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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

"Ligeiramente Perverso" de Mary Balogh [Opinião]



Nome: “Ligeiramente Perverso” (Bedwyn Saga #2)

Autora: Mary Balogh

Nº de Páginas: 368

Editora: Edições ASA

Sinopse: “A família Bedwyn está de volta. Estes seis irmãos e irmãs são capazes de tudo para concretizarem os seus sonhos… até de mandar às urtigas as normas rígidas da alta sociedade britânica, na qual continuam a fazer os possíveis por não ferir demasiado os sentimentos alheios.

É difícil resistir a Lord Rannulf Bedwyn. Para Judith Law, ele é um sonho tornado realidade. É com este belo desconhecido que a jovem decide passar a única noite de paixão da sua vida. Na manhã seguinte, ela submete-se resignadamente ao deprimente papel de dama de companhia de uma tia rica. Judith nunca pensou voltar a ver o homem a quem se entregou de forma tão arrebatada... e imprópria, muito menos encontrá-lo sob o mesmo teto e a cortejar a sua prima. Só que as aparências iludem. Rannulf não esqueceu a noite que passaram juntos. E Judith luta consigo mesma e com essa memória, à qual não pode ceder sob pena de perder a proteção da tia, o seu único sustento após a ruína da família. Quando um escândalo ameaça destruir a sua já frágil existência, Rannulf não hesita em recorrer ao poder e influência dos Bedwyn para a salvar. Os sentimentos de ambos estão ao rubro. Mas qual o futuro de uma relação que começou com uma paixão despudorada e culminou em humilde gratidão? Poderá o verdadeiro amor nascer de algo ligeiramente perverso?”

Opinião: Mary Balogh nasceu no Reino Unido, em 1944 e após se formar na universidade tornou-se professora de Inglês. A sua primeira obra foi publicada em 1985 e desde esse momento nunca mais parou de escrever, sendo actualmente autora de mais de 70 livros e 30 novelas. Em 1988, a autora decidiu deixar a carreira do ensino depois de 20 anos a exercer, para se dedicar exclusivamente ao seu sonho de ser escritora. Além da escrita, Mary é também apaixonada pela leitura, música e tricô.

“Ligeiramente Perverso”, segundo volume da saga Bedwyn, apresenta-nos Judith Law que se encontra numa viagem para casa de uma tia rica, onde será dama de companhia, quando a carruagem onde viaja é derrubada. Ao observar a situação aparatosa, Lord Rannulf Bedwyn, promete-lhes ir à procura ajuda e encanta-se por Judith, a quem propõe que o acompanhe até à próxima estalagem, onde pedirá ajuda para os restantes passageiros. Judith sabendo que lhe espera um futuro sem grandes desenvolvimentos na casa da tia decide aceitar a proposta do estranho, acabando inclusive por decidir ter a sua primeira e única noite de amor com ele, pois acredita que nunca mais o verá. Contudo, o destino tem outros planos para ambos e acabarão por se reencontrar, num ambiente onde nem tudo o que parece é.

Da escritora já tive a oportunidade ler “Uma Noite de Amor”, prequela desta saga, e o primeiro volume da mesma “Ligeiramente Casados”, e em ambos os livros a autora prendeu-me com a sua escrita e personagens, todavia existia sempre um ponto que degustava, a forma abrupta como a relação amorosa entre as personagens se desenrolava. Neste volume, por outro lado, embora se envolvam carnalmente muito cedo, é possível observar a forma como se conhecem e criam laços entre si de forma gradual, o que foi, sem dúvida, uma melhoria e aspecto positivo a referenciar.

Relativamente às personagens, foi muito fácil sentir apresso por Judith, por ser uma rapariga que vê reprimidos os seus sonhos e de certa forma a possibilidade de ter uma vida própria. Judith é também uma jovem que sempre se considerou feia, devido aos comentários alheios, mas que com o desenrolar da trama acaba por observar a sua verdadeira beleza. Portadora de uma personalidade forte, destemida, sem receio de defender o que acredita e tentando sempre querer solucionar os seus próprios problemas, não deixando que ninguém o faça por ela, Judith é igualmente detentora de um dom para a representação admirável. 

No que se refere a Rannulf tem as características que identifico como sendo características dos Bedwyn, um enorme sentido de lealdade, de necessidade de fazer o que considera ser o mais acertado e de força, mas também de alguma arrogância, que esconde os seus reais sentimentos. Por todos estes aspectos foi igualmente uma personagem carismática, com defeitos e qualidades, que invariavelmente nos toca.

Relativamente aos restantes personagens, poderia mencionar Wulf, duque de Bewcastle, irmão de Rannulf, por conter uma fachada fria e arrogante, mas por na verdade se preocupar bastante com a família e tentar ao máximo ajudar a mesma, tanto a resolver problemas, como a alcançar a felicidade. Devido a esta sua forma de ser, estou deveras curiosa com o livro referente ao mesmo. 

No que concerne aos restantes irmãos, apreciei especialmente Freyja e Alleyne. A primeira por ser maria-rapaz, perspicaz, respondona e dona do seu nariz e a segunda pela sua personalidade engraçada, que me fez lembrar, confesso, um pouco o Collin da Saga Bridgertons da Julia Quinn.

Numa escrita fluída, cativante e detentora de descrições deliciosas, Mary Balogh apresenta-nos novamente duas personagens de mundos muito diferentes, Lord Rannulf, irmão de um duque, e Judith vinda de uma família na miséria, numa trama que mistura amor, acção, suspense, conseguindo no processo arrancar-nos alguns sorrisos ora de deleite pelas cenas apresentadas ou pela vivacidade e humor de algumas das personagens.

Em suma, “Ligeiramente Perverso” mostrou ser uma obra bastante agradável e carismática, pelo que aguardo com alguma curiosidade o seguinte volume, “Ligeiramente Escandalosa”, que foi lançado em Novembro do ano passado em Portugal pela Edições ASA.


Avaliação: 3.5/5 (Gostei!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

     

terça-feira, 11 de novembro de 2014

"Teu para Sempre" de W. Bruce Cameron [Opinião]


Nome: “Teu para Sempre”

Autor: W. Bruce Cameron

Nº de Páginas: 288

Editora: Edições ASA

Sinopse: “O corajoso e meigo Toby persegue um sonho: amar e ser amado. O mundo dos afetos parece estar-lhe vedado mas ele não desiste. Serão necessárias várias reencarnações mas o seu destino está escrito há muito. E um dia, ele conseguirá mesmo a resposta para a grande questão: qual é o sentido da vida? Toby é um cachorro doce e sedento de amor. Após uma curta e trágica vida de cão vadio, ele fica surpreendido ao perceber que lhe foi dada uma nova oportunidade: o nosso herói nasceu de novo e tem um mundo de possibilidades pela frente. Mas a sorte não parece estar do seu lado e mesmo quando é salvo por uma mulher bem-intencionada, o seu fim é novamente solitário e tristonho. Na sua próxima reencarnação, será acolhido por Ethan, um menino de oito anos que lhe dá a conhecer as alegrias do amor e da amizade. Mas esta vida de cão de estimação mimado não encerra a sua jornada na Terra. Esperam-no ainda muitas emoções fortes e provações até o verdadeiro desígnio da sua vida lhe ser revelado. No seu desejo de amar e ser amado, Toby protagoniza uma jornada universal. Toby somos todos nós. E todos nós nascemos com um destino para cumprir. Comovente e inesquecível, Teu Para Sempre relembra-nos o que é essencial nas nossas vidas: o amor e a amizade, os momentos de felicidade e partilha, sonhos que acalentamos e as memórias que guardamos no coração.”

