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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Pedaços de Ternura



Nome: “Pedaços de Ternura”

Autora: Dorothy Koomson

Nº de Páginas: 448

Editora: Porto Editora

Sinopse: Poderá um estranho curar o seu coração?
Kendra Tamale regressa a Inglaterra, fugindo de velhas mágoas e em busca de um novo começo. Conhece Kyle, pai de duas crianças e separado, de quem se aproxima, contra todas as suas expectativas.
Então, um terrível encontro com o passado obriga-a a enfrentar os seus fantasmas. Não consegue dormir, é despedida e a sua relação com Kyle e as crianças fica debilitada. A única forma de remediar a situação é confessar o erro terrível que cometeu há muitos anos atrás - algo que prometeu nunca fazer...”

Opinião: Dorothy Koomson desde muito cedo se mostrou uma apaixonada pelas letras, tendo escrito o seu primeiro romance com 13 anos, “There’s a thin line between love and hate”. Contendo uma licenciatura em Psicologia e Jornalismo, pela Universidade de Leeds, a escritora inglesa lança a sua primeira obra em 2003, “O Amor está no Ar”.

“Pedaços de Ternura” é a quarta obra desta escritora, que se tornou uma das mais adoradas das leitoras portuguesas, tendo sido lançada inicialmente em 2007. Kendra Tamale regressa a Inglaterra, depois de ter estado uns anos na Austrália a trabalhar e onde conheceu Will, um homem que a ensinou o verdadeiro significado da palavra amor. Kendra que nunca acreditou em amor à primeira vista, vê-se enredada nesta relação complicada. Ao regressar à sua terra natal, aluga o anexo de Kyle, que tem dois filhos gémeos, Summer e Jaxon.

Kendra que nunca quis envolver-se na vida desta família e especialmente criar qualquer ligação com as crianças, vê-se obrigada a criar uma relação com estes, de modo a auxiliá-la a superar a dissolução da família. Aos poucos Kendra torna-se parte integrante desta família e com uma ligação tão forte com as crianças, quase como se as mesmas fossem suas, contudo um terrível segredo do passado poderá condicionar a felicidade criada.

Esta é a terceira obra que tenho o prazer de ler da escritora, que se tem vindo a tornar numa das minhas preferidas. Aprecio bastante a escrita fluída e apaixonada da escritora, as suas personagens humanas e cheias de garra, tal como as suas histórias emotivas.

Através desta leitura somos confrontados com diversos temas sensíveis, sendo um deles o alcoolismo. Apresentando-nos o modo como debilita não só a pessoa que é dependente, mas também as pessoas que a rodeiam. Tal facto sucede com a mulher de Kyle, que desde pequena aprendeu a refugiar-se na bebida, com o intuito de enfrentar os seus problemas. Depois de formar uma família com Kyle, permanece por diversas vezes de tal modo alcoolizada, que coloca em perigo não só a sua vida, como também a dos seus filhos. Depois de vários momentos de tensão, Kyle acaba por compreender que embora ame muito a mulher, não consegue mais suportar uma vida contendo estes moldes, confrontando-a com esta realidade, o que culmina no divórcio de ambos. Além deste tema somos também apresentados a temas mais ligeiros, como o amor e a paixão, mostrando-nos que, por vezes, marcas do passado podem condicionar a nossa felicidade e que para que uma relação perdure, o amor não é o único ingrediente importante.

No que se refere às personagens, voltei a sentir-me bastante ligada à personagem principal. Penso que a autora tem essa particularidade, de conseguir criar uma ligação entre a narradora e o leitor, de tal modo que quase vivenciamos os acontecimentos como se fossem nossos ou de alguém que conhecemos. Kendra é uma mulher reservada, com algum receio de se entregar a alguém, devido ao seu passado, sendo uma mulher tremendamente dedicada, atenciosa e bastante astuta. Foi, sem dúvida, a personagem que mais me disse ao longo desta narrativa e que me tocou bastante. Kyle é-nos apresentado inicialmente como um homem sofrido, que aparentemente está de tal modo siderado com o divórcio que está a atravessar, que acaba por colocar os filhos em segundo plano. Contudo, rapidamente percebemos que é um homem bom, íntegro, que passou bastante devido ao alcoolismo da mulher. Quanto aos gémeos Summer e Jaxon, achei-os uma completa ternura e adorei os momentos vivenciados com estes meninos, que embora tão pequenos, já tinham passado por bastante.

