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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Um Homem com Sorte


Nome: “Um Homem com Sorte”

Autor: Nicholas Sparks

Nº de Páginas: 288

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Durante a maior parte da sua vida, Logan Thibault foi um homem que em tudo se podia considerar comum. Porém, nada de comum havia naquilo que estava prestes a acontecer-lhe. Quando encontra uma fotografia de uma mulher durante a guerra do Iraque, Logan Thibault passa, inexplicavelmente, a ser um homem com a sorte do seu lado, que sobrevive, sem ferimentos graves, a situações de indescritível perigo. De regresso aos EUA, Thibault não consegue deixar de pensar na mulher que lhe salvou a vida. Mas o segredo que transporta consigo poderá custar-lhe tudo aquilo que lhe é querido... Um Homem com Sorte é um romance sobre a força avassaladora do destino, agora também disponível em versão cinematográfica interpretada por Zac Efron e Taylor Schilling.”

Opinião: Nicholas Sparks, natural do Nebraska, viveu a sua juventude em Fair Oak. Após terminar o liceu recebeu uma bolsa de estudos na Universidade de Notre Dame, devido aos bons resultados obtidos, tendo-se licenciado em 1988 em Economia. Curiosamente o seu sonho era ser atleta de alta competição, contudo um acidente grave obrigou-o a desistir do mesmo, tendo sido durante vários anos delegado de informação médica. Foi neste cargo que começou a escrever até a sua agente literária se propor a representá-lo, vendendo então os direitos do seu primeiro romance, que se tornou um sucesso enorme.

“Um Homem com Sorte”, que foi lançado inicialmente em 2008 e que teve a adaptação cinematográfica no ano passado, apresenta-nos Logan Thibault, um militar, que durante a guerra do Iraque vê a sua vida ser mudada, quando encontra a fotografia de uma mulher. Após a sua descoberta, um amigo diz-lhe que a fotografia lhe trará sorte e que nunca a deverá perder. Apesar de inicialmente Thibault não acreditar, a verdade é que enquanto muitas mortes ocorrem no seu grupo, o mesmo sobrevive sempre a diversas situações de perigo. Quando retorna aos EUA e após um incidente, que o faz compreender que porventura o seu amigo tinha razão ao afirmar que a fotografia dava sorte, empreende uma viagem que o levará junto da mulher da fotografia. Ao encontrá-la acaba por se apaixonar por ela e pela sua família, contudo existe algo que os poderá afastar para sempre.

Na anterior obra que li do escritor, “Um Refúgio para a Vida”, admiti que começava sempre a leitura das suas obras com alguma relutância, devido às opiniões sobre ele serem tão díspares. Contudo, após esta leitura posso afirmar sem reservas que Nicholas Sparks me conquistou, com a sua escrita cativante e tremendamente envolvente, com as suas personagens bem estruturadas e com uma história fascinante.

Ao longo da narrativa são vários os temas abordados. Inicialmente fala-se da guerra no Iraque, em que temos a possibilidade de perceber como se processam os grupos militares; a forma como a guerra molda os indivíduos que dela fazem parte, o receio constante, os pesadelos, até mesmo ao modo como se encara a vida após essa experiência. Seguidamente menciona-se o destino, em que é defendido que existem coisas que estão predispostas a acontecer, pessoas que estamos predispostos a conhecer. Pessoalmente, tenho de confessar que não acredito no destino, penso que cada um de nós delineia o seu trilho, em que lutamos por aquilo em que sonhamos e por aquilo em que acreditamos. Acredito piamente que se conseguimos alcançar algo na vida, isso deve-se ao nosso esforço, à nossa dedicação e às escolhas que fizemos ao longo da vida e não devido ao destino. Relativamente à sorte, penso que a mesma é criada pelas escolhas que tomamos, mas, por vezes, também é bom pensarmos que a sorte está do nosso lado e que algo nos protege. Também na obra se menciona mensagens que são enviadas pelas pessoas que já faleceram, com o intuito de sermos protegidos ou de refazermos as nossas vidas, aspecto em que também não acredito, contudo foi um aspecto ao qual não dei muita importância na narrativa, até porque é abordado de forma muito superficial.

Confesso que apreciei a forma como Thibault e Elizabeth se começaram a relacionar, estabelecendo uma relação de forma gradual, primeiramente conhecendo-se e tornando-se amigos e posteriormente compreendendo que a atracção e paixão existiam entre ambos. Foi um prazer poder ver o florescimento desta relação e a forma como Thibault foi criando uma relação com o filho de Elizabeth e com a sua avó, Nana.