Opinião: William Bruce Cameron é um escritor americano, produtor cinematográfico e humorista. Autor de nove romances, escreveu a obra que considera ser a mais importante da sua carreira, “A Dog’s Purpose” em 2010, que foi traduzido para português como “Teu Para Sempre”, com o intuito de compartilhar com o mundo o seu amor pelos cães.

Em “Teu para Sempre” somos apresentados a Toby, um pequeno cão que tem como maior sonho amar e ser retribuído. Ao longo da narrativa Toby passa por várias vidas caninas, reencarnado em diferentes cães, de cada vez que algo de mau acontece, sempre à procura da sua maior máxima amar e ser amado, pois tem um propósito na vida, que é tocar de modo claro a vida de alguém, que precisa dele para ser feliz e completo.

Confesso que este género de obras, sobre cães, sempre me suscita um misto de sentimentos. Por um lado, adoro cães, a sua lealdade, o seu amor condicional, as suas traquinices, a forma como nos recebem depois de um dia de trabalho ou uma simples saída de 5 minutos com uma efusividade tremenda, mas, por outro lado, custa-me imenso ler sobre agressões a estes animais, embora seja infelizmente uma dura realidade. Neste volume em específico temos um role de acontecimentos, que nos mostra o melhor do lado canino e o pior e melhor do homem, sendo confrontados com várias perdas, exploração, mas também, e o mais importante, muito amor, lealdade e dedicação.

Toby passa por diversas existências, desde um cão selvagem que é acolhido por um canil, depois sendo adoptado por uma família, posteriormente como cão polícia, e, por último, sendo adoptado por uma família, que o maltrata. De cada uma destas reencarnações, Toby conhece diversas pessoas, com identidades deveras reais, desde pessoas carinhosas; indivíduos que perderam algo nas suas vidas, o que os moldou para sempre e pessoas realmente más, que infelizmente não sabem valorizar os animais e o impacto que eles podem ter nas nossas vidas.

Numa narrativa emotiva e fluída, sem dar azos a muitas descrições, W. Bruce Cameron apresenta-nos uma história pelos olhos de Toby, apresentando-nos personagens reais, que nos tocam, ora com pena, repulsa ou felicidade, contudo nunca nos deixando indiferentes. “Teu Para Sempre” é, deste modo, uma obra para todos os que adoram cães e que os encaram como os seus melhores amigos, que se encontram connosco para nos ajudar a sermos mais felizes.

Este volume contém uma sequela, “A Dog’s Journey”, mas que ainda não se encontra traduzida na língua de Camões, todavia penso que o final em “Teu para Sempre” é perfeito para a jornada de Toby.


Avaliação: 3/5 (Gostei!)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Ligeiramente Casados [Opinião]


Nome: “Ligeiramente Casados”

Autora: Mary Balogh

Nº de Páginas: 336

Editora: Edições ASA

Sinopse: “Como todos os Bedwyn, Aidan tem a reputação de ser arrogante. Mas este nobre orgulhoso tem também um coração leal e apaixonado - e é a sua lealdade que o leva a Ringwood Manor, onde pretende honrar o último pedido de um colega de armas. Aidan prometeu confortar e proteger a irmã do soldado falecido, mas nunca pensou deparar com uma mulher como Eve Morris. Ela é teimosa e ferozmente independente e não quer a sua proteção. O que, inesperadamente, desperta nele sentimentos há muito reprimidos. A sua oportunidade de os pôr em prática surge quando um parente cruel ameaça expulsar Eve de sua própria casa. Aidan faz-lhe então uma proposta irrecusável: o casamento, que é a única hipótese de salvar o lar da família. A jovem concorda com o plano. E agora, enquanto toda a alta sociedade londrina observa a nova Lady Aidan Bedwyn, o inesperado acontece: com um toque mais ousado, um abraço mais escaldante, uma troca de olhares mais intensa, o "casamento de conveniência" de Aidan e Eve está prestes a transformar-se em algo ligeiramente diferente...”

Opinião: Mary Balogh cresceu em Gales, local que estimulou a sua imaginação graças às suas paisagens, música e lendas. Quando se mudou para o Canadá começou a escrever os seus romances, que já venderam mais de 4 milhões de exemplares em todo o mundo.

Em “Ligeiramente Casados”, primeiro volume da saga Bedwyn Saga, encontramo-nos em 1814 e conhecemos Aidan Bedwyn que, após fazer uma promessa a um soldado no seu leito de morto, se dirige Ringwood Manor para proteger a irmã do mesmo, Eve Morris. Contudo, a missão de Aidan mostra ser mais difícil do que pensou inicialmente, uma vez que esta é deveras independente e teimosa, o que a leva a rejeitar qualquer ajuda e protecção que Aidan possa querer oferecer. Até que uma reviravolta na vida de Eve a leva a perceber que poderá perder tudo o que dá importância, todas as pessoas que vivem consigo, os empregados, que considera amigos, e dois órfãos que são como filhos para ela, o que levará a aceitar a única forma de salvar a casa, casar-se com Aidan Bedwyn.

Desta autora já havia lido um livro “Uma noite de amor”, prequela da saga Bedwyn, que me havia agradado, pelo que foi com curiosidade que comecei este volume. Confesso que tal como aconteceu no anterior volume que li da escritora, continuo a considerar que a obra peca um pouco pela forma repentina como o amor surge entre o casal da trama, pois não sentimos verdadeiramente o amor florescer, o que pessoalmente é dos aspectos que menos aprecio neste género de obras. Todavia, tirando este aspecto, penso que a autora nos presenteia com uma fluidez narrativa excelente, que nos prende do princípio ao fim à história, em que ficamos desejosos por saber se Aidan e Eve vão realmente ficar juntos, se Eve conseguirá ou não manter a sua casa e todos aqueles que considera como sua família.

Outro aspecto que me cativou na obra foi a importância dada às pessoas, às relações humanas e o facto de a autora não criar pessoas perfeitas tanto psicológica como fisicamente, mas reais. Eve cativou-me pela sua personalidade forte, pela forma como defendia afincadamente os seus ideais e opções, mas essencialmente pela forma pura como encarava as pessoas, não de forma ingénua, mas vendo, por outro lado, para além das aparências, observando a verdadeira essência das mesmas. Relativamente ao Aidan mostrou ser um homem integro, com um sentido de justiça e lealdade bastante vincado, o que torna simples para o leitor sentir-se apegado ao mesmo.

Numa escrita fluída e cativante, Mary Balogh presenteia-nos, deste modo, com um romance de época repleto de lealdade e amor, polvilhado com alguma traição e intriga, que certamente agradará aos amantes deste género de obras.

Frases a reter: “Nem sempre podemos esconder-nos da vida. (…) É melhor nem sequer tentar e encarar simplesmente o que precisa de ser encarado.” (P.304)

Avaliação: 3/5 (Gostei!)


Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A Grande Revelação


Nome: “A Grande Revelação”

Autora: Julia Quinn

Nº de Páginas: 376

Editora: Edições ASA

Sinopse: “O coração de Penelope Featherington sofre por Colin Bridgerton há... não pode ser!?? ...mais de dez anos? Sim, essa é a triste verdade. Dez anos de uma vida enfadonha, animada apenas por devaneios apaixonados. Dez ingénuos anos em que julga conhecer Colin na perfeição. Mal ela sabe que ele é muito (mesmo muito) mais do que aparenta... Cansado de ser visto como um mulherengo fútil, irritado por ver o seu nome surgir constantemente na coluna de mexericos de Lady Whistledown, Colin regressa a Londres após uma temporada no estrangeiro decidido a mudar as coisas. Mas a realidade (ou melhor, Penelope) vai surpreendê- lo... e de que maneira! Intimidado e atraído, Colin vai ter de perceber se ela é a sua maior ameaça ou o seu final feliz.
Ps: este livro contém a chave do segredo mais bem guardado da sociedade londrina.”

Opinião: Julia Quinn começou a escrever logo após terminar o seu curso e rapidamente se tornou um sucesso internacional. Com as suas obras traduzidas em vinte e seis línguas, tendo constado todos os seus livros na lista de bestsellers do New York Times, Julia Quinn viu a sua quarta obra da Série Bridgerton, “A Grande Revelação”, ser traduzida para a língua de Camões no presente ano.

Penelope Featherington encontra-se há vários anos apaixonada por Collin. Quando este volta para casa, depois de uma longa estada no estrangeiro, Penelope compreende que a paixão que sente por ele ainda se encontra presente, contudo acredita que nunca terá qualquer possibilidade com este, pois acredita que o mesmo sempre a encarará como a melhor amiga da irmã, que constantemente visita a casa da família. Colin, por sua vez, encontra-se irritado por ser sempre encarado como o irmão sedutor, fútil e acalenta mostrar que é mais do que aquilo que todos pensam. Nesta sua luta por algo mais, começa a reparar em Penelope de uma forma que nunca antes havia feito.

A Série Bridgerton conseguiu prender-me desde o primeiro volume e rapidamente me tornou uma fã incondicional, não só desta saga, mas igualmente do Romance de Época, que até à altura era um género que não lia muito. Com estes aspectos em mente e tendo em conta que Colin era o irmão que mais me cativava nos anteriores volumes, com a sua descontracção e alegria, foi com imensa curiosidade que iniciei esta leitura.

Neste volume somos apresentados a um Colin diferente daquele que nos tinha sido apresentado até então, o que para alguns leitores poderá causar alguma estranheza, mas que pessoalmente me deixou rendida, pois compreendemos que Colin é mais do que o rapaz engraçado, de sorriso travesso e brincalhão, mas que também erra, se irrita e tem crises existenciais. Quantos de nós já não nos questionámos sobre o nosso real papel na sociedade, sobre a razão de ser das nossas vidas? Nesta obra acompanhamos Colin a tentar dar uma rumo à sua vida, a tentar marcar a diferença, demarcar-se do nome Bridgerton e atingir os seus objectivos graças ao seu esforço pessoal. Deste modo, Colin ganha toda uma nova notoriedade, mostrando-nos a sua inteligência e dedicação plena, frontalidade, com uma paixão que desconhecíamos até ao momento.

Quanto a Penelope, considerei que era uma personagem bastante forte, algo que já é característico nas obras da escritora, portadora de bastante carisma, sendo simples sentir apresso pela mesma. Consegue prender-nos com a sua perspicácia, inteligência e frontalidade, escondidas por detrás da sua timidez. Apesar de ser bastante tímida e de raramente se dar a conhecer às outras pessoas, quando está junto de Collin as suas reservas parecem simplesmente desaparecer e assim consegue mostrar nestas pequenas reuniões a sua verdadeira essência, que rapidamente arrebata as pessoas que a circundam.

Quanto às personagens secundárias, temos a possibilidade de conhecer um pouco mais a família de Penelope, especialmente a sua irmã mais nova, que se tornou uma jovem mulher e que tem uma relação fantástica com a irmã. Conhecemos igualmente um pouco melhor Eloise, que sempre foi muito amiga de Penelope e que decidiu se manter solteira, apesar dos inúmeros pretendentes que a cortejaram. Pessoalmente, fiquei com algumas conjunturas quanto a esta personagem, devido ao seu mistério e momentos finais, pelo que estou curiosa por saber mais sobre a mesma. Neste volume revemos também Daphne e Simon, Kate e Anthony, tendo a possibilidade de saber em que ponto se encontram as suas vidas, tal como Lady Violet, que tenta sempre a todo o custo lutar pela felicidade dos seus filhos.

Numa escrita fluída, onde o romance, humor e erotismo são uma realidade, Julia Quinn apresenta-nos uma obra marcada por um conjunto de componentes capazes de deliciar e prender o leitor a esta história, que o leva a ansiar por futuros desenvolvimentos. Portador de personagens humanas, com qualidades e defeitos característicos, uma história imprevisível e tremendamente cativante, que sentimos que poderia efectivamente ter acontecido e a solução de um mistério repleto de especulações, a real identidade de Lady Whistledown, que causará diversos tumultos ao longo da obra.

Em suma, Julia Quinn é efectivamente uma escritora com uma capacidade de escrita e de envolvimento sublime, que veio reforçar com este volume o quanto a aprecio. Aguardo com muita expectativa o seguinte volume da saga, referente ao quinto irmão Bridgerton, Eloise.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

  

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Uma Noite de Amor


Nome: “Uma Noite de Amor”

Autora: Mary Balogh

Nº de Páginas: 368

Editora: Edições ASA

Sinopse: Numa manhã perfeita de Maio...
Neville Wyatt, conde de Kilbourne, aguarda a sua noiva no altar. Mas, para espanto geral, em vez da bela jovem que todos conhecem aparece uma mendiga andrajosa. Perante a nata da aristocracia, o perplexo conde olha para ela e declara que é Lily, a sua mulher! Ao olhar para aquela que em tempos desposou, que amou e perdeu nos campos de batalha de Portugal, ele compromete-se a honrar o seu compromisso...apesar do abismo que agora os separa.

Até que Lily fala com franqueza...
E afirma querer começar de novo… e que Neville a ame verdadeiramente. Para isso, sabe que terá de estar à altura das expectativas dele, o que a leva a aceitar ser dama de companhia da sua tia e aprender as boas maneiras. A determinada Lily rapidamente conquista a admiração da alta sociedade, demonstrando ser uma condessa à altura do seu conde. Por seu lado, Neville está disposto a tudo para provar à sua formidável mulher que o que sentiu por ela no campo de batalha foi muito mais que desejo, muito mais do que o arrebatamento de… Uma noite de amor.”

Opinião: Mary Balogh cresceu em Gales, que se define pelo seu mar, montanhas, músicas e lendas. Quando se mudou para o Canadá levou na bagagem a música e a imaginação que a sua terra natal lhe despertou, sendo neste local que se torna escritora de histórias de amor com finais felizes. Tornou-se uma premiada autora, que constou por diversas vezes nas listas de bestsellers do New York Times, tendo vendido mais de 4 milhões de exemplares em todo o mundo.

Em “Uma Noite de Amor”, Neville Wyatt, conde de Kilbourne, aguarda a sua noiva no altar, quando uma jovem, aparentemente mendiga, entra na igreja e admite que é mulher de Neville. Inicialmente este pensa estar a sofrer alucinações, pois viu Lily ser morta nos campos de batalha em Portugal, contudo quando percebe que afinal a mulher por quem se apaixonou se encontra realmente viva, apresenta-a como sendo efectivamente a sua mulher, com quem se havia casada 24 horas antes de um incidente que o levou a ficar terrivelmente ferido e a ela aparentemente morta. Apesar de Lily ter voltado para si, existe um grande fosso social entre ambos. Será o amor mais importante do que tudo o resto ou o fosso existente entre ambos irá levar a que a relação entre ambos se resuma simplesmente à noite de amor, que tiveram nos campos de batalha, em Portugal?

