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sexta-feira, 8 de maio de 2015

"Maze Runner: Correr ou Morrer" de James Dashner [Opinião]


Nome: “Maze Runner: Correr ou Morrer”

Autor: James Dashner

Nº de Páginas: 400

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Quando desperta, não sabe onde se encontra. Sons metálicos, a trepidação, um frio intenso. Sabe que o seu nome é Thomas, mas é tudo. Quando a caixa onde está para bruscamente e uma luz surge do teto que se abre, Thomas percebe que está num elevador e chegou a uma superfície desconhecida. Caras e vozes de rapazes, jovens adolescentes como ele, rodeiam-no, falando entre si. Puxam-no para fora e dão-lhe as boas vindas à Clareira. Mas no fim do seu primeiro dia naquele lugar, acontece algo inesperado - a chegada da primeira e única rapariga, Teresa. E ela traz uma mensagem que mudará todas as regras do jogo.”

Opinião: James Dashner nasceu na Georgia, em 1972, e tirou um mestrado em Contabilidade na Universidade de Brigham Young, em Utah. Trabalhou durante algum tempo no ramo das finanças, contudo acabou por decidir dedicar-se em exclusivo à escrita. A sua primeira obra literária foi editada inicialmente em 2003, com o título “A Door in the Woods”.

“Maze Runner: Correr ou Morrer”, publicado inicialmente em 2009 e traduzido para Português três anos depois, é o primeiro livro de uma saga, que nos apresenta Thomas, que acorda num sítio completamente desconhecido, não se lembrando de nada, sem ser do seu primeiro nome. Neste local encontram-se outros jovens como ele, do sexo masculino, muitos deles que se encontram há anos naquele local, sem nunca terem conseguido perceber porque ali estavam ou como escapar dali. No dia seguinte à chegada de Thomas, uma jovem aparece, Teresa, a primeira e única rapariga e, depois da sua chegada, tudo mudará.

Confesso que adquiri esta obra com um certo receio, pois as opiniões relativamente à mesma são díspares, muitos adoram, contudo também existem muitas pessoas que a consideram mediana, pelo que foi com uma certa dualidade de sentimentos que a comprei e comecei a ler. O ponto que me chamou desde logo à atenção foi a trama, na idealização da mesma e do mundo criado pelo autor, que me conseguiu cativar e que considerei bastante original. Desde o facto de os jovens se encontrarem numa espécie de labirinto, que se encontra aberto de dia e fechado à noite; desde as criaturas que habitam no labirinto, mas que só se movimentam dentro do mesmo à noite. Todos esses aspectos cativaram-me e deixaram-me intrigada para saber porque sucedia tal coisa e quem estava por detrás do labirinto. Outro aspecto em que o autor consegue ser mestre, centra-se na transmissão de claustrofobia e de medo que aqueles jovens sentem naquele local, sendo, sem dúvida, um dos aspectos mais positivos da obra.

Relativamente à escrita, senti sinceramente que faltou um pouco de fluidez na narrativa. Considero que o autor precisava de contrabalançar melhor os momentos de suspense, de acção e mais parados, pois existiram vários momentos em que a narrativa se arrastou, o que tornou a leitura mais lenta, e momentos de muita adrenalina, em que parecia acontecer tudo de uma vez.

No que concerne às personagens, não foi difícil para mim sentir uma ligação com as mesmas, contudo penso que o autor embelezou muito o Thomas. Ou seja, o autor deu a entender que somente o Thomas é que fazia perguntas sobre o local, sobre tentar encontrar uma solução para saírem dali, por ser mais proactivo e interessado. E tal facto podia ser justificado por ser o rapaz que chegou há menos tempo ao labirinto, contudo parece unânime que todos os jovens queriam que o Thomas não fizesse perguntas e tal facto pareceu-me um pouco forçado.

Numa narrativa repleta de adrenalina e suspense, James Dashner apresenta-nos, deste modo, uma história original e interessante, que nos deixa curiosa com os futuros desenvolvimentos e por saber se aqueles jovens conseguirão sair do pesadelo em que se encontram. Sendo, sem dúvida, uma distopia cativante, que se o autor conseguir contrabalançar melhor a narrativa e os personagens, tem tudo para ser muito boa.


Avaliação: 3/5 (Gostei!) 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

"Entre o Agora e o Nunca" de J. A. Redmerski [Opinião]


Nome: “Entre o Agora e o Nunca”

Autora: J. A. Redmerski

Nº de Páginas: 464

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Camryn Bennett decide, com a impetuosidade dos seus 20 anos, abandonar um quotidiano previsível e aventurar-se numa viagem sem destino em busca de si própria. Entra num autocarro de longo curso e deixa-se ir ao sabor do momento. É então que conhece a pessoa que irá mudar para sempre a sua vida - Andrew Parish, um jovem que vive a vida intensamente. O espírito livre e aventuroso de Andrew exerce sobre Camryn um poderoso fascínio e, pouco a pouco, vai quebrando as suas defesas, libertando-a das convenções que a impedem de viver plenamente o presente e expondo os seus desejos mais secretos. Sensual e inspirador, este romance fala-nos do amor, da paixão, do erotismo... e da coragem de vivermos até ao limite sem nos trairmos a nós próprios.”

Opinião: J. A. Redmerski é uma escritora bestseller do New York Times, do USA Today e do Wall Street Journal. Com as suas obras traduzidas em 20 línguas, publicou “Entre o Agora e o Nunca” inicialmente em 2012, que dá início a uma duologia, e rapidamente se tornou um sucesso.

Camyrin Bennett, é uma jovem de 20 anos, que após uma sucessão de acontecimentos, a perda do seu primeiro namorado, o divórcio dos pais, o facto do irmão estar preso e como culminador um desentendimento com a sua melhor amiga,  decide abandonar tudo e colocar-se à estrada, sem saber muito bem o seu destino ou o que fazer. Durante a viagem de autocarro conhece Andrew Parish, um jovem de 25 anos, que se encontra a viajar para encontrar um familiar e é nesse momento que a vida de ambos muda para sempre.

“Entre o Agora e o Nunca” é um livro que se lê de um fôlego, portador de uma profundidade incrível. Daquele género de livros que, embora se passando num curto espaço de tempo, é tão intenso e avassalador que parece que passaram meses quando na verdade somente passaram algumas semanas.

Outro aspecto que me cativou nesta obra foi a forma como observamos o amor surgir entre as personagens, de forma tão inesperada e casual, que sentimos que poderia ter realmente acontecido. Embora sendo portador de algumas cenas eróticas torna-se diferente de alguns que circulam no mercado, por conter realmente uma história, personagens reais e carismáticas que nos cativam e nos fazem ansiar por futuros desenvolvimentos.

No que se refere às personagens, apreciei realmente ambos os protagonistas, pelas suas personalidades, pelo seu passado e por toda a história que criam em conjunto, que nos prende e derrete o coração.

Numa escrita fluída e carismática, J. A. Redmerski apresenta-nos uma obra que aborda vários temas, desde como se deve viver intensamente cada momento, sobre o amor e o respeito mútuo, tal como da necessidade de sermos nós próprios. É defendido igualmente na obra que muitas vezes vivemos na sombra do que os outros esperam de nós, do que querem para nós, por exemplo é comum os pais quererem que os filhos alcancem aquilo que não conseguiram ter, contudo no tempo em que tentamos agradar os outros, muitas vezes esquecemo-nos de sermos nós próprios, de lutarmos por aquilo que queremos, nos realiza e faz felizes. Abordando, por fim, a perda de alguém que se ama, a traição e todos os passos necessários para a superação da dor, para aprendermos a amar e a confiar de novo.

