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terça-feira, 4 de março de 2014

Na Sombra da Noite


Nome: “Na Sombra da Noite”

Autora: J. R. Ward

Nº de Páginas: 428

Editora: Casa das Letras

Sinopse: “Seis guerreiros vampiros, amantes perigosos e irmãos de sangue vêm até si neste livro verdadeiramente poderoso.
Nas sombras da noite da cidade de Caldwell, em Nova Iorque, trava-se uma guerra territorial entre vampiros e seus caçadores. Ali existe um bando secreto de irmãos sem igual – seis guerreiros vampiros, defensores da sua raça. Mas nenhum deseja mais a morte dos seus inimigos que Wrath, o chefe da Irmandade da Adaga Negra.
Único vampiro de puro-sangue que resta no mundo, Wrath tem contas a ajustar com os matadores que lhe levaram os pais, séculos atrás. Mas quando um dos seus mais estimados combatentes é assassinado – deixando órfã uma filha meio-sangue desconhecedora da sua herança e do seu destino – Wrath tem de tratar do acolhimento da bela fêmea no mundo dos não-mortos.
Transformada por uma inquietude no seu corpo que não conhecia, Beth Randall não tem defesas contra o homem perigosamente excitante que vem visitá-la durante a noite, com os olhos encobertos. As suas histórias de irmandade e sangue assustam-na. Mas o seu toque acende uma fonte crescente que ameaça consumir ambos.”

Opinião: Jessica Bird é uma escritora americana de romances contemporâneos e romances paranormais, estes últimos sob o pseudónimo J. R. Ward. Vencedora de um RITA Award, Bird é licenciada em Direito e teve o seu primeiro emprego na área da saúde, em Boston, onde foi durante algum tempo chefe de equipa de um dos centros clínicos do país. Apaixonada pela escrita, a autora admite que um dia perfeito consiste em ter o seu computador, o seu cão e uma caneca de café.

“Na Sombra da Noite”, volume inicial da saga da “Irmandade da Adaga Negra”, que já conta com 12 volumes, foi inicialmente editado em 2005 e contou com a tradução na língua de Camões em 2009. Neste volume encontramo-nos em Nova Iorque, onde somos apresentados a seis guerreiros vampiros, que têm como intuito salvaguardar a sua raça, que se encontra a ser colocada em causa pelos seus caçadores. Wrath, chefe da Irmandade, o último vampiro de sangue-puro, tem contas a ajustar com os caçadores que assassinaram toda a sua família quando ainda era jovem. Quando um dos seus mais fiéis combatentes é assassinado, Wrath terá de acolher a filha do mesmo, Beth, iniciá-la no mundo dos vampiros, que desconhece, e acompanhá-la na sua transformação.

Confesso que há muito que esta saga me suscitava interesse, pelas opiniões fantásticas que acompanhei sobre a mesma e por a temática dos vampiros me cativar desde que comecei a ler por prazer. Com isto em mente, iniciei esta obra com alguma curiosidade e expectativa e, de um modo geral, apreciei a obra.

Neste volume é-nos apresentada uma visão diferente do mundo vampírico, no que se refere à sua concepção, alimentação e sociedade, tendo sido interessante constatar os poderes e limitações de cada um dos irmãos que fazem parte da Irmandade da Adaga Negra. Esta obra promete ser o início de uma saga bastante cativante, abordando, de uma forma bastante bem conseguida, o romance paranormal.

No que se refere ao casal da trama, Beth é uma rapariga órfã, que viveu com algumas famílias de acolhimento, o que a moldou e levou a que se tornasse segura de si, sem receios de defender os seus ideais e de lutar pelo que considera ser o mais acertado e os que ama. Wrath, por sua vez, é considerado o Rei dos Vampiros, o detentor do sangue mais puro, e sofreu uma grande transformação quando se tornou em vampiro. Apesar da sua força aparente, tem algumas fragilidades escondidas, especialmente no que se refere ao seu passado antes da transformação e Beth irá ajudá-lo a ultrapassar, de certa forma, essas questões e a encarar que existem aspectos que vão para além da vossa vontade e que não podemos fazer nada para as mudar. Considerei que a relação entre ambos se desenrolou de uma forma um pouco abrupta e, por vezes, um pouco estranha, pois passavam de um extremo de não gostarem um do outro, para poucos parágrafos depois estarem envolvidos, contudo apreciei-os enquanto personagens e enquanto casal pareciam completar-se.

No que diz respeito às restantes personagens, gostei de todos os irmãos e fiquei especialmente curiosa com o Z, porque transparece aos outros uma certa desumanidade, mas o leitor fica com a ideia que existe uma razão para tanta animosidade e que por detrás da mesma, Z simplesmente precisa que alguém lhe mostre que não é por causa das suas limitações que ninguém o irá apreciar. Butch, um polícia amigo de Beth, foi outra personagem que me deixou deveras curiosa, devido ao seu envolvimento com a Irmandade e aguardo com alguma expectativa futuros desenvolvimentos.