Já há algum tempo que estava interessada em experimentar as obras desta escritora, devido à minha mais recente paixão pelo género Romance de Época, mas essencialmente devido às suas cativantes sinopses e às entusiásticas opiniões tecidas às suas obras. Esta obra em específico cativou-me inicialmente por ser passada, em certo momento, em Portugal e pela premissa que me pareceu intrigante e interessante. Finda a obra, posso afirmar que se mostrou uma história romântica, que me proporcionou alguns bons momentos enquanto a desfolhava, sem, infelizmente, convencer inteiramente.

Pessoalmente penso que a obra carece de um maior aprofundamento e consolidação da personagem principal masculina, da sua personalidade, pois nem sempre é simples compreendermos o que o motiva. A escritora confere bastante notoriedade aos debates internos de Lily, em que a mesma sente que não foi talhada para o mundo de Neville, em que receia que o mesmo não seja compatível com a sua forma de ser e que moldar-se ao mesmo poderá levar a que tenha de abdicar da sua verdadeira essência. Lily é um espírito livre, com ideais bastante bem definidos sobre o mundo que a rodeia e uma maneira muito particular de superar os problemas e as contrariedades da vida. Lily é, sem dúvida, a personagem mais forte da obra, de quem é fácil gostar e compreender, criando uma forte ligação com o leitor. Contudo, existia necessidade que a personagem masculina fosse igualmente forte, que nos fosse dado a conhecer de modo mais aprofundado, com o intuito de compreendermos os seus pensamentos, desejos, ambições e receios. Na minha opinião, penso que Neville perde notoriedade quando comparado com Lily, não me tendo marcado sobremaneira.

Relativamente à relação entre as personagens principais, tenho de confessar que não convenceu completamente a forma como a mesma floresceu entre ambos. Em certa medida, este aspecto deve-se a ter sido uma relação muito curta, em que o casamento teve duração de 24 horas e por os momentos passados no campo de batalha, em que o casal se conheceu e apaixonou, nos serem dados de forma bastante fugaz. O facto de a obra começar com o reencontro de ambos, quando Neville se preparava para casar com outra pessoa, associada a grande parte do livro girar em volta de quão inapta é Lily para aquela classe social e aos seus debates internos e não tanto em momentos vividos entre ambos os personagens, reforçou o sentimento de que a relação entre ambos precisava de ter sido abordada de forma mais convincente. Todavia, os momentos passados entre ambos, apesar de terem sido em diminuto número, foram efectivamente ternurentos e românticos, sendo capazes de nos arrancar alguns suspiros de deleite.

Apesar dos aspectos negativos que apontei, não posso negar que foi uma obra que conteve momentos românticos, sensuais e agradáveis, que me prenderam à narrativa. Contendo várias reviravoltas que nos prendem à narrativa e que nos deixam desejosos por futuros desenvolvimentos.

Numa escrita fluída, cativante, contendo várias pérolas ao longo da narrativa, frases que nos deixam a pensar após o término da mesma, Mary Balogh defende que nunca é tarde para mudarmos, aprendermos e lutarmos pelos nossos sonhos e desejos.

Em suma, “Uma Noite de Amor” mostrou ser efectivamente uma história romântica, ternurenta e sensual, embora necessitasse de um maior aprofundamento e consolidação da personagem masculina, tal como da relação entre ambos os personagens principais. Aguardo com alguma curiosidade a leitura do seguinte volume desta saga, “Um Verão Inesquecível”.

Frases a Reter: “Aprendi a ficar quieta e a parar de fazer coisas, de ouvir e até de pensar. Aprendi a ser. Aprendi que quase qualquer lugar pode ser um desses lugares especiais, caso eu o permita. Talvez tenha aprendido a encontrar esse lugar dentro de mim.” 

“Sou todas as pessoas que já fui - esclareceu - e todas as experiências que vivi. Não tenho de fazer opções. Não tenho de renegar uma identidade para poder reclamar outra. Sou quem sou."


Avaliação: 3/5 (Gostei!)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Amor & Enganos


Nome: “Amor & Enganos”

Autora: Julia Quinn

Nº de Páginas: 384

Editora: Edições ASA

Sinopse: “Sophie Beckett tinha um plano ousado: fugir de casa para ir ao famoso baile de máscaras de Lady Bridgerton. Apesar de ser filha de um conde, ela viu todos os privilégios a que estava habituada serem-lhe negados pela madrasta, que a relegou para o papel de criada. Mas na noite da festa, a sorte está do seu lado. Sophie não só consegue infiltrar-se no baile como conhece o seu Príncipe Encantado. Depois de tanto infortúnio, ao rodopiar nos braços fortes do encantador Benedict Bridgerton, ela sente-se de novo como uma rainha. Infelizmente, todos os encantamentos têm um fim, e o seu tem hora marcada: a meia-noite. Desde essa noite mágica, também Benedict se rendeu à paixão. O jovem ficou até imune aos encantos das outras mulheres, exceção feita... talvez... aos de uma certa criada, que ele galantemente salva de uma situação desagradável. Benedict tinha jurado tudo fazer para encontrar e casar com a misteriosa donzela do baile, mas esta criada arrebatadora fá-lo vacilar. Ele está perante a decisão mais importante da sua vida. Tem de escolher entre a realidade e o sonho, entre o que os seus olhos vêem e o que o seu coração sente. Ou talvez não...”

Opinião: Julie Pottinger é uma autora bestseller americana de romances históricos, que admite ter escolhido o pseudónimo Julia Quinn de modo a que os seus romances pudessem ser organizados junto da romancista Amanda Quick. Os seus volumes foram traduzidos para 24 línguas e constou 16 vezes da lista New York Times Bestseller.

“Amor & Enganos”, terceiro volume da série Bridgerton, que foi lançado no original em 2001 e no presente ano em Portugal, apresenta-nos Sophie Beckett, que é filha bastarda de um Conde e, embora tenha tido a possibilidade de ser educada na sua casa, ensinada por perceptores a vários níveis, vê o seu papel na casa ser-lhe negado quando a sua madrasta vai viver para aquela casa. Quando o pai morre, Sophie acaba por se tornar numa criada, sem ganhar qualquer salário pelo trabalho desempenhado. 

Ao ter conhecimento do baile de máscaras que Lady Bridgerton se encontra a organizar e com a ajuda de diferentes criadas, Sophie acaba por se infiltrar no baile, contudo existe um senão, quando a meia-noite chegar, Sophie terá de voltar para casa, de modo a poder usar a carruagem da madrasta e para que a mesma e as suas duas filhas não se cruzem com ela. No baile além de ver os seus sonhos tornados realidade, de conseguir usufruir de um baile com que tanto sonhou, acaba por conhecer também o seu Príncipe Encantado, Benedict Bridegerton, sendo a atracção entre ambos instantânea.

Sophie sabendo que nunca poderá ter nada com Benedict e depois de um desentendimento com a madrasta, acaba por sair de sua casa e ir à procura emprego noutra cidade. É passado dois anos que Benedict e Sophie se reencontram e o primeiro a salva de um conjunto de homens, prometendo-lhe um emprego. Apesar de reticente e de tentar a todo o custo não se tornar criada em casa da sua mãe, o que iria tornar mais difícil ficar longe do seu Príncipe, acaba por o fazer. Continuará Benedict à procura da bela donzela que conheceu no baile ou será a bela criada que o irá arrebatar?

