Mostrar mensagens com a etiqueta Julia Quinn. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Julia Quinn. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A Grande Revelação


Nome: “A Grande Revelação”

Autora: Julia Quinn

Nº de Páginas: 376

Editora: Edições ASA

Sinopse: “O coração de Penelope Featherington sofre por Colin Bridgerton há... não pode ser!?? ...mais de dez anos? Sim, essa é a triste verdade. Dez anos de uma vida enfadonha, animada apenas por devaneios apaixonados. Dez ingénuos anos em que julga conhecer Colin na perfeição. Mal ela sabe que ele é muito (mesmo muito) mais do que aparenta... Cansado de ser visto como um mulherengo fútil, irritado por ver o seu nome surgir constantemente na coluna de mexericos de Lady Whistledown, Colin regressa a Londres após uma temporada no estrangeiro decidido a mudar as coisas. Mas a realidade (ou melhor, Penelope) vai surpreendê- lo... e de que maneira! Intimidado e atraído, Colin vai ter de perceber se ela é a sua maior ameaça ou o seu final feliz.
Ps: este livro contém a chave do segredo mais bem guardado da sociedade londrina.”

Opinião: Julia Quinn começou a escrever logo após terminar o seu curso e rapidamente se tornou um sucesso internacional. Com as suas obras traduzidas em vinte e seis línguas, tendo constado todos os seus livros na lista de bestsellers do New York Times, Julia Quinn viu a sua quarta obra da Série Bridgerton, “A Grande Revelação”, ser traduzida para a língua de Camões no presente ano.

Penelope Featherington encontra-se há vários anos apaixonada por Collin. Quando este volta para casa, depois de uma longa estada no estrangeiro, Penelope compreende que a paixão que sente por ele ainda se encontra presente, contudo acredita que nunca terá qualquer possibilidade com este, pois acredita que o mesmo sempre a encarará como a melhor amiga da irmã, que constantemente visita a casa da família. Colin, por sua vez, encontra-se irritado por ser sempre encarado como o irmão sedutor, fútil e acalenta mostrar que é mais do que aquilo que todos pensam. Nesta sua luta por algo mais, começa a reparar em Penelope de uma forma que nunca antes havia feito.

A Série Bridgerton conseguiu prender-me desde o primeiro volume e rapidamente me tornou uma fã incondicional, não só desta saga, mas igualmente do Romance de Época, que até à altura era um género que não lia muito. Com estes aspectos em mente e tendo em conta que Colin era o irmão que mais me cativava nos anteriores volumes, com a sua descontracção e alegria, foi com imensa curiosidade que iniciei esta leitura.

Neste volume somos apresentados a um Colin diferente daquele que nos tinha sido apresentado até então, o que para alguns leitores poderá causar alguma estranheza, mas que pessoalmente me deixou rendida, pois compreendemos que Colin é mais do que o rapaz engraçado, de sorriso travesso e brincalhão, mas que também erra, se irrita e tem crises existenciais. Quantos de nós já não nos questionámos sobre o nosso real papel na sociedade, sobre a razão de ser das nossas vidas? Nesta obra acompanhamos Colin a tentar dar uma rumo à sua vida, a tentar marcar a diferença, demarcar-se do nome Bridgerton e atingir os seus objectivos graças ao seu esforço pessoal. Deste modo, Colin ganha toda uma nova notoriedade, mostrando-nos a sua inteligência e dedicação plena, frontalidade, com uma paixão que desconhecíamos até ao momento.

Quanto a Penelope, considerei que era uma personagem bastante forte, algo que já é característico nas obras da escritora, portadora de bastante carisma, sendo simples sentir apresso pela mesma. Consegue prender-nos com a sua perspicácia, inteligência e frontalidade, escondidas por detrás da sua timidez. Apesar de ser bastante tímida e de raramente se dar a conhecer às outras pessoas, quando está junto de Collin as suas reservas parecem simplesmente desaparecer e assim consegue mostrar nestas pequenas reuniões a sua verdadeira essência, que rapidamente arrebata as pessoas que a circundam.