Em suma, “Entre o Agora e Nunca” é não só uma história amorosa, como também uma história sobre nos descobrirmos a nós próprios, à felicidade e sobre recomeços. Sem dúvida, que gostei bastante e ficarei ansiosamente à espera de ler a sequela desta obra, "Entre o Agora e o Sempre".


Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

P. S. Eu Amo-te [Opinião]

Nome: “P. S. Eu Amo-te”

Autora: Cecelia Ahern

Nº de Páginas: 380

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Quase todas as noites Holly e Gerry tinham a mesma discussão – qual dos dois se ia levantar da cama e voltar tacteando pateticamente o caminho de regresso ao apetecível leito? Comprar um candeeiro de mesa-de-cabeceira parecia não fazer parte dos planos, e assim o episódio da luz repetia-se a cada noite, num rito conjugal de pendor cómico a que nenhum desejava pôr termo. Agora, ao recordar esses momentos de pura felicidade, Holly sentia-se perdida sem Gerry. Simplesmente não sabia viver sem ele. Mas ele sabia-o, conhecia-a demasiado bem para a deixar no mundo sozinha e sem rumo. Por isso, imaginou uma forma de perpetuar ainda por algum tempo a sua presença junto da mulher, incentivando-a a viver de novo. Mas como se sobrevive à perda de um grande amor? Holly ter-nos-ia respondido: não se sobrevive! Mas Holly sobreviveu!”

Opinião: Cecelia Ahern nasceu a 30 de Setembro de 1981, em Dublin, Irlanda. Formada em jornalismo e multimédia pelo Griffith College Dublin, publicou em 2004, quando tinha 21 anos, o seu primeiro volume, “P. S. Eu Amo-te”, que se tornou o bestseller mais vendido na Irlanda, por 19 semanas consecutivas, no Reino Unido, EUA, Alemanha e Holanda.

Em “P.S. Eu Amo-te” Holly vê a sua vida ficar devastada quando perde o amor da sua vida, contudo algo a faz voltar à realidade e ansiar pelo futuro, um envelope do seu marido, Gerry, contendo vários envelopes no seu interior, que deverá abrir no princípio de cada mês. É graças a esta correspondência e aos seus amigos, que Holly começa a sair do seu entorpecimento e a voltar a ter vontade de viver.

Numa narrativa emotiva, que nos faz pensar sobre a possibilidade de perdermos alguém que amamos, a necessidade de refazermos a nossa vida e as formas de o alcançar, a escritora apresenta-nos uma história repleta de amor, amizade e humor, que foram, para mim os aspectos mais positivos da obra. Todavia, penso que tem alguns aspectos negativos, primeiramente penso que necessitava de um melhor aprofundamento das personagens, pois tenho de confessar que não me senti verdadeiramente ligada a elas, nem à história. A única personagem que me fez sentir pena e carinho foi Gerry, pois sentia-se que efectivamente amava a mulher, que queria o melhor para ela e que, quando partisse, não a queria deixar inteiramente sozinha, contudo considerei as outras muito superficiais e até ingénuas. Outro aspecto que não me fez apreciar plenamente a obra centrou-se no facto de a obra ser muito cliché, tanto em termos de acontecimentos, como de diálogos e personagens.

Em suma, “P.S. Eu Amo-te” foi uma obra que não me preencheu as medidas, tendo sido uma obra de simples leitura, que me permitiu passar alguns momentos na sua companhia, mas que necessitava de um melhor desenvolvimento da história e das personagens. Penso que nesta obra se percebe muito que era o primeiro livro da escritora, mas conto ler outras obras suas no futuro, até porque já li outra obra da autora, “Para Sempre, Talvez”, e apreciei a mesma.


Avaliação: 2/5 (Está Ok!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Antes de Vos Deixar


Nome: “Antes de Vos Deixar”

Autora: Lauren Oliver

Nº de Páginas: 376

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Samantha Kingston tem tudo: o namorado com quem sonhava, três melhores amigas formidáveis e os privilégios que a sua popularidade lhe pode oferecer. Sexta-feira, 12 de Fevereiro, devia ter sido um dia igual a tantos outros. Nada faria suspeitar que iria ser o último… Mas então é-lhe concedida outra oportunidade. Durante uma semana, Samantha vai reviver o último dia da sua vida, tentando perceber os mistérios que envolvem a sua morte e descobrindo o valor de tudo o que está prestes a perder.”
                    
Opinião: Lauren Oliver formou-se na Universidade de Chicago e tirou um Mestrado em Artes Plásticas na Universidade de Nova Iorque. A escritora, que foi em tempos assistente editorial numa grande editora em Nova Iorque, dedica-se actualmente exclusivamente à escrita e novos projectos editoriais. “Antes de Vos Deixar” é o seu romance de estreia, que foi editado inicialmente em 2010 e traduzido pela Editorial Presença no ano seguinte.

Samantha é uma rapariga normal, popular, com um namorado e três melhores amigas que adora, contudo num dia, que tinha tudo para ser igual aos restantes, um dos que mais aguardava todos os anos, acaba por se tornar no seu pior pesado, pois será o seu último dia de vida. Contudo, ser-lhe-á fornecida uma oportunidade e durante uma semana, Sam irá reviver o seu último dia de vida. Será ela capaz de solucionar os erros cometidos e em consequência salvar a sua vida e quem sabe a de outras pessoas?

Tenho de confessar que esta obra nunca me tinha chamado a atenção, conhecia-a quase por acaso, todavia quando a adicionei à minha lista de livros por ler constatei que era uma obra com opiniões fantásticas, pelo que foi com alguma curiosidade que iniciei esta leitura e posso admitir, desde já, que não foram de forma alguma defraudadas as minhas expectativas.

Nesta obra somos presentes a diversos temas, desde o bullying, o impacto que determinados comportamentos têm sobre a pessoa que o sofre e as consequências de actos impensados; à efemeridade da vida, defendendo que se deve aproveitar cada momento como se fosse o último, que nunca devemos deixar de dizer que gostamos das pessoas e de expor os nossos reais sentimentos, pois nunca sabemos o dia de amanhã e não podemos partir do pressuposto que as pessoas sabem que gostamos delas. Defendendo igualmente que devemos sempre estimar o próximo, da mesma forma, com o mesmo respeito que gostamos de ser tratados e que a felicidade, por vezes, se encontra próxima de nós, nas pequenas coisas e em pessoas que por qualquer razão não reparamos realmente nelas, nem as sabemos apreciar verdadeiramente, embora elas estejam sempre do nosso lado. Na obra encontra-se igualmente a mensagem que nunca é tarde para se admitir um erro e para o tentar remediar, que devemos sempre medir os nossos actos e palavras, pois, por vezes, eles têm maior impacto sobre as pessoas do que pensamos quando os realizamos ou proferimos. Acrescentando que cada acto, opção e escolha definem o que somos e o nosso futuro.

Relativamente às personagens, gostei da Samantha, do modo como tenta gerir o que lhe acontece, como tenta remediar os seus erros, tentando conhecer e tocar todos os que acabou, ainda que por vezes inconscientemente, por fazer algum mal. À forma como a observamos a aprender a amar, a admitir os erros, a dar valor ao que a rodeia e a sentir com uma intensidade nunca antes sentida. Gostei igualmente de Kent, conhecido de longa data de Sam, que mostrou ser um rapaz adorável, sempre pronto a ajudar, carinhoso e atencioso, apesar de nem sempre ter a retribuição de todo o carinho que confere às pessoas. Quanto às melhores amigas de Sam, embora todos os seus erros, que as tornaram mais reais e humanas, mas que ao mesmo tempo nos mostraram, em alguns momentos, um lado negativo das mesmas, não consegui no final da obra odiá-las.