Numa escrita fluída, sem dar azos a grandes descrições, J. R. Ward apresenta-nos, deste modo, uma história do mundo vampírico original, com personagens humanas, com defeitos e qualidades características, mas que precisa, na minha opinião, de gerir melhor os casais da trama, de modo a que as suas relações não nos pareçam tão abruptas. Aguardo com alguma curiosidade o seguinte volume da saga, “Na Sombra do Dragão”.


Avaliação: 3/5 (Gostei!)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tu És o Meu Coração


Nome: “Tu És o Meu Coração”

Autor: Alan Lazar

Nº de Páginas: 324

Editor: Casa das Letras

Sinopse: “O maior receio do dono de um cão, de certa forma ainda pior do que o da morte de um animal de estimação querido, é que ele se perca, que desapareça durante dias, depois semanas, talvez para sempre. Tu És o Meu Coração é a história de Nelson, um cão que se deixa levar pela sua curiosidade e se perde, separando-se assim da sua dona.
Esta comovente história segue Nelson na sua caminhada de oito anos longe de casa até ao dia em que, milagrosamente, se reúne com a sua família. Durante esta jornada, Nelson conserva o espírito otimista e o desejo de reencontrar o seu Grande Amor, a sua primeira dona, uma pianista de nome Katey. Nelson nunca deixa de suspirar por ela e, por sua vez, Katey nunca deixa de o procurar.
O talentoso retrato que Alan Lazar faz das capacidades e da vida emocional de Nelson enaltece os extraordinários poderes mágicos dos cães, mostrando o quanto este pequeno rafeiro desengonçado, com um coração corajoso, nos pode ensinar, a nós, humanos. Esta história enternecedora sobre a família, a condição humana e a saudade, vai tocar bem fundo no coração de cada leitor e recordar o poder cicatrizante da sobrevivência e do amor persistente.”

Opinião: Alan Lazar nasceu na África do Sul e além de escritor foi teclista, produtor dos Mango Groove, a banda que actuou na tomada de posse de Nelson Mandela. Compôs a canção “African Dream”, que foi eleita Canção da Década, e a banda sonoroa de mais de trinta filmes e espectáculos televisivos, podendo ser mencionados “O Sexo e a Cidade” e “Um Crime Americano”. Presentemente Lazar é director da Lalela Music e escreveu o seu romance de estreia “Tu És o Meu Coração” em 2007, tendo sido traduzido em português quatro anos depois.

Nelson é um pequeno cãozinho que nasceu de uma junção de duas raças, o que dificultou que o mesmo encontrasse uma família que o acolhesse, até que um casal recém-casado aparece na loja de animais e o decide adquirir. Um dia, Nelson devido à sua curiosidade inesgotável aproveita que o portão da sua casa se encontrava mal fechado e acaba por se perder. Irá Nelson conseguir reencontrar os seus donos? Como irá conseguir sobreviver na rua?

Nesta obra acompanhamos a história de Nelson, que é um cãozinho amigável, traquina, portador de uma força sem precedentes. Ao longo desta obra observamos a sua angústia inicial antes de encontrar uma família que o acolha, à tristeza que sente devido a problemas que surgirão na sua nova família e o relato de todas as provações que passará depois de se perder.

Alan Lazar nesta obra demonstra um conhecimento profundo dos animais, sendo capaz de criar uma obra que, apesar de ser narrada por o pequeno Nelson, se centra em acontecimentos que poderiam ter efectivamente acontecido. Como apaixonada que sou por animais, especialmente por cães, embarco neste tipo de obras sempre à espera de ficar com o coração cheio de ternura por estes animais e este livro não é excepção, demonstra que o cão é realmente o melhor amigo do homem e quão fortes e perspicazes conseguem ser, mas é também um livro capaz de nos apertar o coração, por todas as provações que Nelson atravessa e que são a realidade de tantos cães abandonados ou perdidos. 

Também na obra é tremendamente visível a dor da perda de Nelson. Este pequeno cãozinho perde a sua grande amiga, contudo também a sua dona perde uma parte de si. Como é defendido na sinopse, para quem tem amigos de quatro patas o maior receio, além da sua morte, centra-se na sua perda, que os mesmos por qualquer razão desapareçam. A tristeza de não se saber onde se encontram, se estarão bem, se estão a conseguir aquecer-se, alimentar-se e a impotência de não os conseguirmos encontrar, é relatada pelo autor de uma forma bastante bem conseguida.

Outro aspecto que apreciei na obra centrou-se em focar outros temas, além da relação que se cria com os animais e a sua perda, pois é também uma história polvilhada de amor, traição, perda de alguém que se ama, que foca bastante a necessidade de reconstrução da vida, da procura do melhor caminho que nos leve a um local que possamos chamar de casa, que tornaram a obra ainda mais enriquecedora e tocante.

Numa escrita que nos toca directamente no coração, Alan Lazar demonstra em “Tu és o Meu Coração” a relação que se estabelece com um animal de estimação, a lealdade e o amor incondicionais, abordando igualmente a dor da perda do mesmo e a tentativa de encontrar o caminho certo nas nossas vidas.


