foi também uma personagem que gostei bastante de conhecer, pelo seu passado, pelo seu modo de ser, mas essencialmente pelo papel que tem na vida de Beatrice e no seu amadurecimento.

Nesta obra são vários os temas abordados, desde a sede de vingança; à vontade de possuir poder e de não ver a meios, para atingir fins; a necessidade de sentir que temos um papel na sociedade e um papel preponderante nos que nos rodeiam, que somos especiais. Embora seja representativa de uma sociedade distópica, possui inúmeras realidades patentes na nossa e que penso que a torna ainda mais especial. Sendo a sede de poder e de não ver a meios para o atingir, tal como a necessidade de sentir que temos um papel importante na sociedade, as mais visíveis.

Em suma, “Divergente” foi uma surpresa bastante agradável, pois embora todas as opiniões positivas, não esperava apegar-me tanto a esta história, que além de interessante, possui toda uma carga de suspense e acção, recheada com algum romance, que nos levam a ler o livro numa assentada. Espero ansiosamente pela continuação desta incrível história!

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O Segredo da Casa de Riverton


Nome: "O Segredo da Casa de Riverton"

Autora: Kate Morton

Nº de Páginas:480

Editora: Porto Editora


Sinopse: "Verão de 1924
Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar.

Inverno de 1999
Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta.
Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente.
Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor."

Opinião: “O segredo da Casa de Riverton” de Kate Morton foi a obra de estreia da autora australiana, tendo sido considerado o best-seller do New York Times e do Sunday Times. Eleito o melhor livro de Abril de 2008 pela Amazon.com, vencedor do Australian Book Industry Award of General Fiction e finalista do Popular Fiction British Book Awars. Obra esta que arrebatou inúmeros leitores e que lançou a autora para o estrelo, tendo as suas obras publicadas em 31 países.

Com todos os prémios, nomeações e críticas fantásticas tecidas à obra, a expectativa e curiosidade de embrenhar neste mundo era bastante e a verdade é que não me desiludi de forma nenhuma, pois contém felizmente todos os ingredientes que me agradam numa obra.

Esta história inicia-se no final do século XX, através das memórias da nossa personagem principal e narradora Grace, uma senhora de 98 anos, com uma vida plena e cheia de vitórias, amarguras e segredos que merecem ser contados.

A mesma transporta-nos através do presente até ao passado, mais concretamente até 1924, quando um jovem poeta perde a vida no lago da Casa de Riverton, tendo como únicas testemunhas duas irmãs, que depois de tal acontecimento nunca mais se voltam a ver ou sequer a falar.

Quando uma realizadora decide fazer um filme sobre esta família e sobre o estranho suicídio do poeta, contacta Grace, que foi empregada na altura da família e que é a única pessoa viva naquele momento. O contacto com esta jovem, faz a nonagenária reviver o passado e um segredo que há muito a atormenta. Sendo, deste modo, que decide começar a gravar as suas memórias em cassete, para seguidamente as enviar ao neto.

Gostei muito da forma como a autora nos narra a história e da forma como idealizou esta trama que além de possível, é deveras contagiante. Fiquei rendida por autora ser bastante jovem e ainda assim conseguir escrever na pele de Grace e fazer-me sentir como se estivesse a ouvir a minha avó a falar comigo. Não é tarefa simples escrever na pele de uma pessoa com uma idade bastante diferente da nossa, mas Kate Morton consegue-o na perfeição.

Adorei a história em si, o amor subjacente na trama, o suspense, os segredos, a acção. Aspectos bastante bem desenvolvidos, de modo a que é impossível ficarmos indiferentes ao desenrolar dos acontecimentos. Os flashbacks da nossa personagem principal, embora nos transportem para mais de 70 anos antes, encontram-se tão bem conseguidos, que o leitor sente que quase faz parte daquele ambiente, que conheceu as pessoas, as casas onde se desenrola a acção, ou seja, como se fossemos parte integrante da época onde se desenvolve.

As personagens são deveras cativantes, tendo todas um papel preponderante e essencial no desenrolar da história.