Quanto às personagens secundárias, temos a possibilidade de conhecer um pouco mais a família de Penelope, especialmente a sua irmã mais nova, que se tornou uma jovem mulher e que tem uma relação fantástica com a irmã. Conhecemos igualmente um pouco melhor Eloise, que sempre foi muito amiga de Penelope e que decidiu se manter solteira, apesar dos inúmeros pretendentes que a cortejaram. Pessoalmente, fiquei com algumas conjunturas quanto a esta personagem, devido ao seu mistério e momentos finais, pelo que estou curiosa por saber mais sobre a mesma. Neste volume revemos também Daphne e Simon, Kate e Anthony, tendo a possibilidade de saber em que ponto se encontram as suas vidas, tal como Lady Violet, que tenta sempre a todo o custo lutar pela felicidade dos seus filhos.

Numa escrita fluída, onde o romance, humor e erotismo são uma realidade, Julia Quinn apresenta-nos uma obra marcada por um conjunto de componentes capazes de deliciar e prender o leitor a esta história, que o leva a ansiar por futuros desenvolvimentos. Portador de personagens humanas, com qualidades e defeitos característicos, uma história imprevisível e tremendamente cativante, que sentimos que poderia efectivamente ter acontecido e a solução de um mistério repleto de especulações, a real identidade de Lady Whistledown, que causará diversos tumultos ao longo da obra.

Em suma, Julia Quinn é efectivamente uma escritora com uma capacidade de escrita e de envolvimento sublime, que veio reforçar com este volume o quanto a aprecio. Aguardo com muita expectativa o seguinte volume da saga, referente ao quinto irmão Bridgerton, Eloise.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

  

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Amor & Enganos


Nome: “Amor & Enganos”

Autora: Julia Quinn

Nº de Páginas: 384

Editora: Edições ASA

Sinopse: “Sophie Beckett tinha um plano ousado: fugir de casa para ir ao famoso baile de máscaras de Lady Bridgerton. Apesar de ser filha de um conde, ela viu todos os privilégios a que estava habituada serem-lhe negados pela madrasta, que a relegou para o papel de criada. Mas na noite da festa, a sorte está do seu lado. Sophie não só consegue infiltrar-se no baile como conhece o seu Príncipe Encantado. Depois de tanto infortúnio, ao rodopiar nos braços fortes do encantador Benedict Bridgerton, ela sente-se de novo como uma rainha. Infelizmente, todos os encantamentos têm um fim, e o seu tem hora marcada: a meia-noite. Desde essa noite mágica, também Benedict se rendeu à paixão. O jovem ficou até imune aos encantos das outras mulheres, exceção feita... talvez... aos de uma certa criada, que ele galantemente salva de uma situação desagradável. Benedict tinha jurado tudo fazer para encontrar e casar com a misteriosa donzela do baile, mas esta criada arrebatadora fá-lo vacilar. Ele está perante a decisão mais importante da sua vida. Tem de escolher entre a realidade e o sonho, entre o que os seus olhos vêem e o que o seu coração sente. Ou talvez não...”

Opinião: Julie Pottinger é uma autora bestseller americana de romances históricos, que admite ter escolhido o pseudónimo Julia Quinn de modo a que os seus romances pudessem ser organizados junto da romancista Amanda Quick. Os seus volumes foram traduzidos para 24 línguas e constou 16 vezes da lista New York Times Bestseller.

“Amor & Enganos”, terceiro volume da série Bridgerton, que foi lançado no original em 2001 e no presente ano em Portugal, apresenta-nos Sophie Beckett, que é filha bastarda de um Conde e, embora tenha tido a possibilidade de ser educada na sua casa, ensinada por perceptores a vários níveis, vê o seu papel na casa ser-lhe negado quando a sua madrasta vai viver para aquela casa. Quando o pai morre, Sophie acaba por se tornar numa criada, sem ganhar qualquer salário pelo trabalho desempenhado. 

Ao ter conhecimento do baile de máscaras que Lady Bridgerton se encontra a organizar e com a ajuda de diferentes criadas, Sophie acaba por se infiltrar no baile, contudo existe um senão, quando a meia-noite chegar, Sophie terá de voltar para casa, de modo a poder usar a carruagem da madrasta e para que a mesma e as suas duas filhas não se cruzem com ela. No baile além de ver os seus sonhos tornados realidade, de conseguir usufruir de um baile com que tanto sonhou, acaba por conhecer também o seu Príncipe Encantado, Benedict Bridegerton, sendo a atracção entre ambos instantânea.