Numa escrita fluída, apaixonada e emotiva, Dorothy Koomson apresenta-nos uma história emotiva com alguns temas sensíveis, abordados na perfeição, e várias histórias de amor, não só o amor entre um homem e uma mulher, mas também o amor parental.

“Pedaços de Ternura” foi, desta feita, uma obra que me agradou e que veio reforçar o quanto aprecio a escritora. Aguardo com alguma expectativa as seguintes obras da escritora.

Avaliação: 3.5/5 (Gostei!)


Outras obras da escritora, com opinião no blogue:
   

sábado, 1 de setembro de 2012

A Filha da Minha Melhor Amiga




Nome: “A Filha da Minha Melhor Amiga”

Autora: Dorothy Koomson

Nº de Páginas: 448

Editora: Porto Editora

Sinopse: “A forte relação de amizade entre Kamryn Matika e Adele Brannon, companheiras desde os tempos de faculdade, é destruída num instante de traição que marcará as suas vidas para sempre.
Anos depois desse incidente, Kamryn é uma mulher com uma carreira de sucesso, que vive sem ligações pessoais complexas, protegendo-se de todas as desilusões. Mas eis que, no dia do seu aniversário, Adele a contacta... A amiga de Kamryn está a morrer e implora-lhe que adote a sua filha, Tegan, fruto da sua ilícita relação de uma noite com Nate.
Terá ela outra escolha? Será o perdão possível? O que estará Kamryn disposta a fazer pela amiga que lhe partiu o coração? Uma viagem dolorosa e comovente de auto-conhecimento, uma leitura de cortar a respiração.”

Opinião: Kamryn no dia do seu 32º aniversário recebe um postal da sua amiga Adele, com quem não mantém contacto há vários anos. Neste postal informa-a que se encontra num hospital, bastante doente. Apesar de tudo o que se passou entre ambas, Kamryn dirige-se ao hospital e o que presencia vai contra tudo o que pensara. A pessoa que em tempos foi a sua melhor amiga encontra-se com leucemia e a morrer, completamente diferente da mulher que conheceu. Num último pedido antes de falecer, Adele pede a Kamryn que cuide da sua filha Tegan. Apesar da traição que gira ao volta destas duas amigas, Kamryn adora Tegan e o que inicialmente poderia ser uma loucura, adoptar uma criança, tornar-se-á num amor incondicional.

Sempre ouvi opiniões fantásticas sobre esta obra, que foi a estreia da escritora em Portugal, logo a expectativa e vontade de embrenhar nas suas páginas era enorme. Tive a possibilidade de ler esta obra através de uma troca, fica aqui o meu agradecimento pelo empréstimo.

Nesta história somos confrontados com diversas realidades. Kamryn e Adele eram melhores amigas até há poucos anos, quando a primeira descobre que a amiga a traiu e que dessa traição Tegan foi concebida. Sentindo-se traída e destroçada porque numa mesma noite perde a melhor amiga, o noivo que amava de todo o coração e esta menina amorosa, de quem sempre gostou, Kamryn que tinha batalhado tanto para acreditar nos outros, especialmente nos homens, começa a encarar-se de modo ainda mais depreciativo do que sucedia até então, desistindo do amor. Quando descobre que a amiga está doente e toma conta desta menina, acaba por descobrir uma faceta que nunca pensou que tivesse, o de ser mãe. Encara tudo o que é preciso dar para poder ter e sustentar uma criança. Ela que sempre deu muito valor ao trabalho, descobre que existem acontecimentos muito mais importantes na vida, colocando a família à frente de qualquer promoção que pudesse existir.