Quanto a aspectos negativos, tenho de referir que em certos momentos a narrativa se encontra demasiado parada, onde não ocorrem acontecimentos verdadeiramente importantes, existindo algumas repetições, que causam alguma saturação no leitor, embora sejam compreensíveis, tendo em conta o desenvolvimento da trama.

Numa escrita fluída e enternecedora, Lauren Oliver consegue tocar-nos directamente no coração, ora arrancando-nos sorrisos ora deixando-nos tristes e revoltados com os acontecimentos, numa narrativa real e tremendamente tocante, onde a linha entre a inocência e as trevas é muito ténue.

Em suma, “Antes de Vos Deixar” é uma história sobre recomeços, sobre agir acertadamente e remediar os nossos erros, pois um simples gesto ou palavra fazem a diferença.


Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Rumores


Nome: “Rumores”

Autora: Ana Godbersen

Nº de Páginas: 288

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “A trilogia «Princesas de Nova Iorque» prossegue com Rumores, o segundo volume que promete, à semelhança do primeiro, muito glamour, rebeldia, mentiras, segredos e escândalos. Ambientado dois meses mais tarde do que em Rebeldes, Nova Iorque de 1899 é o mesmo palco de fundo para a intriga. Nos meses cada vez mais frios do final do ano, a cidade ainda chora a perda da sua «princesa» favorita, Elizabeth Holland. Mas as atenções também se voltam rapidamente para quem irá ocupar o seu lugar no coração de todos. Diana, a irmã de Elizabeth irá confrontar-se com a ambiciosa e pouco escrupulosa Penélope na conquista de Henry Schoonmaker, o solteiro mais cobiçado da cidade. À medida que a linha entre amizade e rivalidade continua a revelar-se cada vez mais ténue para as duas raparigas, Nova Iorque prepara-se para assistir a nova torrente de escândalos envolvendo a nata da sua sociedade. Especialmente quando certos rumores do passado ameaçam comprometer o futuro de todos os envolvidos…”

Opinião: Anna Godbersen é uma escritora americana, que viu em 2007 a sua obra de estreia, "Rebeldes", ser editada, dando início à série “The Luxe”. O segundo volume desta quadrologia, “Rumores,” foi lançado inicialmente em 2008 e um ano depois na língua de Camões.

Destinada a um público mais jovem, esta obra embrenha-nos novamente na sociedade do final do Século XIX em Nova Iorque, onde nos são apresentadas quatro jovens muito diferentes entre si, uma jovem rebelde, que tenta a todo o custo destacar-se pela diferença e sem receio de lutar por aquilo em que acredita; uma criada repleta de ambição e de vontade de igualar as jovens com mais posses, tentando a todo o custo mostrar que com um pouco de dinheiro também ela se poderá tornar uma senhora; uma jovem encarada pela sociedade como um exemplo de virtude e amabilidade e, por último, uma jovem ambiciosa, que não vê a meios para atingir fins.

Iniciei esta leitura sem conter grandes expectativas, por um lado por não ter ficado absolutamente rendida ao anterior volume desta saga, apesar de ter apreciado a leitura, e, por outro, porque me tinham dado alguns spoilers da obra, o que me suscitou algum interesse, mas ao mesmo tempo comprometeu um pouco a leitura, pois já sabia o que se iria passar futuramente. Contudo, apesar de saber alguns dos desenvolvimentos e de estar constantemente à espera que algo se passasse, a verdade é que a obra não deixou de me surpreender. Neste volume constatamos as consequências das escolhas tomadas no anterior volume, observamos os jogos de poder, onde cada uma destas personagens tenta alcançar aquilo que deseja, umas por dinheiro, outras por amor. Numa sociedade onde a aparência é tudo e onde é essencial salvaguardar a inocência e a amabilidade para evitar escândalos, este volume encontra-se repleto de intrigas, amor, mentiras e escândalos abafados.

No que se refere às personagens, no anterior volume havia defendido que não apreciava sobremaneira a personagem Elizabeth, porém neste volume cativou-me pela forma como aprendeu a viver de uma forma diferente à que estava habituada, pelo amor que nutria pelos que mais lhe diziam, pela sua simplicidade e força. Quanto a Diana continuo a gostar da sua forma de ser, livre e descontraída, contudo penso igualmente que é uma personagem algo impulsiva e que deveria pensar mais vezes nas consequências dos seus actos antes de agir, pois actos irreflectidos poderão trazer-lhe futuramente alguns dissabores. No que se refere a Penelope Hayes é daquele género de personagens de quem rapidamente sentimos animosidade, pela sua falsidade, pela forma como não vê a meios para atingir fins, não se importando de alcançar os seus objectivos à custa do sofrimento dos outros envolvidos. Quanto a Linda Broud encontra-se a tentar entrar na sociedade aos poucos e tenta igualmente vários estratagemas para o conseguir. Pessoalmente penso que é um jogo muito perigoso aquele que ela enceta e algo me diz que tem uma grande probabilidade de vir a correr mal.

Numa escrita acessível e fluída, Anna transporta-nos para os salões de baile, para os jantares, repletos de glamour, onde as aparências são a base de tudo, mostrando-nos que a vida é feita de momentos e que devemos aproveitar cada dia como se fosse o último, pois não sabemos o que se passará de seguida; que o amor nem sempre é suficiente para que uma relação vingue, pois a vida é um aglomerado de acontecimentos e que nem tudo o que parece ser à primeira vista o é efectivamente.

Em suma, “Rumores” foi um livro agradável, repleto de intriga, glamour, mentiras, com uma pitada de amor, sendo capaz de surpreender o leitor por diversas vezes. Acredito que se não me tivesse sido contado alguns dos desenvolvimentos da obra, teria apreciado mais a sua leitura e que teria deixado uma marca mais duradoura em mim, pois penso sinceramente que este volume se encontra melhor do que anterior, mais não seja por as personagens nos tocarem na sua generalidade, ao contrário do que aconteceu em “Rebeldes”.


Avaliação: 3/5 (Gostei!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Harry Potter e o Cálice de Fogo


Nome: “Harry Potter e o Cálice de Fogo”

Autora: J. K. Rowling

Nº de Páginas: 591

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Harry Potter nem quer acreditar na sua sorte! Afinal não vai ter de aturar os Dursleys até ao início do seu quarto ano em Hogwarts. Graças à taça Mundial de Quidditch vai passar os últimos quinze dias de férias na companhia dos Weasleys e do seu amigo Ron. Mas a verdade é que nem tudo vai correr pelo melhor para o nosso herói. Quando Harry começa a sentir a sua cicatriz a doer terrivelmente, sabe que Lord Voldemort está de novo a rondá-lo e a ganhar poder. A marca da morte, que apareceu no céu, não pode significar outra coisa... Entretanto, este é um ano muito especial para Hogwarts, pois é lá que se irá realizar o célebre Torneio dos Três Feiticeiros, no qual Harry vai desempenhar um papel decisivo e que quase lhe irá custar a vida!! Pela segunda vez, Potter vê-se frente a frente com Voldemort, e ele sabe que o maior desejo do poderoso senhor das trevas é vê-lo morto...
Outro livro maravilhoso!”

Opinião: J. K. Rowling é uma conceituada escritora, que se tornou famosa com a Saga Harry Potter. Segundo notícias recentes, Rowling irá estrear-se futuramente como argumentista numa nova série de filmes inspirados num dos livros escolares usados pelos alunos de Hogwarts, “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los”, editado inicialmente em 2001.