Avaliação: 3.5/5 (Gostei!)

domingo, 6 de maio de 2012

Marley & Eu: A vida e o amor do pior cão do mundo



Nome: "Marley & Eu: A vida e o amor do pior cão do mundo"

Autor: John Grogan

Nº de Páginas: 360

Editora: Casa das Letras


Sinopse: A história enternecedora e inesquecível de uma família e do seu cão malcomportado que ensina o que realmente importa na vida. 
Chamavam-se John e Jenny, eram jovens, apaixonados e estavam a começar a sua vida juntos, sem grandes preocupações, até ao momento em que levaram para casa Marley, "um bola de pêlo amarelo em forma de cachorro", que, rapidamente, se transformou num labrador enorme e encorpado de 43 quilos. Era um cão como não havia outro nas redondezas: arrombava portas, esgadanhava paredes, babava-se todo por cima das visitas, roubava roupa interior feminina e abocanhava tudo a que pudesse deitar o dente. De nada lhe valeram os tranquilizantes receitados pelo veterinário, nem, tão pouco, a "escola de boas maneiras", de onde, aliás, foi expulso. 
Só que Marley tinha um coração puro e a sua lealdade era incondicional. Partilhou a alegria da primeira gravidez do casal e o seu desgosto com a morte prematura do feto, esteve sempre presente no nascimento dos bebés ou quando os gritos de uma vítima de esfaqueamento ecoaram pela noite dentro. Conseguiu ainda a "proeza" de encerrar uma praia pública e arranjou um papel numa longa-metragem, através do qual se fartou de "conquistar" corações humanos. 
A família Grogan aprendeu, na prática, que o amor se manifesta de muitas maneiras... e feitios.”

Opinião: “Marley & Eu: A vida e o amor do pior cão do mundo” de John Grogan, vencedor do Quill Book Awards na categoria de Biografia, era um livro que aguardava ler com alguma expectativa. Como adoradora de animais que sou, especialmente no que diz respeito aos nossos amigos cães, tinha bastante curiosidade e vontade de me embrenhar nas suas páginas.

John e Jenny são casados há algum tempo e desejam vir a ter filhos, mas receiam ainda não estar preparados para tomar tal decisão. Como nos ressalva John, Jenny que matou todas as flores que lhe ofereceu e o peixe que ambos tiveram, pode não se encontrar preparada para ter filhos, tal como ele teme pensar nisso. Com isto em mente, decidem ter um cão, para aperfeiçoaram o seu lado mais fraternal, mas sobretudo porque ambos cresceram na companhia de animais e sabem o quão especial é fazer tal jornada na companhia de um amigo de quatro patas.

Não sabendo que cão eleger, acabam por optar por um pequeno labrador americano amarelo, cheio de vivacidade e alegria, a quem dão o nome de Marley, que demonstra com o tempo ser desobediente, ladrão, destrutivo e irrequieto. Contudo, Marley é mais que isso e para além do seu lado brincalhão, encontra-se o melhor amigo que o casal algum dia poderia idealizar.

Gostei mesmo muito da obra. Embora soubesse em parte o que esperar da mesma, por ter visto um pouco do filme, foi um livro que li com um prazer enorme. Uma obra leve, engraçada e emotiva, na medida certa, que nos faz adorar a obra do princípio ao fim.

Sendo John Grogan um jornalista ler a sua obra foi muito interessante porque sentimos o seu lado objectivo e sintético, aliado a toda a emoção que sentiu pelo seu pequeno amigo. Não existe qualquer saturação, nem clima pesado, sendo uma narrativa contada como se se tratasse de um conjunto de histórias, com uma caracterização e escrita muito interessantes. Penso que tanto as cenas mais engraçadas, como as mais emotivas se encontram bem estruturadas e envolventes, fazendo-nos ficar colados à história, a cada virar de página.

Por fim, gostaria de salientar a mensagem do livro. Acredito que quem já teve ou tem um cão sabe o quão enriquecedor e bom é chegar depois de um dia e ser saudado por ele, o seu carinho, dedicação e amor. Apesar de tudo, de todas as peripécias, no fim o que perdura é realmente as brincadeiras, as traquinices, mas acima de tudo o amor incondicional.

Em suma, “Marley & Eu” foi um livro que gostei muito, que me fez rir e chorar e que me colocou a pensar em como a vida é mais especial e marcante quando partilhada com um amigo de quatro de patas.

Citações a reter: “Marley ensinou-me a viver cada dia com uma exuberância e alegria ilimitadas, a aproveitar o momento e a seguir o coração. (…) ensinou-me a ser optimista em face das diversidades. Essencialmente, ensinou-me a importância da amizade e da abnegação e, acima de tudo, da lealdade absoluta.” (p.340)

“Na solidão da noite, quase conseguia sentir a finitude da vida e como ela era preciosa. Nós damo-la como garantida, mas ela é frágil, precária, incerta, susceptível de acabar a qualquer momento sem aviso. Lembrei-me daquilo que devia ser evidência mas nem sempre é: que vale a pena saborear cada dia, cada hora e cada minuto das nossas vidas.” (p.316)

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)