Nome: "A Demanda do Visionário"
Autora: Robin Hobb
Nº de Páginas: 480
Editora: Saída de Emergência
Sinopse: "O verdadeiro rei dos Seis Ducados desapareceu numa missão misteriosa em busca dos Antigos para salvar o reino da ameaça dos Navios Vermelhos. O seu irmão usurpador está determinado a impor uma tirania cruel e não abrirá mão do poder, a não ser com a própria morte.
Fitz sabe que a única forma de por fim ao reinado do príncipe usurpador é iniciar uma demanda em direção ao reino das Montanhas onde irá descobrir a verdade sobre as profecias do Bobo. Mas a sua missão enfrenta um novo perigo com a magia do Talento a precipitar a sua alma para a beira do abismo. Conseguirá resistir à magia e ainda enfrentar os obstáculos que surgem à sua demanda?"
Opinião: “A Demanda do Visionário” é o volume que finaliza esta incrível saga, que tanto prazer me deu acompanhar ao longo do último ano. Ler este último volume proporcionou-me uma certa melancolia, pois com o mesmo termina um ciclo, na próxima vez que se ler algo mais de Fitz muita coisa haverá mudado e também muita expectativa de modo a saber muitas das respostas às perguntas que nos havíamos feito ao longo dos volumes e descobrir se as nossas teorias se encontravam correctas ou não.
Nesta obra presenciamos o tão aguardado reencontro entre Fitz e o Bobo, uma das personagens mais interessantes e misteriosas da trama, de Kettricken, que se encontra tão diferente, quase irreconhecível e de Breu. É juntamente com Bobo, Kettricken, Esporana e Panela que Fitz continuará a sua demanda por Veracidade, onde várias serão as provações e as descobertas, que tentará encontrar os Antigos, com o objectivo de salvar os Seis Ducados dos Navios Vermelhos.
Foram várias as opiniões que acompanhei sobre este volume e dividiam-se bastante. Alguns consideravam que era o final perfeito para Fitz e os Seis Ducados e outros consideravam que era um final em aberto, demasiado lento, insatisfatório para muitos. Quando parti para esta leitura idealizei que, sendo uma saga mais introspectiva e pessoal, seria expectável que fosse lenta, pois foi sempre assim que a autora nos presenteou com as suas obras, aspecto que para mim sempre me agradou, pois é diferente de tudo o que já li até agora e porque a escrita e o mistério subjacente na obra nos envolvem do princípio ao fim. Relativamente ao final em aberto pensei sempre que teria de ser assim porque existe outra saga seguidamente este, mas que o ciclo desta teria de ser encerrado. Assim, foi com alguma expectativa e até apreensão que mergulhei neste volume.
Logo nos primeiros capítulos temos o prazer de rever Bobo, que tanto falta me havia feito no anterior volume “A Vingança do Assassino” e que se nos mostrou algo diferente, mas continuando tão interessantíssimo como no primeiro volume. Confesso que quando ele nos é apresentado inicialmente, senti que não o reconhecia, pois estava habituada às suas piadas e saídas evasivas, contudo à medida que a narrativa foi avançando só consegui gostar ainda mais dele. Gostei muito de o conhecer melhor, aspecto conseguido com esta pequena mudança da sua personalidade, condicionada por tudo o que atravessou até às Montanhas, de saber realmente o papel que ele tinha e a ligação com o Fitz, que considerei deveras interessante, tendo também gostado do papel que teve para a finalização deste ciclo, embora me tivesse deixado vontade de saber mais sobre ele. Tenho esperança de o voltar a rever na próxima saga.
Revemos também Ketrricken, que se encontra deveras diferente. Tudo o que perdeu desde o momento em que saiu de Torre de Cervo, modificou-a bastante, aspecto que compreendo, pois foi obrigada a crescer depressa, devido a grandes provações. Com ela conhecemos o verdadeiro significado do que é ser “Sacrifício”.
Relativamente ao desenrolar dos dois temas mais debatidos ao longo das obras, dos Antigos e dos Navios Vermelhos, gostei muito dos momentos em que descobrimos quem eram os Antigos realmente e o que era necessário para os despertar, parte das minhas suspeitas estavam certas relativamente aos mesmos, contudo nunca pensei que tomassem a forma que a autora elegeu. A importância e o que Veracidade necessitou de fazer para conseguir encontrar o primeiro antigo, digamos assim, foi das coisas que mais gostei de ler. Completamente incrível! Quanto aos Navios Vermelhos, considerei que essa parte da trama nos foi dada a conhecer de modo algo rápido e que não convenceu inteiramente, gostaria que a autora tivesse abordado um pouco mais esse aspecto e nos tivesse explicado melhor o mesmo.
Quanto às restantes personagens, Fitz continua a fascinar-me bastante e embora houvesse certos momentos em que considerei que tinha tudo para perceber o que se passava e que mesmo assim não chegava ao cerne da questão, continuou a agradar-me como no primeiro momento. Tornou-se numa das minhas personagens preferidas e neste volume não desiludiu, ainda para mais depois de tudo o que fez para que a paz fosse restaurada nos Seis Ducados. Adorei o papel de Panela, havia percebido que a senhora era muito mais do que aquilo que admitia, nunca me pareceu uma idosa comum, até pela sua eloquência, tendo-me deixado surpresa o seu papel na trama. Esporana era uma personagem que não me conseguia convencer plenamente, mas que neste volume me agradou, pela sua história, que desconhecia e pela forma como acabou por ser importante para Fitz. Relativamente à Moli e ao Castro não posso dizer que tivesse ficado desiludida com o final de ambos, depois de tudo o que passaram juntos, se calhar era o final perfeito para ambos. Majestoso esperava um final diferente para ele, esperava algo mais grandioso, digamos assim, mas ao mesmo tempo terminou como gostaria.
Hobb continua a fascinar-nos com a sua escrita sublime nesta obra, diálogos fascinantes e com uma imaginação que nos envolve do princípio ao fim. Considero que o final dado a esta saga impressionante foi bem conseguido, mesmo o final fornecido para Fitz, que é um pouco triste, mas que é estranhamente perfeito no meu ver.
Desta feita, considero um final adequado para esta saga, contudo houveram certos aspectos que gostaria de ter visto melhor explicados e mais abordados, necessários para que pudesse fornecer a quinta estrela.
Uma saga que gostei muito, que guardarei com um carinho especial e que deixaria certamente saudades, se não houvesse outra saga passado alguns anos, onde poderemos rever o nosso amigo Fitz e as pessoas que o rodeiam.
Avaliação: 4.5/5 (Gostei Bastante!)