“Harry Potter e o Cálice de Fogo”, quarto volume da saga Harry Potter, editado inicialmente em 2000, contou com mais de 55 milhões de cópias vendidas por todo o mundo. Neste volume Harry Potter encontra-se de férias em casa dos Dursleys quando recebe a fantástica notícia de que irá passar os últimos quinze dias de férias com os Weasleys, uma vez que irá assistir com os mesmos à Taça Mundial de Quidditch. Contudo, nem tudo irá correr bem durante estes últimos dias, pois a cicatriz que tem na testa irá doer-lhe bastante e durante o jogo aparece a marca da morte, o que só poderá significar que Lord Voldemort se encontra próximo e cada vez mais poderoso. Entretanto quando retomam a Hogwarts, Harry e os seus companheiros terão uma surpresa, pois o conceituado Torneiro dos Três Feiticeiros irá novamente ser realizado, após ter sido abolido durante alguns anos, e no qual Harry irá desempenhar um papel crucial, que poderá colocar a sua vida em jogo.

Um dos aspectos que se denota desde a primeira página deste volume centra-se no amadurecimento claro da escrita, comparativamente com as anteriores obras. Este facto vem fortalecer a ideia que havia defendido nas anteriores opiniões da saga, que uma das mais importantes características desta fantástica escritora, se centra na forma como molda a sua escrita consoante a faixa etária a que as suas obras se destinam. Neste volume Harry já conta com 14 anos e tal como o mesmo amadurece enquanto pessoa e feiticeiro, também a narrativa sofre alterações, tornando-se mais madura, dando azos a mais descrições que nos deliciam, ou não fosse o mundo de Harry Potter uma autêntica caixinha de surpresas.

Este volume surpreendeu-me de uma forma que, tenho de confessar, não esperava. Como nunca tinha tido a possibilidade de ver a adaptação cinematográfica deste volume, não sabia como se iriam processar os acontecimentos e, por esse mesmo motivo, deliciou-me completamente os sentidos, desde o Jogo da Taça Mundial de Quidditch, ao Torneiro dos Três Feiticeiros. Fui completamente arrebatada com as descrições do ambiente, dos novos seres que nos foram apresentados, tal como de objectos mágicos, fascinando-me com a sua originalidade e pelas emoções fortes que todos os acontecimentos me transmitiram.

Apreciei igualmente saber da existência de outras escolas de magia, sobre as particularidades da escola e dos seus alunos, tal como o modo como vieram a interagir com os alunos de Hogwarts. Graças a estes alunos e ao Torneiro dos Três Feiticeiros somos presenteados com algumas revelações sobre os nossos personagens e com momentos absolutamente fantásticos, repletos de acção e emoções.

Relativamente às personagens, o nosso trio continua fantástico, arrebatando-nos com as suas traquinices, picardias e amizade incondicional. A Hermione continua a demonstrar-nos a sua inteligência, perspicácia, sendo capaz de desvendar qualquer mistério e auxiliando Harry em vários momentos. O Ron é um rapaz de ideias fixas, um pouco ciumento, mas um amigo tremendamente leal, capaz de tudo pelos que mais ama e é sempre um prazer poder conhecê-lo um pouco melhor. Quanto a Harry neste volume, denota-se um desenvolvimento na sua personalidade, pelas provações que passa neste volume e também por acontecimentos do passado, sendo igualmente um menino muito especial, leal, forte, com um sentido de justiça tremendamente vincado. Neste volume descobre que é capaz de vários feitos, descobrindo as suas potencialidades e que com força de vontade e perseverança é capaz de ultrapassar qualquer barreira, até feiticeiros mais fortes e com muito mais conhecimentos do aqueles que pensa conter.

No que diz respeito às restantes personagens, adorei saber mais sobre Hagrid, o seu passado, a sua família e os seus receios. É, sem dúvida, uma pessoa absolutamente fantástica e ficamos desejosos que tudo lhe corra de feição, pois sentimos que merece ser feliz e que ninguém lhe cause qualquer dano. Apreciei igualmente saber mais sobre Dumbledore, de presenciar a sua força, sensatez, amabilidade e, ao mesmo tempo, a sua fibra em defender o que é em certo e as pessoas dignas dessa protecção. Quanto à família Weasley, também gostei muito de a conhecer melhor, mais concretamente os irmãos mais velhos de Ron, sobre as suas personalidades e profissões, tal como adorei entender um pouco melhor Sirius, que é um personagem absolutamente fantástico, que mostrou ser essencial para Harry, para a sua sustentabilidade, e que sinto que será essencial futuramente. Por último, não poderia deixar de mencionar Cedric Diggory, que mostrou ser um rapaz atencioso, inteligente, apaixonado e íntegro, que tem um papel de destaque neste volume e de quem sentimos facilmente apresso, apesar de ser rival do nosso amigo Harry.

Numa escrita fluída, cativante, dando azos a algumas descrições. J. K. Rowling não desilude neste volume, apresentando-nos uma história cativante e original, repleta de acção, mistério, amor, sendo também polvilhada com um certo toque negro, que certamente nos seguirá no seguinte volume e que nos prepara para algo maior.

Em suma, o quarto volume desta saga é um livro repleto de revelações, suspense, mistério, capaz de nos surpreender constantemente e que veio reforçar quão especial é J. K. Rowling, como a mesma sabe conquistar e arrebatar o leitor, maravilhando-o com um mundo soberbo, numa luta incessante entre o bem e o mal de uma forma de cortar a respiração. Aguardo com bastante expectativa o seguinte volume desta saga, que será certamente das minhas próximas leituras.

Frases a reter: “Se queres conhecer o carácter de um homem, vê como ele trata os seus inferiores, não os seus iguais.”


Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

  

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Um Homem com Sorte


Nome: “Um Homem com Sorte”

Autor: Nicholas Sparks

Nº de Páginas: 288

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Durante a maior parte da sua vida, Logan Thibault foi um homem que em tudo se podia considerar comum. Porém, nada de comum havia naquilo que estava prestes a acontecer-lhe. Quando encontra uma fotografia de uma mulher durante a guerra do Iraque, Logan Thibault passa, inexplicavelmente, a ser um homem com a sorte do seu lado, que sobrevive, sem ferimentos graves, a situações de indescritível perigo. De regresso aos EUA, Thibault não consegue deixar de pensar na mulher que lhe salvou a vida. Mas o segredo que transporta consigo poderá custar-lhe tudo aquilo que lhe é querido... Um Homem com Sorte é um romance sobre a força avassaladora do destino, agora também disponível em versão cinematográfica interpretada por Zac Efron e Taylor Schilling.”

Opinião: Nicholas Sparks, natural do Nebraska, viveu a sua juventude em Fair Oak. Após terminar o liceu recebeu uma bolsa de estudos na Universidade de Notre Dame, devido aos bons resultados obtidos, tendo-se licenciado em 1988 em Economia. Curiosamente o seu sonho era ser atleta de alta competição, contudo um acidente grave obrigou-o a desistir do mesmo, tendo sido durante vários anos delegado de informação médica. Foi neste cargo que começou a escrever até a sua agente literária se propor a representá-lo, vendendo então os direitos do seu primeiro romance, que se tornou um sucesso enorme.