Sophie sabendo que nunca poderá ter nada com Benedict e depois de um desentendimento com a madrasta, acaba por sair de sua casa e ir à procura emprego noutra cidade. É passado dois anos que Benedict e Sophie se reencontram e o primeiro a salva de um conjunto de homens, prometendo-lhe um emprego. Apesar de reticente e de tentar a todo o custo não se tornar criada em casa da sua mãe, o que iria tornar mais difícil ficar longe do seu Príncipe, acaba por o fazer. Continuará Benedict à procura da bela donzela que conheceu no baile ou será a bela criada que o irá arrebatar?

Desde que tive a possibilidade de ler o primeiro volume desta saga, que me foi altamente recomendada, que me tornei uma fã incondicional da autora e do género romance de época. Ao ser esta uma saga que tanto prazer me dá desfolhar e sendo este volume uma adaptação do conto infantil “A Cinderela” ainda era maior a curiosidade de embrenhar nas suas páginas. O facto de ser uma adaptação de um conto infantil que toda a gente conhece, poderia ser, de alguma forma, mal aproveitada, até porque poderia tornar-se de certo modo previsível, contudo Julia Quinn volta a deslumbrar-nos com a sua forma singular e muito especial de contar histórias, apresentando-nos uma adaptação muito bem conseguida, original e ternurenta, capaz de nos arrancar suspiros e sorrisos constantemente.

Quanto às personagens principais, considerei a Sophie, uma personagem bastante forte, com muito carisma, de quem é fácil sentir apresso. Teve uma infância difícil, ao ser filha bastarda de um Conde, sempre pensou que o pai não a amava plenamente e após a sua morte foi explorada pela sua madrasta, sendo-lhe negado algo que era seu por direito. Estes aspectos fizeram com que fosse obrigada a crescer depressa e aprendeu a defender-se e aos seus ideais com garra.

Relativamente ao Benedict, confesso que era um dos irmãos que ainda não me tinha chamado muito à atenção, até este volume. Tem várias das características que definem a família Bridgerton, o sentido de honra, a teimosia, a ligação fantástica à família e acabou por ser uma personagem que me cativou no presente livro. Apesar de ter tido algumas atitudes das quais não apreciei muito, acaba por se redimir e mostrar o quão romântico pode ser, lutando pela sua felicidade e por aqueles que ama.

No que diz respeito às personagens secundárias, poderíamos destacar a madrasta de Sophie, Araminta, de quem sentimos raiva, por tudo o que é capaz de fazer a Sophie, apesar de a mesma ter mais direitos do que as suas filhas; o modo como a explora e como a coloca fora de casa sem qualquer previsão de um futuro. A sua filha mais nova, Posy, foi uma personagem que me agradou bastante, pois apesar de ter uma mãe tão maquiavélica, foi capaz de defender Sophie, tratando-a sempre com respeito. No final da obra, fica o desejo que a mesma possa ser feliz e que o futuro lhe seja risonho. Outra personagem que se destacou neste volume foi a mãe Bridgerton. Desde o primeiro volume que me cativou pela sua força, perseverança, pelo seu amor incondicional e, neste volume, não foi de forma alguma excepção. Através da sua força e carisma defende afincadamente aquilo em que acredita e a felicidade dos seus filhos.

Numa escrita fluída, com o romantismo, ironia e humor que lhe são característicos, Julia Quinn apresenta-nos uma história que nos deslumbra, conseguindo arrancar-nos inúmeros sorrisos com as confrontações entre as nossas personagens principais e suspiros com os momentos mais ternurentos. Neste volume é igualmente defendido que nem sempre vemos o que temos à nossa frente e que a felicidade poderá ser encontrada nas pessoas e locais mais improváveis.

No final desta obra ficamos somente desgostosos por ter terminado tão rapidamente algo de tão fantástico, pois é, sem dúvida, até ao momento, o livro que mais me agradou da saga, e fica uma enorme curiosidade de saber mais sobre esta fantástica família. Fico deveras ansiosa pelo seguinte volume, especialmente por ser do meu irmão Bridgerton preferido, Colin.

Frases a Reter: "Dizem que uma pessoa inteligente aprende com os erros (...), mas uma pessoa verdadeiramente inteligente aprende com os erros dos outros."