Sem dúvida, que a que mais me disse foi Grace, por ser a nossa narradora, por se encontrar tão bem caracterizada e humana, de modo a que partilhamos as suas emoções, como se de uma amiga que se tratasse. Considero que foi um prazer e quase uma honra poder ter acompanhado a vida desta nonagenária, o que mais uma vez ressalva que o leitor quase sente que os acontecimentos foram reais e que estas personagens existiram realmente. A mesma conta-nos acontecimentos variadíssimos, desde histórias de guerra, de amor, de traição, amizade, ciúme, que nos trazem inúmeros sentimentos, desde a alegria, à tristeza e até alguma amargura. Grace foi uma pessoa repleta de histórias, de amor, de amizade, mas essencialmente vejo-a como uma lutadora e com um sentimento de honra e dever, tal como os restantes empregados da mansão, que nos tocam e que hoje em dia não são sentimentos assim tão perceptíveis.

As restantes personagens são bastante interessantes e até genuínas, o que faz com que não seja capaz de distinguir mais nenhuma, pois todas foram especiais à sua maneira.

A escrita, como mencionei anteriormente, surpreendeu-me, pela autora escrever deste modo tão genuíno na pele de uma pessoa de idade. A obra é caracterizada por um estilo bastante interessante e envolvente, quase mágico, que não deixará certamente ninguém indiferente. Desde a caracterização das personagens, à descrição do ambiente que as envolve, a autora destaca-se, pela forma como nos transporta tanto para o limiar do século XXI, como para 1924.

Em suma, foi uma obra que me deu um prazer enorme ler e que merece ser lida devagar, de modo a ser possível interiorizar e saborear toda a magia da trama e da escrita desta autora, que sinto que poderá tornar-se uma das minhas escritoras preferidas. Aconselho vivamente!

Frases a reter: "Mas a felicidade... A felicidade cresce na nossa própria lareira. Não se colhe em jardins alheios."

Avaliação: 5/5 (Adorei!)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Doçura da Chuva



Nome: "A Doçura da Chuva"

Autora: Deborah Smith

Nº de Páginas: 480

Editora: Porto Editora

Sinopse: "Kara Whittenbrook tinha uma vida privilegiada. Filha de dois ambientalistas famosos, cresceu entre a selva amazónica e os melhores colégios da elite americana.
Com a morte dos pais num acidente de aviação, torna-se herdeira, não só de uma enorme fortuna, mas também de um segredo que abalará por completo o seu mundo - o facto de ter sido adotada.
Decidida a encontrar os seus pais biológicos, Kara parte para o Nordeste da Califórnia, onde conhecerá Ben Thocco, um rancheiro que vive rodeado de gente singular.
Em pouco tempo, ela fará parte de um universo diferente, que lhe abrirá as portas de um amor inesperado e de amizades genuínas, e a ajudará a tomar as mais difíceis decisões…
Em A Doçura da Chuva, Deborah Smith dá-nos a conhecer uma galeria de personagens cativantes, que nos envolvem e nos levam a reconhecer nos pequenos gestos do quotidiano as fontes da alegria e da felicidade."


Opinião: Kara Whittenbrook pertence a uma família abastada, o que a facilitou em vários aspectos, contudo também a colocou numa fasquia elevada, onde qualquer erro ou imperfeição eram dignos de nota. Quando perde os seus pais, famosos ambientalistas, descobre a verdade sobre o seu nascimento, o facto de ter sido adoptada, o que a leva a encetar uma viagem rumo ao local onde os seus pais biológicos habitam com o intuito de os conhecer e tentar compreender o que os levou a dá-la para a adopção.
Por sua vez, Ben Thocco, dono do rancho onde os pais de Kara trabalham e vivem, tem o seu próprio dilema, pois a vida do seu irmão mais novo poderá estar em risco.

Demorei algum tempo a escrever o que tinha considerado da obra, pois não sabia por onde começar a minha opinião. A verdade é que adorei! Foi uma estória que me sensibilizou profundamente. Quem me conhece sabe que adoro uma boa estória emotiva, com uma mensagem bonita e enternecedora e “A Doçura da Chuva” tem todos estes ingredientes.

