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sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Herança


Nome: “A Herança”

Autora: Katherine Webb

Nº de Páginas: 456

Editora: Edições ASA


Sinopse: “Após a morte da avó, as irmãs Erica e Beth Calcott regressam a Storton Manor, a imponente mansão da família. Rodeada pela atmosfera mágica das férias de Verão da sua infância, Erica relembra o passado, particularmente o primo Henry, cujo desaparecimento daquela mesma casa dilacerou a família e marcou Beth terrivelmente. A jovem decide agora descobrir o que aconteceu a Henry, para que o passado possa ser enterrado e a irmã consiga finalmente encontrar alguma paz. Mas, quando começa a investigar, um segredo familiar ameaça sair da sombra: uma história que remonta à América na viragem do século XIX, protagonizada por uma bela herdeira das classes altas e uma terra selvagem e assombrosa. À medida que o passado e o presente convergem, Erica e Beth têm de enfrentar duas terríveis traições e uma dolorosa herança.”

Opinião: Katherine Webb nasceu e cresceu em Inglaterra numa zona repleta de mansões em muito semelhantes às que descreve nas suas obras. Após estudar História na Universidade de Durham, realizou diversos trabalhos, antes de se dedicar à escrita, como bibliotecária e como vendedora de disfarces. A sua obra de estreia “A Herança” venceu o YouWriteOn Book of the Year Award 2009, tendo sido inclusive finalista do National Book Tokens New Writer of the Year 2010.

“A Herança” tem início quando a avó de Erica e Beth Calcoot falece e lhes deixa em testamento a sua mansão da família, com uma única nuance, que se mudem permanente para Storton Manor. Beth e Erica passaram vários verões na casa da avó quando eram pequenas, juntamente com o primo Henry, contudo uma tragédia assombra as suas infâncias, o desaparecimento de Henry naquele local. Erica ao voltar aquela casa decide que está na hora de descobrir o que se passou realmente naquele dia junto ao lago, onde Henry desapareceu, e que tal revelação irá trazer paz à sua irmã, que se encontra a atravessar uma depressão. Enquanto investiga este desaparecimento, acaba por também se deparar com várias revelações da sua bisavó, Katherine, mais concretamente na altura em que viveu na América, no século XIX.

Embora possua gostos bastante diversificados, no que há literatura diz respeito, o romance histórico/época era, até há pouco tempo, um género do qual conhecia muito pouco. Nos últimos meses aprendi a gostar bastante de género, tendo-se tornado efectivamente num dos meus preferidos, pelas obras fantásticas que tenho conhecido dentro deste género literário. Ao saber que neste volume eramos apresentados a uma história vivenciada em dois tempos distintos, com uma raiz familiar extensa, repleta de segredos e amores impossíveis, não resisti a experimentar este volume, que me foi aconselhado por uma amiga.

Esta obra contém vários ingredientes capazes de nos prender, uma história com saltos temporais, em que num capítulo nos encontramos na actualidade e que no seguinte somos lançados para o século XIX. Na qual temos a possibilidade de conhecer duas gerações completamente distintas, mas contendo vários aspectos em comum, histórias de amor, de culpa, repletas de segredos, que nos levam a ansiar por futuros desenvolvimentos e por vermos desvendados os mistérios existentes na trama.

No que se refere às personagens, confesso que a única que me tocou realmente foi a Katherine. Desde o início que se mostrou ser uma pessoa demasiado ligada aos aspectos materiais da vida, não dando valor ao que o marido tinha para lhe dar, embora fosse visível que o amava realmente. Tal facto levou a que instantaneamente não simpatizasse muito com ela. É realmente uma personagem muito bem caracterizada, capaz de nos deixar tristes e zangados com muitas das suas atitudes e mais tarde com raiva, pelo que ela é capaz de fazer, por só pensar em si própria e nos seus desejos.

Quanto às restantes personagens principais, tenho de confessar que não me prenderam tanto quanto gostaria. Realmente foi interessante poder saber mais sobre o segredo que assolava as suas vidas, mas não consegui criar uma ligação com elas. Não consegui sentir a sua dor, alegria e nesse aspecto penso que a escritora falha, porque por um lado criou uma personagem tão forte e marcante, ao passo que estas duas se tornam apagadas pelo magnetismo que a personagem Katherine possui.

Numa escrita bastante descritiva, que por vezes me levou a parar a leitura, por tornar a obra algo densa, Katherine Webb prende-nos essencialmente pelo mistério subjacente na obra, em que nos consegue surpreender e cativar. Defendendo que nunca devemos desistir de lutar por quem gostamos e que a culpa pode corromper de tal modo uma pessoa, que deixa de ter amor tanto por si como pelas pessoas que a rodeiam.

Em suma, penso que para os amantes de romances que contenham famílias com grandes árvores genológicas, repletas de segredos, culpa e amor, esta poderá ser uma obra que agradará.

Avaliação: 3/5 (Gostei!)