“Um Homem com Sorte”, que foi lançado inicialmente em 2008 e que teve a adaptação cinematográfica no ano passado, apresenta-nos Logan Thibault, um militar, que durante a guerra do Iraque vê a sua vida ser mudada, quando encontra a fotografia de uma mulher. Após a sua descoberta, um amigo diz-lhe que a fotografia lhe trará sorte e que nunca a deverá perder. Apesar de inicialmente Thibault não acreditar, a verdade é que enquanto muitas mortes ocorrem no seu grupo, o mesmo sobrevive sempre a diversas situações de perigo. Quando retorna aos EUA e após um incidente, que o faz compreender que porventura o seu amigo tinha razão ao afirmar que a fotografia dava sorte, empreende uma viagem que o levará junto da mulher da fotografia. Ao encontrá-la acaba por se apaixonar por ela e pela sua família, contudo existe algo que os poderá afastar para sempre.

Na anterior obra que li do escritor, “Um Refúgio para a Vida”, admiti que começava sempre a leitura das suas obras com alguma relutância, devido às opiniões sobre ele serem tão díspares. Contudo, após esta leitura posso afirmar sem reservas que Nicholas Sparks me conquistou, com a sua escrita cativante e tremendamente envolvente, com as suas personagens bem estruturadas e com uma história fascinante.

Ao longo da narrativa são vários os temas abordados. Inicialmente fala-se da guerra no Iraque, em que temos a possibilidade de perceber como se processam os grupos militares; a forma como a guerra molda os indivíduos que dela fazem parte, o receio constante, os pesadelos, até mesmo ao modo como se encara a vida após essa experiência. Seguidamente menciona-se o destino, em que é defendido que existem coisas que estão predispostas a acontecer, pessoas que estamos predispostos a conhecer. Pessoalmente, tenho de confessar que não acredito no destino, penso que cada um de nós delineia o seu trilho, em que lutamos por aquilo em que sonhamos e por aquilo em que acreditamos. Acredito piamente que se conseguimos alcançar algo na vida, isso deve-se ao nosso esforço, à nossa dedicação e às escolhas que fizemos ao longo da vida e não devido ao destino. Relativamente à sorte, penso que a mesma é criada pelas escolhas que tomamos, mas, por vezes, também é bom pensarmos que a sorte está do nosso lado e que algo nos protege. Também na obra se menciona mensagens que são enviadas pelas pessoas que já faleceram, com o intuito de sermos protegidos ou de refazermos as nossas vidas, aspecto em que também não acredito, contudo foi um aspecto ao qual não dei muita importância na narrativa, até porque é abordado de forma muito superficial.

Confesso que apreciei a forma como Thibault e Elizabeth se começaram a relacionar, estabelecendo uma relação de forma gradual, primeiramente conhecendo-se e tornando-se amigos e posteriormente compreendendo que a atracção e paixão existiam entre ambos. Foi um prazer poder ver o florescimento desta relação e a forma como Thibault foi criando uma relação com o filho de Elizabeth e com a sua avó, Nana.

Relativamente às personagens, apreciei Thibault pela sua força, perseverança e integridade, que em certa medida foram apreendidas pela sua experiência no Iraque. Quando ruma para a Carolina do Norte torna-se fundamental para a família de Elizabeth, tratando o filho da mesma como uma espontaneidade, respeito e dedicação enormes, defendendo igualmente Elizabeth em todas as situações. Elizabeth mostrou ser uma mulher dedicada, espontânea, com algum receio de se entregar a alguém, devido a más experiências anteriores, sendo uma personagem de quem facilmente se gosta. Quanto a Clayton, ex-marido de Elizabeth, mostrou ser uma pessoa possessiva, sem escrúpulos, com uma mentalidade machista e tacanha, por quem sentimos rapidamente ódio, descrença e tristeza pela forma como lida com a sua ex-mulher e com o seu filho. É vergonhosa a forma como este pai trata o seu próprio filho e a forma como não o aceita como ele é, simplesmente por não ser o ideal que tinha para ele, apesar de ser um menino fantástico, educado, organizado e tremendamente inteligente.

Como aspecto negativo, tenho a apontar a revisão dada a esta obra, pois existem diversas gralhas ao longo da mesma, o que é disparatado se tivermos em conta que se trata de uma 17ª Edição. 

Numa escrita fluída e envolvente, onde o romantismo e o destino imperam, Nicholas Sparks destaca-se pelas suas personagens tremendamente bem idealizadas e consolidadas, que sentimos que poderiam efectivamente existir e pela história de amor e amizade patente na obra. 

Sem dúvida, que as obras deste escritor são óptimas para passar algumas horas de descontracção na sua companhia, sem exigir muito do leitor e fico curiosa com as suas seguintes obras.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras do escritor, com opinião no blogue:

sábado, 3 de agosto de 2013

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban


Nome: “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”

Autora: J. K. Rowling

Nº de Páginas: 343

Editora: Editorial Presença


Sinopse: “Daquela vez Harry Potter não conseguira conter-se. Quebrara uma das regras principais de Hogwarts - não exercer técnicas de feitiçaria fora dos muros da escola. Mas aquela detestável Tia Marge merecia permanecer umas boas horas suspensa no tecto da sala dos Dursleys, inchada como um balão. Além disso já faltavam poucos dias para recomeçar as aulas. Mas o seu terceiro ano não irá ser fácil. Da prisão de Azkaban fugira o feroz Sirus Black, um dos mais fieis seguidores do assustador Lord Voldemort para o que Harry Potter continuava a ser o alvo favorito. O pior é que o herói de J. K. Rowling começa a suspeitar da existência de um traidor entre os seus próprios amigos... O regresso da personagem fantástica que está a conquistar leitores em todo o mundo numa aventura que te enfeitiçará até à última página.”

Opinião: Joanne Rowling, conhecida escritora que assina as suas obras sob o nome J. K. Rowling, tornou-se famosa ao escrever a premiada saga Harry Potter. Desde pequena que Joanne mostrou o seu gosto pela literatura, podendo ser dado como exemplo das suas leituras os contos “O Vento nos Salgueiros” e “O Cavalinho Branco”. Rowling é conhecida por ter escrito durante algum tempo em bares, tendo atravessado um longo percurso até conseguir que o seu primeiro volume fosse lançado, com a ajuda do seu agente literário. Desde esse momento que as suas obras se tornaram um sucesso, tendo sido traduzidas em 64 línguas e contando com mais de 450 milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Parte do dinheiro auferido com estes volumes é utilizado para auxiliar diferentes instituições que ajudam o combate a doenças, injustiças e pobreza.

“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, terceiro volume da saga Harry Potter, venceu em Dezembro de 1999 o Smarties Prize, que tornou a escritora a primeira pessoa a vencer o prémio por três vezes consecutivas e em Janeiro de 2002 o prémio Whitbread Children’s Book of the Year Award. Neste volume Harry vê a sua vida ser ameaçada por um dos mais poderosos feiticeiros apoiantes de Voldemort, Sirius Black, que conseguiu escapar da prisão de feiticeiros, Azkaban. É com esta realidade que Harry começa um novo ano em Hogwarts, contudo o perigo poderá encontrar-se mais perto do que aquilo que se poderia pensar inicialmente.

Tinha assistido à adaptação cinematográfica deste volume pouco tempo antes de o ter lido, o que levou a que soubesse em certa medida o que se iria passar seguidamente ao longo da narrativa, contudo a escritora não deixou de me surpreender, com a sua narrativa envolvente, fluída, que nos embrenha no mundo de Hogwarts e que praticamente nos transporta para as suas ruas, masmorras e jogos de Quidditch.