Desde que tive a possibilidade de ler o primeiro volume desta saga, que me foi altamente recomendada, que me tornei uma fã incondicional da autora e do género romance de época. Ao ser esta uma saga que tanto prazer me dá desfolhar e sendo este volume uma adaptação do conto infantil “A Cinderela” ainda era maior a curiosidade de embrenhar nas suas páginas. O facto de ser uma adaptação de um conto infantil que toda a gente conhece, poderia ser, de alguma forma, mal aproveitada, até porque poderia tornar-se de certo modo previsível, contudo Julia Quinn volta a deslumbrar-nos com a sua forma singular e muito especial de contar histórias, apresentando-nos uma adaptação muito bem conseguida, original e ternurenta, capaz de nos arrancar suspiros e sorrisos constantemente.

Quanto às personagens principais, considerei a Sophie, uma personagem bastante forte, com muito carisma, de quem é fácil sentir apresso. Teve uma infância difícil, ao ser filha bastarda de um Conde, sempre pensou que o pai não a amava plenamente e após a sua morte foi explorada pela sua madrasta, sendo-lhe negado algo que era seu por direito. Estes aspectos fizeram com que fosse obrigada a crescer depressa e aprendeu a defender-se e aos seus ideais com garra.

Relativamente ao Benedict, confesso que era um dos irmãos que ainda não me tinha chamado muito à atenção, até este volume. Tem várias das características que definem a família Bridgerton, o sentido de honra, a teimosia, a ligação fantástica à família e acabou por ser uma personagem que me cativou no presente livro. Apesar de ter tido algumas atitudes das quais não apreciei muito, acaba por se redimir e mostrar o quão romântico pode ser, lutando pela sua felicidade e por aqueles que ama.

No que diz respeito às personagens secundárias, poderíamos destacar a madrasta de Sophie, Araminta, de quem sentimos raiva, por tudo o que é capaz de fazer a Sophie, apesar de a mesma ter mais direitos do que as suas filhas; o modo como a explora e como a coloca fora de casa sem qualquer previsão de um futuro. A sua filha mais nova, Posy, foi uma personagem que me agradou bastante, pois apesar de ter uma mãe tão maquiavélica, foi capaz de defender Sophie, tratando-a sempre com respeito. No final da obra, fica o desejo que a mesma possa ser feliz e que o futuro lhe seja risonho. Outra personagem que se destacou neste volume foi a mãe Bridgerton. Desde o primeiro volume que me cativou pela sua força, perseverança, pelo seu amor incondicional e, neste volume, não foi de forma alguma excepção. Através da sua força e carisma defende afincadamente aquilo em que acredita e a felicidade dos seus filhos.

Numa escrita fluída, com o romantismo, ironia e humor que lhe são característicos, Julia Quinn apresenta-nos uma história que nos deslumbra, conseguindo arrancar-nos inúmeros sorrisos com as confrontações entre as nossas personagens principais e suspiros com os momentos mais ternurentos. Neste volume é igualmente defendido que nem sempre vemos o que temos à nossa frente e que a felicidade poderá ser encontrada nas pessoas e locais mais improváveis.

No final desta obra ficamos somente desgostosos por ter terminado tão rapidamente algo de tão fantástico, pois é, sem dúvida, até ao momento, o livro que mais me agradou da saga, e fica uma enorme curiosidade de saber mais sobre esta fantástica família. Fico deveras ansiosa pelo seguinte volume, especialmente por ser do meu irmão Bridgerton preferido, Colin.

Frases a Reter: "Dizem que uma pessoa inteligente aprende com os erros (...), mas uma pessoa verdadeiramente inteligente aprende com os erros dos outros."

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

   

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Peripécias do Coração


Nome: “Peripécias do Coração”

Autora: Julia Quinn

Nº de Páginas: 384

Editora: Edições ASA

Sinopse: “A sensata Kate Sheffield está decidida a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um marido de reputação impecável. Mal ela sabe que o visconde Anthony Bridgerton já traçou um plano... que inclui a belíssima jovem! E ele não está habituado a ser contrariado... Embora Anthony seja o solteirão mais cobiçado da temporada, a sua reputação de mulherengo perturba Kate. Ela terá de agir rapidamente, pois Edwina vê com muito bons olhos os avanços do visconde. Mas Edwina fez uma promessa que não está disposta a quebrar: nunca casará sem a bênção de Kate. Cabe, pois, a Anthony convencer aquela que (espera) será a sua futura cunhada. Ele é um homem determinado e seguro de si... e não contava encontrar uma adversária à sua altura. Frente a frente, Kate e Anthony apercebem-se de que têm mais em comum do que imaginaram. Mas o que os une ameaça separá-los para sempre.”

Opinião: Julia Quinn começou a escrever após terminar o seu curso universitário e, para deleite dos seus leitores, nunca mais parou. As suas obras encontram-se traduzidas para vinte cinco línguas e todos se tornaram imediatamente parte integrante da lista de bestsellers do New York Times. A escritora venceu dois prémios Romantic Times e três prémios RITA da Romance Writers of America, tendo sido a mais jovem autora a fazer parte do Hall of Fame dessa associação.

Em “Peripécias do Coração”, segundo volume da Saga Bridgertons, Anthony Bridgerton encontra-se preparado para se casar e construir família. Sendo um dos homens mais cobiçados da temporada são várias as mães interessadas em apresentar-lhe as suas filhas, contudo a sua reputação de mulherengo acaba por colocar reticentes algumas pessoas. Kate Sheffield está disposta a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um pretendente respeitável, que a possa fazer feliz. Quando percebe que Anthony poderá estar interessado na sua irmã mais nova, que disse certa vez que nunca casaria sem o consentimento da irmã mais velha, decide afastá-lo.

Anthony é um homem determinado e seguro de si mesmo e não se encontrava preparado para encontrar tal resistência por parte de Kate e à medida que se vão conhecendo a atracção começa a ser uma realidade. Contendo personalidades em muito semelhantes tinham tudo para ser felizes juntos, porém algo atormenta Anthony e isso poderá separá-los para sempre.

Comecei a ler este volume pouco tempo depois de ter terminado o primeiro, repleta de curiosidade por descobrir mais sobre o irmão Anthony, que se havia mostrado bastante leal e com uma enorme devoção à família no anterior volume. Se havia ficado rendida na anterior obra, “Peripécias do Coração” não foi de todo excepção. Novamente a autora utiliza uma fórmula de sucesso, personagens tremendamente humanas e bem construídas, uma história de amor capaz de nos prender à trama e de nos arrancar suspiros pelos seus momentos mais ternurentos ou emocionantes.

No que diz respeito ao casal da trama, Kate é portadora de uma personalidade forte, sendo sensata, sem receio de defender afincadamente a sua irmã e aquilo em que acredita. É uma rapariga com uma auto-estima um pouco baixa, pois sabe que sempre viveu um pouco à margem da irmã, que sempre foi considerada a mais bonita, mas não se deixando abater por isso, sendo bastante perseverante, destemida e forte. Anthony havia-me cativado no anterior volume e neste veio reforçar que tinha razões para o considerar uma boa pessoa. Tem uma lealdade e um amor pela família realmente notáveis, é um homem que não está habituado a ser contrariado e que lhe façam frente, mas que muitas das vezes o seu ar imperturbável e fanfarrão é somente uma fachada, pois lá no fundo ele tem receios que o impossibilitam de se entregar verdadeiramente a alguém. Adorei conhecer o passado de ambos os personagens e da forma como as suas vivências os moldaram e os definiram enquanto pessoas. Este é dos aspectos que mais aprecio na escritora, o facto de conferir realmente profundidade às suas personagens, criando-as de um modo tão real, que é como se as pudéssemos conhecer e o desejássemos realmente fazer.