É uma bonita estória de amor, que além de nos parecer possível, sentimos a mesma a florescer e a intensificar-se ao longo do tempo, o que é fantástico, pois em muitas obras sinto que a relação é prematura, algo que não sucedeu de todo nesta. Mas é mais que isso. Tem mensagens soberbas, desde a forma como devemos encarar a vida e os outros que nos rodeiam, especialmente as pessoas especiais, que o seu único desejo é serem aceites e poderem lutar por aquilo em que acreditam, sem ser rebaixados ou que sejam condescendentes para com eles. Até à forma como devemos encarar os obstáculos, que existem certos contratempos que vão para além da nossa possibilidade de solução e que temos invariavelmente que os aceitar, pois como a autora afirma e passo a citar “Temos de nos reconciliar com os obstáculos que não conseguimos derrubar. Admitir que fazem parte de algo que não foi desenhado por nós e que nem sempre podemos alterar.”

Relativamente às personagens gostei desde logo de ambos os protagonistas. Ben é uma pessoa com um coração de ouro, do tamanho do mundo. Tem um irmão mais novo com Síndrome de Down, que também tem problemas cardíacos e quando os seus pais morrem, tinha ele 16 anos foge com ele para o México e faz de tudo para conseguir sustentar ambos, o que lhe acarretou várias amarguras. Quando retoma à Florida conhece Mac e Lily e é dessa forma que começa a contratar pessoas especiais e a dar-lhes uma oportunidade de casa e trabalho, que eles tanto desejavam e que tão bem lhes fez. Adorei a forma como ele se relacionava com o irmão, Joey, pois demonstra-nos a nós leitores que existe mesmo um amor sem precedentes, onde ambos seriam capazes de tudo pelo outro, desde que tivesse ao seu alcance. Sendo novamente uma relação muito bem estruturada por parte da autora e claramente possível.

Kara também me agradou desde muito cedo, pois simpatizei e consegui sentir-me um pouco retratada por ela. Teve uma infância algo atribulada, pelo seu excesso de peso, o que a levou a ter uma auto-estima mais em baixo e a ter de ser mais forte, resguardada, mas que ao mesmo tempo a fez a lutar pelo que acredita com unhas e dentes. Gostei bastante da sua tenacidade, da sua força por enfrentar os problemas de cabeça erguida e da sua vontade de ajudar o próximo e de lutar por um mundo melhor.

Os restantes personagens Mac, Lily, Joey e os restantes habitantes do Rancho Thocco achei-os uma ternura, com uma força soberba e portadores de capacidades incríveis, desde uma memória excelente, a uma grande compreensão para com os animais, entre tantas outras. Estas pessoas mostram-nos que haja força de vontade, perseverança e conseguimos alcançar seja o que for. O termo especiais é realmente o melhor para os descrever pois dão-nos importantes lições de vida.

Com uma escrita despojada de floreados, simples, algo cinematográfica, mas ao mesmo tempo mágica, doce, cheia de ternura, repleta de frases e mensagens cheias de sentimento e delicadeza, que nos fazem reflectir ao longo das quase 500 páginas desta incrível obra.

“A Doçura da Chuva” é, desta feita, mais que uma estória de amor, de perseverança, de sonhos, é uma verdadeira lição de vida. Fez-me rir, chorar, sentir pena e até raiva por certas personagens, o que me leva a afirmar, sem qualquer reserva, que aconselho vivamente!

Citações a reter: "A vida é fugaz. A vida é preciosa. Temos de gozar cada momento. A sensualidade de respirar, de sentir, de querer."

"As pessoas querem fazer parte de algo maior, algo mais profundo do que elas próprias. Algo pelo qual valha a pena viver, valha a pena morrer. Algo tão maravilhoso que estão dispostas a correr o risco de serem chamadas loucas, o risco de nadarem sozinhas nas águas mais escuras, determinadas a mergulhar nas profundezas para encontrarem algo especial, algo que possa durar para sempre."


Avaliação: 5/5 (Adorei!)