A trama idealizada pela escritora é, sem dúvida, bastante original, parecendo que todos os pormenores foram idealizados ao mínimo detalhe, não sendo nada deixado sem explicação. É sempre um prazer poder acompanhar este mundo e este volume não foi, de forma alguma, excepção, em que temos a possibilidade de observar viagens no tempo, compreendendo os aspectos negativos e positivos das mesmas; voltamos a ter a possibilidade de observar os jogos de Quidditch, que são tremendamente originais e que nos dão um prazer enorme de acompanhar; encontrando-se igualmente patentes, algumas importantes mensagens.

Neste livro temos a possibilidade de saber mais sobre a estadia do pai de Harry em Hogwarts, o que nos permite conhecê-lo melhor, a sua forma de ser e as suas relações, mas também compreender um pouco melhor o porquê de Snape parecer odiar o pequeno Harry. Sendo igualmente possível compreender um pouco mais sobre o que sucedeu aos pais de Harry e a motivação de tal acto.

No que se refere às personagens, continua a ser fantástico acompanhar as peripécias destes três amigos, Harry, Hermione e Ron. Hermione sempre bastante perspicaz, inteligente, tendo neste volume algumas picardias com Ron e embora bastante atarefada com todos as cadeiras em que se inscreveu neste ano, torna-se essencial para a resolução dos mistérios que assolam este volume. Ron é sempre uma personagem bastante engraçada, interessante e um amigo bastante leal, sendo sempre um prazer poder conhecê-lo mais aprofundadamente. Harry neste volume vê a sua vida ameaçada e descobre que os Dementors têm um efeito nefasto em si, por o fazerem reviver um dos piores momentos da sua vida. Na presente obra além de ter de gerir os problemas com Snape, a questão de ter um feiticeiro poderoso atrás de si, terá também de aprender a enfrentar os seus maiores receios, descobrindo que possui mais força e perseverança do que alguma vez idealizou.

Relativamente às personagens secundárias, Sirius e Lupin, novo professor de Defesa Contra a Magia Negra, são os portadores das diferentes revelações sobre o pai de Harry, cativando-nos um pouco mais à medida que a narrativa progride, tendo sido muito interessante conhecê-los e às suas particularidades.

Numa escrita fluída e tremendamente cativante, J. K. Rowling apresenta-nos uma história original, que nos mostra que nem tudo o que parece ser à primeira vista o é efectivamente; que nunca é tarde para mostrarmos o nosso ponto de vista  e para lutar pelo que é mais acertado e que o que é diferente não tem de ser necessariamente mau.

Em suma, “Harry Potter e o Prisoneiro de Azkaban” foi mais uma obra desta fantástica saga que me agradou e que me permitiu embrenhar neste mundo que tantos fãs conquistou ao longo dos anos. O seguinte volume será das minhas próximas leituras.

Avaliação: 3/5 (Gostei!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

sábado, 15 de junho de 2013

Se eu Ficar


Nome: “Se eu Ficar”

Autora: Gayle Forman

Nº de Páginas: 216

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Naquela manhã de Fevereiro, quando Mia, uma adolescente de dezassete anos, acorda, as suas preocupações giram à volta de decisões normais para uma rapariga da sua idade. É então que ela e a família resolvem ir dar um passeio de carro depois do pequeno-almoço e, numa questão de segundos, um grave acidente rouba-lhe todas as escolhas. Nas vinte e quatro horas que se seguem, Mia, em estado de coma, relembra a sua vida, pesa o que é verdadeiramente importante e, confrontada com o que faz com que valha mesmo a pena viver, tem de tomar a decisão mais difícil de todas.”

Opinião: Gayle Forman começou por escrever para a revista Seventeen, centrando-se nos jovens e em problemas da sociedade. Alguns anos mais tarde, tornou-se jornalista freelancer para revistas como a Details, Jane Magazine, Glamour Magazine, The Nation, Elle Magazine e Cosmopolitan Magazine.

“Se eu Ficar” foi intitulado um dos melhores livros juvenis de 2009 pela Amazon e pela Publishers Weekly, tendo inclusive ganho o Indie Choice Award de 2010. Nesta obra encontramo-nos em Fevereiro, quando Mia, uma jovem de dezassete anos, sai de casa juntamente com os pais e o seu irmão mais novo, para irem dar um passeio de carro. Um dia que começou como todos os outros, com os rituais de pequeno-almoço e brincadeiras, acaba por se transformar num episódio assombroso, quando têm um grave acidente de viação.

Nas horas que se seguem, acompanhamos Mia na sua ponderação, para uma das escolhas mais difíceis que alguma vez terá de tomar, se deverá permanecer, apesar de tudo o que se passou e perdeu, ou se deverá partir.

Nesta obra, narrada na primeira pessoa, pela nossa personagem principal Mia, são abordados temas bastante sensíveis, a perda de alguém que se ama, a imprevisibilidade e finitude da vida, mas essencialmente a luta pela vida, a procura de uma razão para se viver, apesar de todas as adversidade e perdas. É um tema bastante sensível, mas real, que consegue ser abordado de uma forma bastante bem conseguida, acabando invariavelmente por tocar o leitor e do colocar a pensar sobre este assunto.

No que se refere às personagens, considero que todas eram tremendamente humanas e cativantes. Ao longo da obra torcemos por diversas vezes para que Mia melhore e que continue a lutar por si e pelas pessoas que a amam, contudo não conseguimos deixar de sentir, igualmente, uma solidariedade por ela, se ela decidir realmente partir. Um dos aspectos que mais nos tocam e prendem à narrativa centra-se no debate interno de Mia, quando esta pensa nos aspectos positivos e negativos de permanecer, da sua tentativa de encontrar razões que a levem a continuar a sua jornada. Esta ponderação torna a obra bastante real e com uma sensibilidade tremenda. É um livro destinado a um público jovem-adulto, mas que não deixa de tocar igualmente graúdos e isso é, sem dúvida, um aspecto fantástico.

Desde o início que me senti ligada à família e ao namorado de Mia e foi com um prazer enorme que acompanhei várias peripécias que estes atravessaram. Penso que na obra é abordado de uma forma bastante especial, tocante e ternurenta o amor familiar, mas também o amor romântico, que leva o leitor a ficar ainda mais preso à trama.

Numa escrita simples e fluída, Forman apresenta-nos uma história bastante autêntica, abordando um tema emotivo na perfeição. Esta obra consegue colocar-nos a pensar sobre os mais variados temas, ficando na nossa memória muito depois de ser virada a última página.


Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Cidades de Papel



Nome: “Cidades de Papel”

Autor: John Green

Nº de Páginas: 344

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margo consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margo, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margo.”

Opinião: John Michael Green nasceu em Orlando, na Flórida, tendo-se licenciado na Kenyon College, em 2000, em Estudos Religiosos e Inglês. Após sair da faculdade, o escritor trabalhou num hospital infantil durante cinco meses como capelão e esta experiência com crianças doentes inspirou-o mais tarde a escrever a obra “A Culpa é das Estrelas”. Viveu durante vários anos em Chicago, onde trabalhou como crítico, assistente de edição e editor de produção, enquanto escrevia a sua primeira obra “À Procura de Alaska”.

O seu terceiro romance, “Cidades de Papel”, foi lançado inicialmente em 2008 e no presente ano em Portugal, tendo sido premiado em 2009 com o Edgar Award para melhor romance jovem-adulto e no ano seguinte o Corine Literature Prize.