Gostei bastante de voltar a visitar a restante família Bridgerton, cada vez simpatizo mais com esta família incrível, especialmente com o irmão Colin, que me suscita bastante curiosidade e que nos cativa com a sua maneira de ser. Tendo sido igualmente um prazer poder saber como se encontrava o casal que conhecemos na anterior obra, Daphne e Simon.

Adoro sinceramente a escrita da autora, que me consegue arrancar gargalhadas constantemente e suspiros de deleite por alguns dos momentos vivenciados pelas personagens. Com uma escrita muito fluída e cativante, Julia Quinn apresenta-nos uma bonita história de amor, que temos a possibilidade de ver florescer, contendo novamente mais elementos para além da história de amor, com alguma profundidade, mostrando os receios mais profundos dos nossos personagens principais. Defendendo que por vezes somos de tal modo depreciativos connosco mesmos que não conseguimos ver os nossos aspectos positivos, que nunca devemos deixar de investir no amor e de sermos felizes porque independentemente de tudo, merecemos ter essa componente na nossa vida.

Em suma, “Peripécias do Coração” foi uma óptima continuação da saga, que tem tudo para se tornar numa das minhas preferidas. A continuação, “Amor e Enganos”, foi lançada este mês pela Edições ASA e será das minhas próximas leituras.

Frases a Reter: “Não preciso de ser mesmo boa. Só preciso de retirar prazer do que faço. E de saber que tentei.”

“Significa que amor não é temer que tudo nos seja arrebatado. Amor é encontrar a pessoa que nos faz melhores pessoas do que alguma vez sonhámos ser. É olhar nos olhos da nossa mulher e saber, no mais fundo de nós, que ela é simplesmente a melhor pessoa que já conhecemos.”

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Herança


Nome: “A Herança”

Autora: Katherine Webb

Nº de Páginas: 456

Editora: Edições ASA


Sinopse: “Após a morte da avó, as irmãs Erica e Beth Calcott regressam a Storton Manor, a imponente mansão da família. Rodeada pela atmosfera mágica das férias de Verão da sua infância, Erica relembra o passado, particularmente o primo Henry, cujo desaparecimento daquela mesma casa dilacerou a família e marcou Beth terrivelmente. A jovem decide agora descobrir o que aconteceu a Henry, para que o passado possa ser enterrado e a irmã consiga finalmente encontrar alguma paz. Mas, quando começa a investigar, um segredo familiar ameaça sair da sombra: uma história que remonta à América na viragem do século XIX, protagonizada por uma bela herdeira das classes altas e uma terra selvagem e assombrosa. À medida que o passado e o presente convergem, Erica e Beth têm de enfrentar duas terríveis traições e uma dolorosa herança.”

Opinião: Katherine Webb nasceu e cresceu em Inglaterra numa zona repleta de mansões em muito semelhantes às que descreve nas suas obras. Após estudar História na Universidade de Durham, realizou diversos trabalhos, antes de se dedicar à escrita, como bibliotecária e como vendedora de disfarces. A sua obra de estreia “A Herança” venceu o YouWriteOn Book of the Year Award 2009, tendo sido inclusive finalista do National Book Tokens New Writer of the Year 2010.

“A Herança” tem início quando a avó de Erica e Beth Calcoot falece e lhes deixa em testamento a sua mansão da família, com uma única nuance, que se mudem permanente para Storton Manor. Beth e Erica passaram vários verões na casa da avó quando eram pequenas, juntamente com o primo Henry, contudo uma tragédia assombra as suas infâncias, o desaparecimento de Henry naquele local. Erica ao voltar aquela casa decide que está na hora de descobrir o que se passou realmente naquele dia junto ao lago, onde Henry desapareceu, e que tal revelação irá trazer paz à sua irmã, que se encontra a atravessar uma depressão. Enquanto investiga este desaparecimento, acaba por também se deparar com várias revelações da sua bisavó, Katherine, mais concretamente na altura em que viveu na América, no século XIX.

Embora possua gostos bastante diversificados, no que há literatura diz respeito, o romance histórico/época era, até há pouco tempo, um género do qual conhecia muito pouco. Nos últimos meses aprendi a gostar bastante de género, tendo-se tornado efectivamente num dos meus preferidos, pelas obras fantásticas que tenho conhecido dentro deste género literário. Ao saber que neste volume eramos apresentados a uma história vivenciada em dois tempos distintos, com uma raiz familiar extensa, repleta de segredos e amores impossíveis, não resisti a experimentar este volume, que me foi aconselhado por uma amiga.

Esta obra contém vários ingredientes capazes de nos prender, uma história com saltos temporais, em que num capítulo nos encontramos na actualidade e que no seguinte somos lançados para o século XIX. Na qual temos a possibilidade de conhecer duas gerações completamente distintas, mas contendo vários aspectos em comum, histórias de amor, de culpa, repletas de segredos, que nos levam a ansiar por futuros desenvolvimentos e por vermos desvendados os mistérios existentes na trama.

No que se refere às personagens, confesso que a única que me tocou realmente foi a Katherine. Desde o início que se mostrou ser uma pessoa demasiado ligada aos aspectos materiais da vida, não dando valor ao que o marido tinha para lhe dar, embora fosse visível que o amava realmente. Tal facto levou a que instantaneamente não simpatizasse muito com ela. É realmente uma personagem muito bem caracterizada, capaz de nos deixar tristes e zangados com muitas das suas atitudes e mais tarde com raiva, pelo que ela é capaz de fazer, por só pensar em si própria e nos seus desejos.

Quanto às restantes personagens principais, tenho de confessar que não me prenderam tanto quanto gostaria. Realmente foi interessante poder saber mais sobre o segredo que assolava as suas vidas, mas não consegui criar uma ligação com elas. Não consegui sentir a sua dor, alegria e nesse aspecto penso que a escritora falha, porque por um lado criou uma personagem tão forte e marcante, ao passo que estas duas se tornam apagadas pelo magnetismo que a personagem Katherine possui.

Numa escrita bastante descritiva, que por vezes me levou a parar a leitura, por tornar a obra algo densa, Katherine Webb prende-nos essencialmente pelo mistério subjacente na obra, em que nos consegue surpreender e cativar. Defendendo que nunca devemos desistir de lutar por quem gostamos e que a culpa pode corromper de tal modo uma pessoa, que deixa de ter amor tanto por si como pelas pessoas que a rodeiam.

Em suma, penso que para os amantes de romances que contenham famílias com grandes árvores genológicas, repletas de segredos, culpa e amor, esta poderá ser uma obra que agradará.