Esta obra é sobre amizade, o quanto investimos nesta relação, que muitas vezes pensamos e desejamos ser para sempre, mas que a vida por vezes não permite que tal suceda. Centra-se na capacidade de perdoar o outro e no bem que tal acto faz tanto para o outro, como para nós mesmos, que deixamos de nos sentir perseguidos por aquela dor. É também uma obra de amor, o amor que uma mãe sente por um filho, mas também o amor entre um homem e uma mulher. Nesta obra é-nos demonstrado que o amor é algo que floresce e embora Tegan tenha tido a sua mãe, que amava e sempre a amará, que nunca poderá ser substituída, tem ao seu lado uma mulher que se torna a sua segunda mãe, porque lhe dá todo o amor do mundo, a sustentabilidade e o carinho que tanto necessita para enfrentar as barreiras que se lhe colocam no caminho. Por fim, são abordados dois temas bastante sensíveis, a morte e os maus-tratos infantis. Confesso que me tocou bastante os maus-tratos que Tegan sofreu por parte dos avós. Pensamos sempre nas crianças como alguém a defender, a perseverar e as cenas descritas no livro tocaram-me bastante, até porque são fruto de alguém que deveria dar a esta pequena menina todo o amor do mundo.

Quando li a minha obra de estreia com a autora, “Amor e Chocolate”, havia presenciado que me sentia bastante retratada pela personagem principal e nesta obra sucedeu o mesmo, penso que temos alguns pontos em comum, o que me fez gostar ainda mais deste volume.

Kamryn, Ryn como é chamada por Tegan, sempre teve uma auto-estima baixa, refugiando-se numa faceta gélida, de modo a encobrir os seus sentimentos. Na escola não tinha muitos amigos e era alvo de chacota por parte dos colegas. Quando se torna uma mulher todas as inseguranças, medos, a tornam numa mulher com medo de se entregar a alguém, esperando sempre o pior do sexo oposto. Mostrou ser uma mulher forte, determinada, carinhosa, que é capaz de tudo pelo próximo. Ao passo que com os homens mostrava sempre o seu lado gélido, não deixando ninguém perfurar o seu escudo, com Tegan mostra a mulher fantástica que é, sendo deste modo que conhece Luke, que no primeiro momento antipatizam um com o outro, mas que depois ele percebe a mulher fantástica que é Ryn, sucedendo o mesmo com esta.

Relativamente à personagem Luke, no princípio causou-me alguma desconfiança, confesso. Tratava imensamente bem Tegan, muito carinhoso, atencioso e amável, contudo com Ryn era bastante depreciativo, centrando-se no seu aspecto físico e não na mulher fantástica que é efectivamente. Depois de a conhecer e de perceber quão injusto foi, vive com Ryn momentos tremendamente carinhosos. Houve momentos que me deixaram mesmo sensibilizada. Por fim, achei-o demasiado inseguro, porém o seu passado condicionou tal comportamento e tornou-o ainda mais real.

Numa escrita deliciosa, ternurenta, humorística e emocionante, Dorothy presenteia-nos com uma história de amor paternal, de amor entre um homem e uma mulher possível, personagens imensamente bem caracterizadas e mensagens soberbas. Esta será uma autora que seguirei atentamente, pois tem o condão de nos chegar ao coração.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Amor e Chocolate



Nome: "Amor e Chocolate"

Autora: Dorothy Koomson

Nº de Páginas: 416

Editora: Porto Editora




Sinopse: "UMA HISTÓRIA DELICIOSA DE AMOR, LUXÚRIA E CHOCOLATE.

Amber Salpone não queria sentir-se atraída pelo amigo Greg Walterson, mas não consegue evitar. E, de cada vez que a atracção se concretiza em algo mais, a aventura secreta fica mais perto de se tornar numa relação séria, o que, sendo ele um mulherengo e tendo ela fobia ao compromisso, constitui um grande problema.