Relativamente às personagens, apreciei Thibault pela sua força, perseverança e integridade, que em certa medida foram apreendidas pela sua experiência no Iraque. Quando ruma para a Carolina do Norte torna-se fundamental para a família de Elizabeth, tratando o filho da mesma como uma espontaneidade, respeito e dedicação enormes, defendendo igualmente Elizabeth em todas as situações. Elizabeth mostrou ser uma mulher dedicada, espontânea, com algum receio de se entregar a alguém, devido a más experiências anteriores, sendo uma personagem de quem facilmente se gosta. Quanto a Clayton, ex-marido de Elizabeth, mostrou ser uma pessoa possessiva, sem escrúpulos, com uma mentalidade machista e tacanha, por quem sentimos rapidamente ódio, descrença e tristeza pela forma como lida com a sua ex-mulher e com o seu filho. É vergonhosa a forma como este pai trata o seu próprio filho e a forma como não o aceita como ele é, simplesmente por não ser o ideal que tinha para ele, apesar de ser um menino fantástico, educado, organizado e tremendamente inteligente.

Como aspecto negativo, tenho a apontar a revisão dada a esta obra, pois existem diversas gralhas ao longo da mesma, o que é disparatado se tivermos em conta que se trata de uma 17ª Edição. 

Numa escrita fluída e envolvente, onde o romantismo e o destino imperam, Nicholas Sparks destaca-se pelas suas personagens tremendamente bem idealizadas e consolidadas, que sentimos que poderiam efectivamente existir e pela história de amor e amizade patente na obra. 

Sem dúvida, que as obras deste escritor são óptimas para passar algumas horas de descontracção na sua companhia, sem exigir muito do leitor e fico curiosa com as suas seguintes obras.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras do escritor, com opinião no blogue:

sábado, 27 de abril de 2013

Um Refúgio para a Vida



Nome: “Um Refúgio para a Vida”

Autor: Nicholas Sparks

Nº de Páginas: 356

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Katie, uma jovem reservada e bonita, vai viver para a cidade de Southport, na Carolina do Norte, onde todos se interrogam sobre o seu passado. Que mistérios esconderá aquela mulher que parece determinada a encobrir os seus encantos e evitar novos laços afetivos? No entanto, apesar de todas as suas reservas, Katie começa a criar raízes naquela pequena comunidade, à medida que uma nova amizade e um novo amor lhe vão fazendo baixar as defesas. Nicholas Sparks traz-nos uma protagonista fragilizada e que tem de aprender a lidar com os seus mais fundos receios se quiser voltar a amar.”

Opinião: Nicholas Sparks, nascido em Omaha, Nebraska, trabalhou durante algum tempo como delegado de informação médica, até ao momento em que Theresa Park, agente literária, decidiu representá-lo, vendendo os direitos do seu primeiro romance, “O Diário da Nossa Paixão”, à Warner Books. A obra foi desde o início um sucesso assombroso, tendo permanecido durante 56 semanas consecutivas nos tops americanos. Considerado como o golden boy da ficção, o autor é adorado internacionalmente.

“Um Refúgio para a Vida” editado inicialmente em 2010, foi adaptado para o cinema no presente ano. Neste volume somos apresentados a Katie que se mudou para a pacata cidade de Southport, na Carolina do Norte. Embora seja bastante bonita, mostra-se bastante reservada, tentando ao máximo não se dar a conhecer aos que a rodeiam. Numa pequena cidade como Southport todos se conhecem e trocam informações entre si e Katie com todo o mistério que engloba os seus actos e passado só se torna para os habitantes locais ainda mais interessante. Quando conhece o viúvo Alex mostra-se relutante em criar laços com o mesmo, contudo à medida que cria amizade com ambos os seus filhos, especialmente com a sua filha mais nova, o amor começa a florescer entre ambos. Contudo, Katie tem um segredo que a persegue e que poderá colocar em causa a sua felicidade junto destas pessoas que aprendeu a amar.

Ainda só tive o prazer de ler duas obras do escritor, “Um Momento Inesquecível” e “As Palavras que Nunca te Direi”, e embora tenha gostado muito de ambas, confesso que começo as suas obras sempre com algum receio de poder não gostar, possivelmente por as opiniões sobre o autor serem bastante dispares. Contudo, neste volume em específico as minhas reticências mostraram-se completamente desnecessárias. O autor tem uma escrita tremendamente cativante, possui personagens que nos tocam tanto pela sua história de vida, como com a sua personalidade forte e a história mostrou-se bastante cativante.

Nestas páginas é abordado o tema da violência doméstica de uma forma que invariavelmente nos toca e revolta. Katie sofreu às mãos do marido, Kevin, diversos abusos físicos, o que a levou a fugir dele e a tentar reconstruir a sua vida naquela pacata cidade. Após ter escapado ao marido, Katie continua a sentir uma enorme impotência e a recear ser descoberta pelo mesmo. Algo que é inerente a qualquer vítima de abuso físico, pois mesmo conseguindo fugir, enquanto souberem que a pessoa continua viva, terão sempre o receio que o agressor as presiga e que as volte a maltratar. É também abordado neste volume o modo como a vítima se sente ferida e como lhe custa voltar a entregar-se a alguém e a confiar, no caso da Katie, no sexo oposto.