Avaliação: 3/5 (Gostei!)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Crónica de Paixões e Caprichos



Nome: “Crónica de Paixões e Caprichos”

Autora: Julia Quinn

Nº de Páginas: 368

Editora: Edições ASA


Sinopse: “As mães casamenteiras da alta sociedade londrina, estão ao rubro. Simon Bassett, o atraente (e solteiro!) Duque de Hastings, está de volta Inglaterra. O jovem aristocrata mal sabe o que o espera pois a perseguição das enérgicas senhoras é implacável. Mas Simon não pretende abdicar da sua liberdade tão cedo…
Igualmente atormentada pela pressão social, a adorável Daphne Bridgerton sonha ainda com um casamento de amor, embora a sua espera por um príncipe encantado comece já a ser alvo de mexericos.
Juntos, os jovens decidem fugir de um noivado, o que garantirá paz e sossego a Simon e fará de Daphne a mais cobiçada jovem da temporada. Mas, entre salões de baile e passeios ao luar, a paixão entre ambos rapidamente deixa de ser ficção para se tornar bem real. E embora Daphne comece a pensar em alterar ligeiramente os seus planos inicais, Simon debate-se com um segredo que pode ser fatal”

Opinião: Julia Quinn, pseudónimo utilizado pela escritora Julie Pottinger, nasceu em Nova Inglaterra e licenciou-se em História da Arte em Harvard. Quando após terminar o curso percebeu que não sabia que profissão poderia seguir com o diploma, decidiu tirar o curso de medicina, que era realmente o seu sonho. Contudo, para o poder cumprir, precisava mais dois anos de faculdade, de modo a alcançar os pré-requisitos necessários para entrar na faculdade. Assim, enquanto não conseguia entrar na faculdade de medicina dedicou-se à escrita. Os dois romances que terminou, acabaram por ser vendidos em leilão, algo incomum para um escritor de estreia. Quando finalmente entra em Medicina na Yale School, compreende, passado alguns meses, que o que quer realmente fazer da sua vida é dedicar-se a tempo inteiro à escrita.

 “Crónica de Paixões e Caprichos” é o primeiro volume da Série Bridgertons, composta por oito volumes, lançado inicialmente em 2000 e doze anos mais tarde em Portugal.
Encontramo-nos em 1813 e Simon, Duque de Hastings, retorna a Inglaterra para receber o seu título, após se ter ausentado durante seis anos para estudar e viajar pelo mundo. Simon não deseja casar, nem tão pouco ter descendência, contudo o seu estatuto aliado à sua beleza, leva as mães casamenteiras a perseguirem-no para que conheça e corteje as suas filhas. Quando num baile conhece Daphe Bridgerton e a salva de um pretendente entusiástico, decidem encetar um plano e fingirem um noivado, que será claramente benéfico para ambos. Daphne, que acredita que os homens somente a vêem como amiga, terá certamente mais pretendentes, por estes constatarem que o Duque mais cobiçado da temporada mostrou interesse por si e Simon com o objectivo de afastar as mães com filhas com idade para casar. Contudo, a atracção que sentem um pelo outro é instantânea e os momentos que passam em conjunto levam a que o amor floresça. Simon tem um segredo que o afasta da adorável jovem que tenta a todo o custo mostrar-lhe que podem ser felizes juntos. Será o amor mais forte do que este segredo?

Após ter acompanhado opiniões deveras entusiásticas desta escritora, muito tempo antes da mesma ser editada em Portugal, levou-me a ansiar com alguma expectativa por esta obra. Quando uma amiga se ofereceu para me emprestar esta obra, não hesitei e foi com imensa curiosidade que iniciei esta leitura. Posso afirmar desde já que foi uma surpresa bastante agradável, de tal modo que conto adquirir esta saga tão especial.

Nesta obra somos apresentados a um conjunto de componentes capazes de deliciar e prender o leitor a esta história, que nos leva a ansiar pelos desenvolvimentos futuros. Nesta história somos confrontados com personagens tremendamente humanas, o que é sem dúvida uma mais-valia, pois em alguns livros deste género somos apresentados a personagens perfeitas ora fisicamente ora psicologicamente e isso não sucede neste livro, contêm falhas que os definem enquanto pessoas e que os tornam ainda mais especiais. Aliado a este facto, estamos também perante uma história recheada de amor e humor, capaz de nos arrancar sorrisos ora pelos momentos mais ternurentos, ora pelos momentos recheados de humor que nos são apresentados.

Gostei bastante de toda a família Bridgerton, desde a mãe Violet que é uma senhora que realmente adora os filhos e que está disposta a tudo para os ver felizes. Encantou-me com a sua ternura, pela vivacidade com que tratava os seus filhos, com um misto de autoridade e amor e pelos inúmeros sorrisos que me foi capaz de arrancar. Sem dúvida, uma senhora bastante especial, que perdeu o amor da sua vida, Edmund Bridgerton, ferida da qual nunca se recompôs totalmente, mas que ama os seus filhos de uma forma indescritível. Os restantes irmãos de Daphne agradaram-me igualmente, por serem uma família tão unida e amiga, especialmente Anthony e Colin. Anthony por ser algo mandão, pelo seu sentido de lealdade tão vincado e pelo seu amor incondicional à família. Colin por ser o irmão mais sensato no que se refere ao romance da irmã com o Duque de Hastings, pelo seu sorriso e ar encantador, sempre pronto a arrancar-nos uma gargalhada.

No que se refere ao casal da trama, Daphne cativou-me desde o início pela sua personalidade forte, por ser sensata, sempre com um sorriso contagiante, com uma mente aberta e algo avançada para a altura descrita. Esta é uma das personagens principais femininas que mais me disse e que mais força me transmitiu. Adorei que ela nunca tivesse receio de dizer o que sentia, de defender aquilo em que acreditava e de tentar sempre ter a última palavra. Simon é igualmente cativante, com uma infância algo triste, por ter sido rejeitado pelo pai quando ainda era criança, devido à sua gaguez, mas que aprendeu a dar a voltar a por cima, dentro do possível, e que mostrou a todos que não há impossíveis, que com força de vontade e perseverança qualquer um consegue contornar os obstáculos. Penso que é um personagem bastante interessante porque é mais de um homem bonito, é uma personagem com bastante profundidade, com um passado capaz de nos emocionar, com uma força, perseverança e inteligência que nos tocam.

No que diz respeito à misteriosa Lady Whistledown, em que no início de cada capítulo somos apresentados a citações das suas "Crónicas da Sociedade", fiquei bastante curiosa por saber mais a seu respeito e a sua identidade. Fiquei bastante agradada com a inclusão deste mistério na obra, que ainda a tornou mais inesquecível e fico curiosa com as seguintes obras de modo a desvendar este mistério.

Numa escrita muito fluída, entusiasmante e algo pessoal porque faz com que criemos uma ligação de tal modo forte com as personagens, que quase desejamos poder conhecê-las, Julia Quinn apresenta-nos um romance de época que nos delicia pela sua linda história de amor, pela profundidade da história que se propõe a contar, que é mais do que uma história de amor, mas também abordando a perda de alguém que amamos, o amor familiar, a luta por sermos melhores e por contornarmos os obstáculos, tal como a luta por sermos felizes.