Quentin e Margo tornaram-se amigos desde muito pequenos, por serem vizinhos e por os seus pais serem amigos. Embora tenham convivido durante muitos anos e de terem partilhado muitas coisas, de um momento para o outro deixaram de se relacionar. Anos mais tarde tal facto muda quando Margo desafia Quentin para um plano de vingança. Após passarem uma noite juntos a cumprir o plano, Quentin acredita que irão novamente voltar a dar-se um com o outro e quem sabe se não poderão um dia ser namorados, pois sempre se sentiu atraído por ela, contudo Margo desaparece na manhã seguinte. Como Margo tem a particularidade de por vezes desaparecer e por ter dezoito anos acaba por não ser dada muita notoriedade ao desaparecimento, todavia Quentin decide averiguar e começa a encontrar pistas que a mesma lhe deixou com o seu destino. À medida que vai descobrindo e analisando as pistas, começa a perceber que afinal a Margo que pensou conhecer, não existe e que, por detrás da fachada que criou, vive uma pessoa completamente diferente, que nem os seus amigos parecem conhecer.

Após ter adorado a anterior obra que li do escritor, “A Culpa é das Estrelas”, foi com alguma expectativa e curiosidade que comecei a ler esta obra. Confesso que embora tenha gostado mais da obra anteriormente referida, esta foi também uma obra que apreciei bastante.

O primeiro ponto que se destaca nas obras deste escritor centra-se na forma sublime como escreve de e para jovens. É fantástica a forma como aborda a adolescência, os receios, os amores que se pensa serem para sempre, os questionamentos, fazendo-o de uma forma tão real, que torna os personagens bastante humanos, autênticos e cativantes.

Outro factor que tão bem define o escritor centra-se nas mensagens que as suas obras possuem, que não nos deixam de forma alguma indiferentes e que nos colocam a pensar, mesmo após a viragem da última página. Adorei a forma especial como o autor abordou a amizade e como destacou que não devemos tentar mudar os nossos amigos em prol da nossa imagem, isto é, que não devemos desejar torná-los semelhantes a nós mesmos, nem mudar certos aspectos que porventura possamos não gostar assim tanto, pois são essas características que os tornam especiais e que nos cativam na sua personalidade. Outro aspecto defendido na obra é que por vezes aquilo que uma pessoa transparece ser, não é efectivamente o que ela é de verdade e que uma pessoa pode ser encarada de diferentes formas por diferentes pessoas.

No que se refere às personagens, Quentin é um rapaz astuto, inteligente e amigo, que tem ideias bastante definidas sobre o mundo que o rodeia e que deseja amar e ser amado. Foi agradável poder acompanhar a sua demanda por Margo, a forma perspicaz como tentou ao longo da obra descortinar todas as pontas soltas que a sua amiga de infância deixou e a forma como esteve disposto a abdicar de tudo por ela e por a encontrar. Confesso que durante a sua jornada houve alguns momentos que não me cativaram tanto, mas não deixou de ser um prazer acompanhar a sua luta pela amizade, amor do próximo e a forma como decidiu lutar pelo que acreditava e por quem achava que merecia essa dedicação. Quanto a Margo era aparentemente uma rapariga alegre, popular, com amigos e um namorado de sonho, mas na verdade isso era somente uma fachada, que escondia uma rapariga que sentia que não tinha um lugar definido no mundo e pessoas que a amassem pelo que ela era verdadeiramente. Uma jovem que necessitava acima de tudo que lhe mostrassem como a vida é fantástica, quando compartilhada com as pessoas certas e que nunca se deve desistir da felicidade, de acreditarmos em nós mesmos e nas nossas potencialidades.

Numa escrita acessível e bastante fluída, John Green presenteia-nos, deste modo, com uma história repleta de suspense e mistério, com personagens tremendamente humanas e cativantes, que nos transmitem várias mensagens. Abordando o tema das cidades de papel, que se mostrou bastante interessante e enriquecedor.

Em suma, “Cidades de Papel” embora não seja, na minha opinião, tão cativante e emocionante como a anterior obra que li do escritor, veio, ainda assim, reforçar que nos encontrarmos perante um autor de destaque neste género de obras destinadas a um público jovem-adulto.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras do escritor, com opinião no blogue:


domingo, 5 de maio de 2013

A Estranha Vida de Nobody Owens



Nome: “A Estranha Vida de Nobody Owens”

Autor: Neil Gaiman

Nº de Páginas: 299

Editora: Editorial Presença

Sinopse: Nobody Owens podia ser um rapaz perfeitamente normal não fosse o facto de viver num cemitério e ter como família adoptiva uma série de fantasmas, almas penadas e outras entidades semelhantes que o educam e cuidam dele. Owens não se pode gabar de nunca se ter metido em sarilhos, mas é para além das grades do cemitério que residem os verdadeiros perigos, pois é aí que vive Jack - o homem que nunca desistiu de procurar Owens desde aquela sinistra noite em que matou toda a sua família… Suspense, humor e magia num livro encantador destinado a tornar-se uma obra de culto da ficção juvenil.”

Opinião: Neil Gaiman, nascido no Reino Unido, foi jornalista freelancer até 1987, ano em que se tornou famoso ao criar, com Dave Mckean, a novela gráfica "Violent Cases". Devido ao sucesso da mesma, Gaiman abandonou o jornalismo e começou a publicar a série "Sandman", que o levou ao estrelato. Actualmente, é um dos autores mais adorados pelo público e distinguidos pelos críticos, tendo inclusive vencido diversos prémios incluindo o Hugo Award e o Nebula Award.

"A Estranha Vida de Nobody Owens", lançado inicialmente em 2008 e dois anos mais tarde em Portugal, com ilustrações de Chris Riddell, foi vencedor do prémio Cornegie Medal 2010. Esta obra inicia-se quando o homem Jack é incutido de assassinar uma família, um casal e os seus dois filhos, devido ao seu profissionalismo e mestria, que o tornam perfeito para desempenhar esta missão. Após assassinar os três elementos mais velhos da família, Jack dirige-se ao quarto do bebé para terminar o seu trabalho, contudo compreende que o mesmo desapareceu. Seguindo os seus instintos, acaba por perceber que o menino saiu pela porta de casa e que o seu rasto termina no cemitério local. Ao invadir o cemitério, acaba por ser abordado por Silas, o guarda nocturno do cemitério, que lhe salvaguarda que nenhuma criança entrou no cemitério e que ela certamente se encontra noutro local. Assim, o pequeno bebé acaba por ser adoptado pelos Owens, que lhe conferem o nome de Nobody Owens, e pelos restantes fantasmas do cemitério, que o educam e lhe facultam conhecimentos desde história, à geografia e até mesmo aos truques de um bom fantasma, a técnica de desvanecer, do terror, entre outros exemplos, tornando-se Silas o seu tutor.

Esta foi a minha estreia com o escritor, embora já acompanhasse há algum tempo o trabalho do mesmo e as críticas fantásticas a ele tecidas. Encontrei nesta obra, destinada a um público jovem-adulto, a oportunidade de conhecer este autor tão conceituado e posso afirmar sem reservas que foi uma boa surpresa e que não me desiludiu de forma alguma.

O primeiro ponto que nos cativa desde logo são as ilustrações que se encontram patentes antes de cada capítulo e que contextualizam a história e/ou que nos apresentam personagens, que nos serão futuramente dadas a conhecer. Esta é uma importante característica  por conferir um elemento que torna a obra mais especial e distintiva de tantas outras dentro do género; por tornar as personagens mais reais na nossa imaginação e por nos facilitar a idealização das mesmas, tal como dos acontecimentos da obra.

Adicionando a esta interessante particularidade, a obra contém elementos bastante cativantes, que suscitam  interesse no leitor, desde o porquê do homem Jack querer matar a família de Nobody, à questão se será capaz de o encontrar, mas também aos momentos vivenciados por Bod no cemitério, as histórias das pessoas falecidas, as lições de vida que vai adquirindo, tanto com cada uma das pessoas com quem convive como através dos erros e contratempos que irá encontrar ao longo da sua vida.