Além do tema da violência doméstica, somos também confrontados com o amor paternal, a perda de alguém que amamos e a tentativa de reconstruir as nossas vidas após essa perda. Penso que os momentos passados entre Alex e os seus filhos foram bastante ternurentos, sendo bastante explícito o amor que este pai sentia pelos seus meninos e mais tarde também o amor que Katie passa a sentir por ambos. Alex perdeu a sua mulher e também esse ponto é abordado bastante bem, pois demonstra que parte de nós será sempre de determinada pessoa, mesmo que a mesma faleça, e que nunca é fácil ultrapassar a dor que essa perda nos causa.

No que se refere às personagens, gostei muito de Katie, pela sua perseverança, força e por nunca ter baixado os braços. É preciso muita coragem para fazer frente a alguém que nos agride, de tentar fugir a essa pessoa e conseguir viver noutro local, ainda que sempre com receio do que se poderá passar de seguida. Quanto a Alex mostrou ser um homem bom, sofrido, mas com um sentido de honra e justiça muito vincado. Apesar de ter perdido a sua mulher e de ter tido de criar dois filhos pequenos, tornou-se um óptimo pai e um homem fantástico. Os momentos vivenciados entre ele, os seus meninos e Katie foram dos mais ternurentos da obra. No que se refere à personagem Kevin, é-me difícil descrever o que senti por este personagem. Sparks concebe este personagem de tal forma, que conseguimos sentir inúmeros sentimentos por ele. No final da obra só conseguia pensar que era completamente louco e não conseguia deixar de sentir raiva e tristeza por tudo o que fez a Katie passar. Penso que a concepção das personagens é um dos pontos mais fortes do escritor, conseguindo cada uma tocar-nos de certa forma, deixando-nos, mesmo após o livro terminado, uma recordação sua na nossa memória.

Numa escrita muito fluída, cativante e repleta de suspense, Nicholas Sparks presenteia-nos nesta história com uma temática revoltante como é a violência doméstica, mas também com uma bonita história de amor, que temos a possibilidade de ver florescer. Adicionando a estes ingredientes, somos também presenteados com personagens tremendamente bem estruturadas e um enredo cativante. 

Aguardo com alguma expectativa a possibilidade de ver a adaptação cinematográfica e, sem dúvida, que terei de ler mais obras deste escritor.

Frases a reter: "É o que tem a vida: raramente é fácil. A nós cabe-nos apenas tirar o melhor proveito dela."

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras do escritor, com opinião no blogue:


quarta-feira, 11 de julho de 2012

As Palavras que Nunca te Direi




Nome: “As Palavras que Nunca te Direi”

Autor: Nicholas Sparks

Nº de Páginas: 304

Editora: Editorial Presença

Sinopse: Poderá vê-lo também no cinema com as interpretações de Kevin Costner, Paul Newman e Robin Wright Penn. Do mesmo autor de O Diário da Nossa Paixão, um livro que é já um êxito comercial nos EUA e em muitos outros países. Uma poética mensagem de amor na origem de um encontro arrebatador entre um homem e uma mulher cujos afectos já há muito se encontravam adormecidos…

Opinião: “As Palavras que Nunca te Direi” é a segunda obra que leio do autor, depois de ter lido “Um Momento Inesquecível” há quase dois anos, e novamente gostei bastante da história e da escrita do autor.

A obra conta a história de Theresa, uma bonita mulher de 30 anos, que ao ter sido traída pelo marido se encontra reticente quanto a seguir a sua vida e entregar-se a alguém. Quando se encontra a passar férias descobre uma garrafa na praia, contendo no seu interior uma bonita carta de amor, que a sensibiliza profundamente e lhe incute curiosidade por saber mais sobre o seu autor e respectiva história. Ao mostrá-la à sua chefe e amiga, esta convence-a a publicá-la na sua crónica, de modo a sensibilizar outros leitores. Esta publicação torna-se um enorme sucesso, levando a que Theresa receba inúmeras cartas, contendo algumas pistas de outras cartas escritas por Garret Blake. Depois de ler todas as suas cartas decide procurá-lo e conhece-lo. O que inicialmente era somente uma visita a um homem sensível e interessante, acaba por se tornar numa paixão avassaladora, que mostrará a ambos que nunca é tarde para amar.

Gostei bastante da história de amor, da mensagem que mesmo perdendo alguém que amamos muito, podemos aprender a amar de novo e que nunca é tarde para tentar porque mesmo que nos façam sofrer uma vez, isso não significa necessariamente que todos o farão.

Achei ambas as personagens interessantes, sendo que a que mais me disse foi, sem dúvida, Garret, um homem trabalhador, com uma paixão enorme pelo mar, amável e sensivel. É impossível não ficarmos sensibilizados pela sua história de amor e pela sua dor ao perder a sua mulher, que conheceu toda a vida. Theresa teve um passado complicado, com um  marido que a traia, que não a fazia feliz e depois como mãe solteira, o que nos leva a torcer para que ambos se conheçam e amem, de modo a esquecerem o passado juntos e a aprenderem a amar de novo.

Numa escrita fluída, carregada de emoções, o autor apresenta-nos a dor de perder alguém que amamos, o amor, mas essencialmente a efermidade da vida e que nem sempre a vida é feita de finais felizes.

Frases a reter: “Nada que valha a pena é fácil”

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)