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

   

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Peripécias do Coração


Nome: “Peripécias do Coração”

Autora: Julia Quinn

Nº de Páginas: 384

Editora: Edições ASA

Sinopse: “A sensata Kate Sheffield está decidida a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um marido de reputação impecável. Mal ela sabe que o visconde Anthony Bridgerton já traçou um plano... que inclui a belíssima jovem! E ele não está habituado a ser contrariado... Embora Anthony seja o solteirão mais cobiçado da temporada, a sua reputação de mulherengo perturba Kate. Ela terá de agir rapidamente, pois Edwina vê com muito bons olhos os avanços do visconde. Mas Edwina fez uma promessa que não está disposta a quebrar: nunca casará sem a bênção de Kate. Cabe, pois, a Anthony convencer aquela que (espera) será a sua futura cunhada. Ele é um homem determinado e seguro de si... e não contava encontrar uma adversária à sua altura. Frente a frente, Kate e Anthony apercebem-se de que têm mais em comum do que imaginaram. Mas o que os une ameaça separá-los para sempre.”

Opinião: Julia Quinn começou a escrever após terminar o seu curso universitário e, para deleite dos seus leitores, nunca mais parou. As suas obras encontram-se traduzidas para vinte cinco línguas e todos se tornaram imediatamente parte integrante da lista de bestsellers do New York Times. A escritora venceu dois prémios Romantic Times e três prémios RITA da Romance Writers of America, tendo sido a mais jovem autora a fazer parte do Hall of Fame dessa associação.

Em “Peripécias do Coração”, segundo volume da Saga Bridgertons, Anthony Bridgerton encontra-se preparado para se casar e construir família. Sendo um dos homens mais cobiçados da temporada são várias as mães interessadas em apresentar-lhe as suas filhas, contudo a sua reputação de mulherengo acaba por colocar reticentes algumas pessoas. Kate Sheffield está disposta a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um pretendente respeitável, que a possa fazer feliz. Quando percebe que Anthony poderá estar interessado na sua irmã mais nova, que disse certa vez que nunca casaria sem o consentimento da irmã mais velha, decide afastá-lo.

Anthony é um homem determinado e seguro de si mesmo e não se encontrava preparado para encontrar tal resistência por parte de Kate e à medida que se vão conhecendo a atracção começa a ser uma realidade. Contendo personalidades em muito semelhantes tinham tudo para ser felizes juntos, porém algo atormenta Anthony e isso poderá separá-los para sempre.

Comecei a ler este volume pouco tempo depois de ter terminado o primeiro, repleta de curiosidade por descobrir mais sobre o irmão Anthony, que se havia mostrado bastante leal e com uma enorme devoção à família no anterior volume. Se havia ficado rendida na anterior obra, “Peripécias do Coração” não foi de todo excepção. Novamente a autora utiliza uma fórmula de sucesso, personagens tremendamente humanas e bem construídas, uma história de amor capaz de nos prender à trama e de nos arrancar suspiros pelos seus momentos mais ternurentos ou emocionantes.

No que diz respeito ao casal da trama, Kate é portadora de uma personalidade forte, sendo sensata, sem receio de defender afincadamente a sua irmã e aquilo em que acredita. É uma rapariga com uma auto-estima um pouco baixa, pois sabe que sempre viveu um pouco à margem da irmã, que sempre foi considerada a mais bonita, mas não se deixando abater por isso, sendo bastante perseverante, destemida e forte. Anthony havia-me cativado no anterior volume e neste veio reforçar que tinha razões para o considerar uma boa pessoa. Tem uma lealdade e um amor pela família realmente notáveis, é um homem que não está habituado a ser contrariado e que lhe façam frente, mas que muitas das vezes o seu ar imperturbável e fanfarrão é somente uma fachada, pois lá no fundo ele tem receios que o impossibilitam de se entregar verdadeiramente a alguém. Adorei conhecer o passado de ambos os personagens e da forma como as suas vivências os moldaram e os definiram enquanto pessoas. Este é dos aspectos que mais aprecio na escritora, o facto de conferir realmente profundidade às suas personagens, criando-as de um modo tão real, que é como se as pudéssemos conhecer e o desejássemos realmente fazer.

Gostei bastante de voltar a visitar a restante família Bridgerton, cada vez simpatizo mais com esta família incrível, especialmente com o irmão Colin, que me suscita bastante curiosidade e que nos cativa com a sua maneira de ser. Tendo sido igualmente um prazer poder saber como se encontrava o casal que conhecemos na anterior obra, Daphne e Simon.