No que se refere às personagens, é impossível não apreciar Nobody, ou Bod, como é conhecido coloquialmente, pela sua necessidade incessante de conhecimento, pela forma como se preocupa com todos e tenta ao máximo satisfazer os desejos de todos, sem ligar a rótulos, somente olhando para as pessoas ou fantasmas como eles são efectivamente. Este personagem ensina-nos que nunca devemos ligar a rótulos, que não é por determinada pessoa ser conhecida por fazer ou ser determinada coisa, que devemos ser preconceituosos  devendo tentar conhecê-la, pois poderemos ser surpreendidos. Frisando que por vezes é necessário soltar amarras e lutar pelo que acreditamos, entre tantas outras mensagens, que certamente irão deliciar o leitor.

Numa escrita fluída e mágica, repleta de suspense, Neil Gaiman apresenta-nos uma história diferente, polvilhada de criaturas originais, que certamente irão prender miúdos e graúdos, que apreciem este género literário. Apresentando a morte não como o fim de um ciclo, nem tão pouco os fantasmas como criaturas a temer, o autor dá-nos a conhecer vários personagens, de diferentes épocas, que continuam a ter algo de importante para ensinar, dizer e que não precisam ser temidos.

Em suma, “A Estranha Vida de Nobody Owens” foi uma agradável surpresa, que me proporcionou algumas óptimas horas de leitura na sua companhia e que me levará certamente a ler mais obras do escritor.


Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

sábado, 27 de abril de 2013

Um Refúgio para a Vida



Nome: “Um Refúgio para a Vida”

Autor: Nicholas Sparks

Nº de Páginas: 356

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “Katie, uma jovem reservada e bonita, vai viver para a cidade de Southport, na Carolina do Norte, onde todos se interrogam sobre o seu passado. Que mistérios esconderá aquela mulher que parece determinada a encobrir os seus encantos e evitar novos laços afetivos? No entanto, apesar de todas as suas reservas, Katie começa a criar raízes naquela pequena comunidade, à medida que uma nova amizade e um novo amor lhe vão fazendo baixar as defesas. Nicholas Sparks traz-nos uma protagonista fragilizada e que tem de aprender a lidar com os seus mais fundos receios se quiser voltar a amar.”

Opinião: Nicholas Sparks, nascido em Omaha, Nebraska, trabalhou durante algum tempo como delegado de informação médica, até ao momento em que Theresa Park, agente literária, decidiu representá-lo, vendendo os direitos do seu primeiro romance, “O Diário da Nossa Paixão”, à Warner Books. A obra foi desde o início um sucesso assombroso, tendo permanecido durante 56 semanas consecutivas nos tops americanos. Considerado como o golden boy da ficção, o autor é adorado internacionalmente.

“Um Refúgio para a Vida” editado inicialmente em 2010, foi adaptado para o cinema no presente ano. Neste volume somos apresentados a Katie que se mudou para a pacata cidade de Southport, na Carolina do Norte. Embora seja bastante bonita, mostra-se bastante reservada, tentando ao máximo não se dar a conhecer aos que a rodeiam. Numa pequena cidade como Southport todos se conhecem e trocam informações entre si e Katie com todo o mistério que engloba os seus actos e passado só se torna para os habitantes locais ainda mais interessante. Quando conhece o viúvo Alex mostra-se relutante em criar laços com o mesmo, contudo à medida que cria amizade com ambos os seus filhos, especialmente com a sua filha mais nova, o amor começa a florescer entre ambos. Contudo, Katie tem um segredo que a persegue e que poderá colocar em causa a sua felicidade junto destas pessoas que aprendeu a amar.

Ainda só tive o prazer de ler duas obras do escritor, “Um Momento Inesquecível” e “As Palavras que Nunca te Direi”, e embora tenha gostado muito de ambas, confesso que começo as suas obras sempre com algum receio de poder não gostar, possivelmente por as opiniões sobre o autor serem bastante dispares. Contudo, neste volume em específico as minhas reticências mostraram-se completamente desnecessárias. O autor tem uma escrita tremendamente cativante, possui personagens que nos tocam tanto pela sua história de vida, como com a sua personalidade forte e a história mostrou-se bastante cativante.

Nestas páginas é abordado o tema da violência doméstica de uma forma que invariavelmente nos toca e revolta. Katie sofreu às mãos do marido, Kevin, diversos abusos físicos, o que a levou a fugir dele e a tentar reconstruir a sua vida naquela pacata cidade. Após ter escapado ao marido, Katie continua a sentir uma enorme impotência e a recear ser descoberta pelo mesmo. Algo que é inerente a qualquer vítima de abuso físico, pois mesmo conseguindo fugir, enquanto souberem que a pessoa continua viva, terão sempre o receio que o agressor as presiga e que as volte a maltratar. É também abordado neste volume o modo como a vítima se sente ferida e como lhe custa voltar a entregar-se a alguém e a confiar, no caso da Katie, no sexo oposto.

Além do tema da violência doméstica, somos também confrontados com o amor paternal, a perda de alguém que amamos e a tentativa de reconstruir as nossas vidas após essa perda. Penso que os momentos passados entre Alex e os seus filhos foram bastante ternurentos, sendo bastante explícito o amor que este pai sentia pelos seus meninos e mais tarde também o amor que Katie passa a sentir por ambos. Alex perdeu a sua mulher e também esse ponto é abordado bastante bem, pois demonstra que parte de nós será sempre de determinada pessoa, mesmo que a mesma faleça, e que nunca é fácil ultrapassar a dor que essa perda nos causa.

No que se refere às personagens, gostei muito de Katie, pela sua perseverança, força e por nunca ter baixado os braços. É preciso muita coragem para fazer frente a alguém que nos agride, de tentar fugir a essa pessoa e conseguir viver noutro local, ainda que sempre com receio do que se poderá passar de seguida. Quanto a Alex mostrou ser um homem bom, sofrido, mas com um sentido de honra e justiça muito vincado. Apesar de ter perdido a sua mulher e de ter tido de criar dois filhos pequenos, tornou-se um óptimo pai e um homem fantástico. Os momentos vivenciados entre ele, os seus meninos e Katie foram dos mais ternurentos da obra. No que se refere à personagem Kevin, é-me difícil descrever o que senti por este personagem. Sparks concebe este personagem de tal forma, que conseguimos sentir inúmeros sentimentos por ele. No final da obra só conseguia pensar que era completamente louco e não conseguia deixar de sentir raiva e tristeza por tudo o que fez a Katie passar. Penso que a concepção das personagens é um dos pontos mais fortes do escritor, conseguindo cada uma tocar-nos de certa forma, deixando-nos, mesmo após o livro terminado, uma recordação sua na nossa memória.

Numa escrita muito fluída, cativante e repleta de suspense, Nicholas Sparks presenteia-nos nesta história com uma temática revoltante como é a violência doméstica, mas também com uma bonita história de amor, que temos a possibilidade de ver florescer. Adicionando a estes ingredientes, somos também presenteados com personagens tremendamente bem estruturadas e um enredo cativante. 

Aguardo com alguma expectativa a possibilidade de ver a adaptação cinematográfica e, sem dúvida, que terei de ler mais obras deste escritor.

Frases a reter: "É o que tem a vida: raramente é fácil. A nós cabe-nos apenas tirar o melhor proveito dela."

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

Outras obras do escritor, com opinião no blogue: