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sexta-feira, 15 de junho de 2012

O Segredo da Casa de Riverton


Nome: "O Segredo da Casa de Riverton"

Autora: Kate Morton

Nº de Páginas:480

Editora: Porto Editora


Sinopse: "Verão de 1924
Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar.

Inverno de 1999
Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta.
Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente.
Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor."

Opinião: “O segredo da Casa de Riverton” de Kate Morton foi a obra de estreia da autora australiana, tendo sido considerado o best-seller do New York Times e do Sunday Times. Eleito o melhor livro de Abril de 2008 pela Amazon.com, vencedor do Australian Book Industry Award of General Fiction e finalista do Popular Fiction British Book Awars. Obra esta que arrebatou inúmeros leitores e que lançou a autora para o estrelo, tendo as suas obras publicadas em 31 países.

Com todos os prémios, nomeações e críticas fantásticas tecidas à obra, a expectativa e curiosidade de embrenhar neste mundo era bastante e a verdade é que não me desiludi de forma nenhuma, pois contém felizmente todos os ingredientes que me agradam numa obra.

Esta história inicia-se no final do século XX, através das memórias da nossa personagem principal e narradora Grace, uma senhora de 98 anos, com uma vida plena e cheia de vitórias, amarguras e segredos que merecem ser contados.

A mesma transporta-nos através do presente até ao passado, mais concretamente até 1924, quando um jovem poeta perde a vida no lago da Casa de Riverton, tendo como únicas testemunhas duas irmãs, que depois de tal acontecimento nunca mais se voltam a ver ou sequer a falar.

Quando uma realizadora decide fazer um filme sobre esta família e sobre o estranho suicídio do poeta, contacta Grace, que foi empregada na altura da família e que é a única pessoa viva naquele momento. O contacto com esta jovem, faz a nonagenária reviver o passado e um segredo que há muito a atormenta. Sendo, deste modo, que decide começar a gravar as suas memórias em cassete, para seguidamente as enviar ao neto.

Gostei muito da forma como a autora nos narra a história e da forma como idealizou esta trama que além de possível, é deveras contagiante. Fiquei rendida por autora ser bastante jovem e ainda assim conseguir escrever na pele de Grace e fazer-me sentir como se estivesse a ouvir a minha avó a falar comigo. Não é tarefa simples escrever na pele de uma pessoa com uma idade bastante diferente da nossa, mas Kate Morton consegue-o na perfeição.

Adorei a história em si, o amor subjacente na trama, o suspense, os segredos, a acção. Aspectos bastante bem desenvolvidos, de modo a que é impossível ficarmos indiferentes ao desenrolar dos acontecimentos. Os flashbacks da nossa personagem principal, embora nos transportem para mais de 70 anos antes, encontram-se tão bem conseguidos, que o leitor sente que quase faz parte daquele ambiente, que conheceu as pessoas, as casas onde se desenrola a acção, ou seja, como se fossemos parte integrante da época onde se desenvolve.

As personagens são deveras cativantes, tendo todas um papel preponderante e essencial no desenrolar da história.

Sem dúvida, que a que mais me disse foi Grace, por ser a nossa narradora, por se encontrar tão bem caracterizada e humana, de modo a que partilhamos as suas emoções, como se de uma amiga que se tratasse. Considero que foi um prazer e quase uma honra poder ter acompanhado a vida desta nonagenária, o que mais uma vez ressalva que o leitor quase sente que os acontecimentos foram reais e que estas personagens existiram realmente. A mesma conta-nos acontecimentos variadíssimos, desde histórias de guerra, de amor, de traição, amizade, ciúme, que nos trazem inúmeros sentimentos, desde a alegria, à tristeza e até alguma amargura. Grace foi uma pessoa repleta de histórias, de amor, de amizade, mas essencialmente vejo-a como uma lutadora e com um sentimento de honra e dever, tal como os restantes empregados da mansão, que nos tocam e que hoje em dia não são sentimentos assim tão perceptíveis.

As restantes personagens são bastante interessantes e até genuínas, o que faz com que não seja capaz de distinguir mais nenhuma, pois todas foram especiais à sua maneira.

A escrita, como mencionei anteriormente, surpreendeu-me, pela autora escrever deste modo tão genuíno na pele de uma pessoa de idade. A obra é caracterizada por um estilo bastante interessante e envolvente, quase mágico, que não deixará certamente ninguém indiferente. Desde a caracterização das personagens, à descrição do ambiente que as envolve, a autora destaca-se, pela forma como nos transporta tanto para o limiar do século XXI, como para 1924.

Em suma, foi uma obra que me deu um prazer enorme ler e que merece ser lida devagar, de modo a ser possível interiorizar e saborear toda a magia da trama e da escrita desta autora, que sinto que poderá tornar-se uma das minhas escritoras preferidas. Aconselho vivamente!

Frases a reter: "Mas a felicidade... A felicidade cresce na nossa própria lareira. Não se colhe em jardins alheios."

Avaliação: 5/5 (Adorei!)