Adoro sinceramente a escrita da autora, que me consegue arrancar gargalhadas constantemente e suspiros de deleite por alguns dos momentos vivenciados pelas personagens. Com uma escrita muito fluída e cativante, Julia Quinn apresenta-nos uma bonita história de amor, que temos a possibilidade de ver florescer, contendo novamente mais elementos para além da história de amor, com alguma profundidade, mostrando os receios mais profundos dos nossos personagens principais. Defendendo que por vezes somos de tal modo depreciativos connosco mesmos que não conseguimos ver os nossos aspectos positivos, que nunca devemos deixar de investir no amor e de sermos felizes porque independentemente de tudo, merecemos ter essa componente na nossa vida.

Em suma, “Peripécias do Coração” foi uma óptima continuação da saga, que tem tudo para se tornar numa das minhas preferidas. A continuação, “Amor e Enganos”, foi lançada este mês pela Edições ASA e será das minhas próximas leituras.

Frases a Reter: “Não preciso de ser mesmo boa. Só preciso de retirar prazer do que faço. E de saber que tentei.”

“Significa que amor não é temer que tudo nos seja arrebatado. Amor é encontrar a pessoa que nos faz melhores pessoas do que alguma vez sonhámos ser. É olhar nos olhos da nossa mulher e saber, no mais fundo de nós, que ela é simplesmente a melhor pessoa que já conhecemos.”

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Crónica de Paixões e Caprichos



Nome: “Crónica de Paixões e Caprichos”

Autora: Julia Quinn

Nº de Páginas: 368

Editora: Edições ASA


Sinopse: “As mães casamenteiras da alta sociedade londrina, estão ao rubro. Simon Bassett, o atraente (e solteiro!) Duque de Hastings, está de volta Inglaterra. O jovem aristocrata mal sabe o que o espera pois a perseguição das enérgicas senhoras é implacável. Mas Simon não pretende abdicar da sua liberdade tão cedo…
Igualmente atormentada pela pressão social, a adorável Daphne Bridgerton sonha ainda com um casamento de amor, embora a sua espera por um príncipe encantado comece já a ser alvo de mexericos.
Juntos, os jovens decidem fugir de um noivado, o que garantirá paz e sossego a Simon e fará de Daphne a mais cobiçada jovem da temporada. Mas, entre salões de baile e passeios ao luar, a paixão entre ambos rapidamente deixa de ser ficção para se tornar bem real. E embora Daphne comece a pensar em alterar ligeiramente os seus planos inicais, Simon debate-se com um segredo que pode ser fatal”

Opinião: Julia Quinn, pseudónimo utilizado pela escritora Julie Pottinger, nasceu em Nova Inglaterra e licenciou-se em História da Arte em Harvard. Quando após terminar o curso percebeu que não sabia que profissão poderia seguir com o diploma, decidiu tirar o curso de medicina, que era realmente o seu sonho. Contudo, para o poder cumprir, precisava mais dois anos de faculdade, de modo a alcançar os pré-requisitos necessários para entrar na faculdade. Assim, enquanto não conseguia entrar na faculdade de medicina dedicou-se à escrita. Os dois romances que terminou, acabaram por ser vendidos em leilão, algo incomum para um escritor de estreia. Quando finalmente entra em Medicina na Yale School, compreende, passado alguns meses, que o que quer realmente fazer da sua vida é dedicar-se a tempo inteiro à escrita.

 “Crónica de Paixões e Caprichos” é o primeiro volume da Série Bridgertons, composta por oito volumes, lançado inicialmente em 2000 e doze anos mais tarde em Portugal.
Encontramo-nos em 1813 e Simon, Duque de Hastings, retorna a Inglaterra para receber o seu título, após se ter ausentado durante seis anos para estudar e viajar pelo mundo. Simon não deseja casar, nem tão pouco ter descendência, contudo o seu estatuto aliado à sua beleza, leva as mães casamenteiras a perseguirem-no para que conheça e corteje as suas filhas. Quando num baile conhece Daphe Bridgerton e a salva de um pretendente entusiástico, decidem encetar um plano e fingirem um noivado, que será claramente benéfico para ambos. Daphne, que acredita que os homens somente a vêem como amiga, terá certamente mais pretendentes, por estes constatarem que o Duque mais cobiçado da temporada mostrou interesse por si e Simon com o objectivo de afastar as mães com filhas com idade para casar. Contudo, a atracção que sentem um pelo outro é instantânea e os momentos que passam em conjunto levam a que o amor floresça. Simon tem um segredo que o afasta da adorável jovem que tenta a todo o custo mostrar-lhe que podem ser felizes juntos. Será o amor mais forte do que este segredo?

Após ter acompanhado opiniões deveras entusiásticas desta escritora, muito tempo antes da mesma ser editada em Portugal, levou-me a ansiar com alguma expectativa por esta obra. Quando uma amiga se ofereceu para me emprestar esta obra, não hesitei e foi com imensa curiosidade que iniciei esta leitura. Posso afirmar desde já que foi uma surpresa bastante agradável, de tal modo que conto adquirir esta saga tão especial.

Nesta obra somos apresentados a um conjunto de componentes capazes de deliciar e prender o leitor a esta história, que nos leva a ansiar pelos desenvolvimentos futuros. Nesta história somos confrontados com personagens tremendamente humanas, o que é sem dúvida uma mais-valia, pois em alguns livros deste género somos apresentados a personagens perfeitas ora fisicamente ora psicologicamente e isso não sucede neste livro, contêm falhas que os definem enquanto pessoas e que os tornam ainda mais especiais. Aliado a este facto, estamos também perante uma história recheada de amor e humor, capaz de nos arrancar sorrisos ora pelos momentos mais ternurentos, ora pelos momentos recheados de humor que nos são apresentados.

Gostei bastante de toda a família Bridgerton, desde a mãe Violet que é uma senhora que realmente adora os filhos e que está disposta a tudo para os ver felizes. Encantou-me com a sua ternura, pela vivacidade com que tratava os seus filhos, com um misto de autoridade e amor e pelos inúmeros sorrisos que me foi capaz de arrancar. Sem dúvida, uma senhora bastante especial, que perdeu o amor da sua vida, Edmund Bridgerton, ferida da qual nunca se recompôs totalmente, mas que ama os seus filhos de uma forma indescritível. Os restantes irmãos de Daphne agradaram-me igualmente, por serem uma família tão unida e amiga, especialmente Anthony e Colin. Anthony por ser algo mandão, pelo seu sentido de lealdade tão vincado e pelo seu amor incondicional à família. Colin por ser o irmão mais sensato no que se refere ao romance da irmã com o Duque de Hastings, pelo seu sorriso e ar encantador, sempre pronto a arrancar-nos uma gargalhada.

No que se refere ao casal da trama, Daphne cativou-me desde o início pela sua personalidade forte, por ser sensata, sempre com um sorriso contagiante, com uma mente aberta e algo avançada para a altura descrita. Esta é uma das personagens principais femininas que mais me disse e que mais força me transmitiu. Adorei que ela nunca tivesse receio de dizer o que sentia, de defender aquilo em que acreditava e de tentar sempre ter a última palavra. Simon é igualmente cativante, com uma infância algo triste, por ter sido rejeitado pelo pai quando ainda era criança, devido à sua gaguez, mas que aprendeu a dar a voltar a por cima, dentro do possível, e que mostrou a todos que não há impossíveis, que com força de vontade e perseverança qualquer um consegue contornar os obstáculos. Penso que é um personagem bastante interessante porque é mais de um homem bonito, é uma personagem com bastante profundidade, com um passado capaz de nos emocionar, com uma força, perseverança e inteligência que nos tocam.

No que diz respeito à misteriosa Lady Whistledown, em que no início de cada capítulo somos apresentados a citações das suas "Crónicas da Sociedade", fiquei bastante curiosa por saber mais a seu respeito e a sua identidade. Fiquei bastante agradada com a inclusão deste mistério na obra, que ainda a tornou mais inesquecível e fico curiosa com as seguintes obras de modo a desvendar este mistério.

Numa escrita muito fluída, entusiasmante e algo pessoal porque faz com que criemos uma ligação de tal modo forte com as personagens, que quase desejamos poder conhecê-las, Julia Quinn apresenta-nos um romance de época que nos delicia pela sua linda história de amor, pela profundidade da história que se propõe a contar, que é mais do que uma história de amor, mas também abordando a perda de alguém que amamos, o amor familiar, a luta por sermos melhores e por contornarmos os obstáculos, tal como a luta por sermos felizes.

Em suma, “Crónica de Paixões e Caprichos” é uma história romântica, sem ser cliché, que me entusiasmou, que me tornou fã da escritora e uma coisa é certa, o Romance de Época nunca mais será o mesmo depois de Julia Quinn.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)