Em suma, “Crónica de Paixões e Caprichos” é uma história romântica, sem ser cliché, que me entusiasmou, que me tornou fã da escritora e uma coisa é certa, o Romance de Época nunca mais será o mesmo depois de Julia Quinn.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

quarta-feira, 13 de março de 2013

Mariana


Nome: “Mariana”

Autora: Susanna Kearsley

Nº de Páginas: 352

Editora: Edições ASA

Sinopse: “Julia Becket acredita no destino. Ela tinha apenas cinco anos quando viu Greywethers pela primeira vez, mas soube de imediato que aquela era a sua casa. Vinte e cinco anos depois, tornou-se finalmente sua proprietária. Mas Julia depressa começa a suspeitar de que existe algo de poderoso e inexplicável por detrás da sua decisão radical de abandonar Londres e começar de novo numa pequena aldeia. Os novos vizinhos são calorosos e acolhedores, muito particularmente Geoff, o aristocrático proprietário de Crofton Hall, com quem sente uma ligação imediata. Mas a vida tal como ela a conhecia acabou, e outra bem diferente está prestes a começar. Uma vida que inclui Mariana, que habitou aquela mesma casa trezentos anos antes e cujo destino ficou tragicamente por cumprir. A história de Mariana vai- se revelando a pouco e pouco, apoderando-se da sua vida como um feitiço. Ao longo dos séculos que separam as duas jovens, uma promessa de amor eterno aguarda o desfecho que o destino lhe negou. Conseguirá Julia desvendar no presente os enigmas do passado? Será que Mariana esteve sempre à sua espera?”

Opinião: Susanna Kearsley nasceu numa família de leitores, o que lhe transmitiu o gosto pela leitura e mais tarde pela escrita. Nas suas obras é comum encontrarmos temas como o passado e o efeito que o mesmo tem no presente, tendo herdado do pai o gosto pela Genealogia. Desde muito cedo que começou a escrever, inicialmente somente alguns capítulos, passando na adolescência a escrever histórias mais completas. Quando a sua irmã a desafiou a deixar de escrever somente capítulos e dedicar-se a escrever uma obra, Susanna embarcou no desafio e no final daquele verão surgia o seu primeiro romance. Tornando-se o seu “hobby” numa vocação.

Foi galardoada com o Catherine Cookson Award pelo seu romance “Mariana” e com “O Segredo de Sophia” conquistou o prémio da Romantic Times para Melhor Romance Histórico, tendo-se inclusive tornado num bestseller mundial.

“Mariana”, livro que catapultou a autora para a ribalta, apresenta-nos Júlia, que desde os cinco anos, quando conheceu Greywethers, percebeu que aquela casa um dia teria de ser sua. Quando um dia, ao perder-se naquela zona, encontra casa, que se encontra à venda, percebe que finalmente encontrou a sua oportunidade para adquirir a casa com que sempre sonhou. Assim, abandona o seu emprego em Londres, apartamento e amigos e recomeça a sua vida naquela casa e aldeia desconhecidas.

Embora seja recebida de forma entusiástica por todos os seus vizinhos, existe algo estranho na casa onde habita, um passado que inclui Mariana. Quando Júlia começa a ter visões sobre um passado desconhecido, inicialmente pensa que está a enlouquecer, mas como o seu irmão mais velho lhe ressalva, não será antes Júlia a reencarnação de Mariana, que habitou aquela casa e que terá certamente um propósito não cumprido? Presa entre o seu presente e o passado de Mariana, Júlia tentará compreender a história de Mariana.

Esta foi uma autora que me foi altamente recomendada. Praticamente todas as opiniões que acompanhei sobre a escritora, tanto no que se refere a esta obra, como à primeira que foi editada em Portugal, “O Segredo de Sophia”, a consideravam como uma escritora fantástica e sendo as suas histórias inesquecíveis. O que me levou a começar esta obra pouco depois de a ter adquirido, com algumas expectativas.

Posso afirmar desde já que nos encontramos perante uma obra bastante especial, devido à combinação de inúmeras componentes que prendem o leitor e o deliciam com cada nova página e desenvolvimento. Desde a sua componente histórica, ao modo como adiciona à trama componentes do fantástico, como os fantasmas e a reencarnação, e até por todos os sentimentos subjacentes na obra.

Confesso que fiquei desde as primeiras páginas rendida ao livro, devido às descrições da autora, que praticamente me transportaram para aquela casa e aldeia. É um livro bastante gráfico visualmente, que nos apresenta mundos fantásticos, desde casas tremendamente ricas do ponto de vista histórico, até ao modo como nos são apresentados jardins, com inúmeras flores e plantas, que muitas, tenho de admitir, desconhecia, que são uma delícia para os sentidos do leitor.

Quando Júlia tem pela primeira vez uma visão do passado de Mariana, somos apanhados algo de surpresa porque a mudança é algo brusca, contudo é uma questão de tempo até nos habituarmos a estas visões e a ansiarmos para que se voltem a repetir, para que possamos novamente visitar aquela terra, no século XVII e os seus habitantes.

Mariana e Júlia são duas pessoas completamente diferentes. Viveram em épocas distintas, têm objectivos e ideais completamente opostos, contudo têm algo de muito importante em comum, o amor. A junção destes dois mundos tão diferentes foi uma viagem bastante gratificante e interessante. Por um lado era muito bom conhecer Júlia, a sua família, os seus vizinhos e amigos, que foi criando naquela aldeia e mais tarde a relação que encetou com Geoff, um aristocrático proprietário da mansão Crofton Hall. Contudo, sentíamos de igual modo uma necessidade enorme de conhecer mais a Dama de Verde, que durante tantos anos atormentou a casa de Júlia, o seu passado e a sua história de amor.

Apreciei realmente esta componente na história, dos fantasmas e da reencarnação porque é um tema bastante interessante, que todos nós já nos apanhámos a pensar em alguma altura da vida. Penso que a autora utilizou este tema na perfeição, para fazer a ponte entre o século XVII e a actualidade, que nos permitiu conhecer duas eras completamente distintas e que nos levou a conhecer uma história de amor intemporal.

Adicionando a todos estes factores, a delícia que são as descrições da autora, as componentes históricas e fantásticas da obra que se encontram conjugadas, na minha opinião, na perfeição, temos ainda uma linda história de amor, que não deixará certamente indiferente, os mais românticos.

Esta é uma história repleta de romantismo, de emoções, que nos apresenta uma história de amor intemporal. Que defende que quando se ama realmente uma pessoa, esse amor é para sempre e vence qualquer barreira, até a morte. É uma obra capaz de nos afagar o coração com cenas mais enternecedoras entre as nossas personagens e capaz de nos apertar o mesmo e levar-nos às lágrimas, quando os acontecimentos não correm de feição para as nossas personagens.

Todas as personagens tiveram a sua importância na trama e sinceramente não era capaz de destacar nenhuma em especial porque todas conseguiram criar uma ligação especial comigo, levando-me a torcer para que tudo corresse bem com as mesmas. As que nos tocam mais são claramente Júlia e Mariana, por questões óbvias, contudo todas as personagens são importantes e marcam-nos à sua maneira.

Numa escrita envolvente, repleta de emoções e romantismo, Susanna Kearsley apresenta-nos uma história de amor intemporal. A descoberta do primeiro amor, a dor de perder o mesmo e a luta incessante pela felicidade junto daqueles que amamos, são os ingredientes desta inesquecível obra.

“Mariana” é, em suma, uma verdadeira pérola e Susanna Kearsley uma autora a seguir com muita atenção. Sinto que muito mais poderia ser dito nesta opinião e que muito possivelmente não consegui fazer jus a esta incrível obra, mas como nota final gostaria de frisar que é uma obra realmente fantástica e que a recomendo sem qualquer reserva.

Frases a Reter: “O passado pode ensinar-nos, alimentar-nos, mas não nos sustém. A essência da vida é a mudança e temos de continuar a avançar senão a alma murcha e morre.”

Avaliação: 5/5 (Adorei!)