Enquanto Amber luta para aceitar o que passou a sentir por Greg, apercebe-se também de que ela e Jen, a sua melhor amiga, estão cada vez mais afastadas. Pouco a pouco, à medida que as duras verdades das vidas de todos vão sendo reveladas, Amber tem de enfrentar o facto de o chocolate não curar tudo e, por vezes, fugir não é opção..."

Opinião: Em “Amor e Chocolate” somos apresentados a Amber, uma directora executiva do Festival de Cinema da cidade onde vive, Leeds. É uma mulher engraçada, destemida, forte, mas que tem medo de encetar uma relação, por tudo o que presenciou quando pequena entre os pais, abandonando uma relação quando sente que poderá estar prestes a ser deixada ou magoada.

Amber e Jen conheceram-se no tempo de faculdade e embora muito distintas entre si tornam-se desde logo melhores amigas. Jen é professora primária e tem uma relação com Max, alguém de quem Amber nunca gostou sobremaneira, mas com quem se vê obrigada a dar, por ser o namorado de longa duração da melhor amiga. O melhor amigo de Max, Greg torna-se também amigo do grupo, passando a ser um dos melhores amigos de Amber, que o vê livre de todas as encrencas amorosas em que se mete, pois é um mulherengo incurável.

Quando Greg percebe que sente mais por Amber do que uma grande amizade, beija-a e confessa gostar dela, o que mudará a relação de ambos, a sua vida, mas essencialmente a forma como ambos vêem relações e compromissos.

É a minha esteia com Dorothy Koomson, porém sempre foi uma autora da qual tive muita curiosidade. Sempre li opiniões fantásticas da autora, especialmente da obra “Filha da minha melhor amiga”.

Neste “Amor e Chocolate” gostei da estória de amor entre Amber e Greg. Greg embora um doidivanas, como Amber o chama, tem bom coração e está realmente apaixonado por ela, considerando-a especial, diferente, só tendo olhos para ela. Amber sempre o achara atraente e nutrira um carinho especial por ele ou não fossem eles tão amigos, partilhando bastantes coisas um com o outro, contudo acha que muito possivelmente será impossível para ele encetar uma relação séria com alguém, ficando um pouco céptica em começar a namorar com ele. Com receio que a relação possa não ter futuro, faz Greg prometer que não irão contar nada aos amigos antes de perfazerem alguns meses de namoro.

Quanto ao casal de amigos, Jen pareceu sempre a Amber perfeita, loira de olhos azuis, parecia sempre contagiar todos com a sua aura, acabando por deixar Amber um pouco na sombra, contudo com o avançar da obra percebemos que não é assim tão perfeita, que é insegura e que sente ciúmes da melhor amiga. Matt, o seu namorado, nunca agradou muito a Amber, acabando por também por não nos fascinar sobremaneira, mostrando ter vários defeitos e segredos.

A relação entre Greg e Amber torna-se óptima para ambos. Para o primeiro porque se torna um homem sério, como já não era há vários anos, mas também a ela, pois torna-se mais segura, mais solta e passa a pensar mais nela própria, do que acontecia até então, fazendo-a abrir os olhos para várias coisas que antes da relação não havia percebido. Confesso que me senti ligada a esta personagem porque temos muita coisa em comum e senti as suas vitórias e amarguras quase como minhas, o que me fez gostar ainda mais da obra.

Numa escrita deliciosa, onde mistura dois ingredientes tão bons o amor e o chocolate, Dorothy presenteia-nos com uma estória de amor possível e enternecedora, polvilhada com humor e segredos que nos agarram.

Uma leitura leve, que nos faz pensar em quão bom o amor pode ser para uma pessoa, em como a felicidade pode estar mesmo ao nosso lado e em como por vezes não vemos aquilo que está mesmo à nossa frente, pois muitas vezes a verdade é mais dolorosa, do que acreditar numa mentira.

Citações a reter: "Não deixes que coisas que podem nem sequer acontecer te impeçam de te transformares na pessoa fantástica que podes vir a ser."

Avaliação: 3.5/5 (Gostei!)