Nome: “Contagem
Decrescente”
Autor: Bruno Franco
Nº de Páginas: 529
Editora: Chiado
Editora
Sinopse: “31 de Dezembro. Passagem de ano.
Rodrigo Tavares, um proeminente detective da Polícia Judiciária, encontra-se em
Almada para assistir ao espectáculo pirotécnico quando recebe um telefonema que
muda a sua vida por completo, levando-o a perceber que tinha chegado o momento
que tanto temera: a concretização de uma ameaça homicida proferida pelo
assassino que mais lhe custara capturar no passado.
Rodrigo tem até dia 15 de Janeiro para deter o assassino, ou as consequências
serão devastadoras. E não apenas para si.
Quando o detective observa a forma excruciante e desumana como a primeira
vítima fora assassinada, percebe a importância e a seriedade do que está a
acontecer, e é então que começa a corrida contra o tempo.
O que começa por ser uma caça ao homem transforma-se rapidamente em algo muito
maior e aterrorizador.
Ao mergulhar num mundo de trevas e muitas dúvidas, medo e desespero, Rodrigo
receia o futuro como nunca antes o fizera.”
Opinião: Bruno Franco começou a escrever
muito cedo, aos seus 14 anos, após terminar um livro, que incitava, no final,
os jovens a escreverem livros que gostariam de publicar e apesar de já apreciar
ler, só nesse momento o gosto pela escrita foi despertado. O seu primeiro
volume, “O Novo Membro” foi então lançado passado 5 anos, em 2010.
“Contagem
Decrescente”, a segunda obra do escritor, foi lançada em Outubro de 2014 e apresenta-nos
Rodrigo Tavares, um influente detective da Polícia Judiciária, que na passagem
de ano recebe um telefonema, que o levará a uma das investigações mais difíceis
que já teve de realizar. Com a ameaça de ter de capturar o assassino até ao dia
15 de Janeiro ou a vida de alguém que ama será colocada em risco, Rodrigo vê-se
inserido numa situação aterrorizadora e vertiginosa.
Começo
por afirmar que nunca tinha lido nada do Bruno, embora já tivesse ouvido falar
dele e da sua anterior obra, tendo-me sido dada oportunidade de ler este volume
pelo próprio escritor, pelo que aproveito para lhe agradecer a oportunidade.
Confesso igualmente que demorei um pouco a escrever esta opinião porque a terminei com uma certa
dualidade de sentimentos. Por um lado, adorei a escrita do Bruno, a forma como
me conseguiu cativar e ansiar pelos futuros desenvolvimentos da obra, tendo-me
cativado do princípio ao fim. Todavia, tenho igualmente de admitir que não
gostei da forma como a obra terminou, uma vez que foi deixado demasiado em
aberto e isto deve-se muito ao tipo de policiais que costumo apreciar. Ou seja,
estou habituada a obras onde nos é dado um mistério e no fim esse tem solução. Muitas vezes acompanho séries policiais com o mesmo detective, mas com
mistérios diferentes em cada livro e, neste volume em específico, eu senti que
apesar de toda a adrenalina, de todo o mistério, poucas foram as revelações e
isso deixou-me um pouco frustrada com a obra.
Apesar
do aspecto negativo mencionado anteriormente, a obra tem inúmeros aspectos
positivos, que tornaram a obra uma surpresa bastante agradável. Para começar
poderia mencionar a escrita fluída e cativante, onde não se dá pelo virar das
páginas. Apesar de esta obra se tratar de um segundo volume que acompanha a vida de Rodrigo Tavares, em momento algum nos sentimos perdidos, pois o autor contextualiza-nos de uma forma muito bem conseguida e parece que efectivamente se trata de um standalone. Quanto ao mistério em volta dos assassinatos e a sua ligação com poetas
portugueses e com outra personalidade emblemática da história portuguesa foi outro aspecto deveras positivo, pois além de original e inesperado,
tornou a obra muito interessante e marcou a diferença. E, por último, à medida que embrenhamos
na obra sentimos igualmente que o escritor pensou em todos os pormenores e que
existe um enorme trabalho de pesquisa por trás do mesmo, tendo criado uma
história tremendamente cativante.
Como
aspectos negativos, além do final da obra, que é uma crítica tendo em conta
muito os meus gostos pessoais, poderia mencionar também alguns diálogos, que me
soaram um pouco forçados, aspecto que penso que poderá ser trabalhado pelo
escritor.
No que concerne às personagens, Rodrigo teve um passado pautado por uma experiência trágica, que o moldou para sempre, o que associado ao término de uma relação, que pensava ser duradoura, o levou a tornar-se ainda mais isolado. Tendo em conta todo o seu passado, polvilhado com bastante tristeza, não é de forma alguma difícil para o leitor sentir uma ligação com o mesmo e de torcer para que tudo se resolva na sua vida. Quanto a Valter, o homem por detrás do mistério da obra, muito é deixado em aberto, ficando o leitor curioso não só com a sua identidade, mas essencialmente pelo que o move e porque terá escolhido Rodrigo para ser o solucionador de todos estes mistérios.
Numa
escrita fluída e cativante, Bruno Franco apresenta-nos uma obra onde tudo
parece ter sido pensado ao mínimo pormenor, sendo, sem dúvida, um escritor com
um enorme potencial, pelo que fico curiosa com a continuação desta obra e por
saber o final deste mistério.
Avaliação: 3.5/5
(Gostei!)