segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Interligados – Aden Stone e a Batalha contra as Sombras


Nome: “Interligados – Aden Stone e a Batalha contra as Sombras”

Autora: Gena Showalter

Nº de Páginas: 448

Editora: Universo dos Livros

Sinopse: “A maioria das pessoas de 16 anos de idade têm amigos. Aden Stone tem quatro almas humanas que vivem dentro dele. Um pode viajar no tempo. Um pode levantar os mortos. Um pode prever o futuro. E outro pode possuir outro humano. Todo mundo pensa que ele é louco, essa é a razão pela qual ele passou sua vida inteira entre instituições para doentes mentais e reformatório. Tudo isso está prestes a mudar. Durante meses Aden tem tido visões de uma menina bonita – uma moça que carrega segredos antigos. Uma menina que quer salvá-lo ou destruí-lo.”


***Este livro ainda não se encontra traduzido em Portugal, foi lido em Português do Brasil***

Opinião: Gena Showalter é uma escritora americana, que sempre se considerou uma apaixonada. Ávida leitora de romances vendeu o seu primeiro manuscrito aos vinte e sete anos e hoje em dia já tem mais de 30 obras publicadas. Conjugando nas suas histórias humor, perigo e sensualidade, as suas obras são consideradas pelos críticos como absolutamente fascinantes.

“Intertwined”, traduzido em português do brasil como “Interligados”,  foi editado inicialmente em 2009 e dá início a uma saga, que nos apresenta o jovem Haden Stone, mais conhecido como Aden, que tem uma estranha particularidade. Este jovem tem quatro almas a viver dentro dele, três do sexo masculino e uma do feminino, Caleb, Julian, Elijah e a figura maternal, que sempre os tranquiliza e arranja uma solução sensata, Eve. Se não bastasse este pormenor, que levou a que Haden se metesse em muitos sarilhos, tendo sido considerado um delinquente, tendo inclusive passado por várias instituições psiquiátricas e encontrando-se de momento numa espécie de Casa de Correcção, estas almas possuem diferentes poderes, que o colocam em diferentes sarilhos. Julian tem o poder de fazer levantar os mortos, Elijah pode prever a morte, Eve consegue viajar no tempo e Caleb pode possuir o corpo de outra pessoa somente com um toque.

Elijah que tem a particularidade de prever a morte, um dia prevê que Aden se irá cruzar com uma rapariga, que será certamente importante para ele, o que leva a que este jovem deseje com todas as suas forças vir a conhecê-la. Quando um dia se coloca num sarilho por causa de Julian, Aden pensa ver a rapariga das visões e fará de tudo para a conhecer. Será realmente a rapariga das visões? Que papel terá ela na sua vida? Será ele capaz de terminar com esta sua estranha particularidade?

Confesso que fiquei desde logo rendida à fantástica sinopse, que me prometia uma obra original e cativante e a verdade é que a obra não desilude nesse aspecto. Penso que nos encontramos perante uma obra muito particular, onde nos são apresentados vampiros, lobisomens, fadas, duendes, fantasmas, bruxas, demónios e Aden com a sua estranha particularidade, possuindo todos estes seres aspectos diferentes, tendo em conta as obras que li até ao momento do género. Os vampiros são transformados de uma forma muito singular, contendo uma hierarquia entre si, com deveres e objectivos inerentes a cada cargo que ocupam. Os lobisomens foram transformados de forma similar aos vampiros e têm algumas diferenças, tendo por base outras obras que já li destes seres, transformando-se em lobos e não em seres com garras e dentes descomunais, sendo simplesmente um pouco maiores do que os lobos normais, e têm a particularidade de conseguirem, através da cor da aura das pessoas, saber o que as mesmas estão a sentir em determinado momento.

Neste volume, destinado a um público jovem-adulto, somos apresentados a personagens bastante humanizadas, com receios e sonhos característicos, com um passado que as define e as molda, sendo um dos aspectos mais positivos que encontrei nesta obra. Aden foi dado para a adopção com 3 anos e desde então é considerado um delinquente e portador de distúrbios mentais devido à sua estranha particularidade. Quando jovem receia muito abrir-se com as pessoas, explicar o que se passa dentro de si, o que leva a que tenha qualquer amigo e que várias pessoas sintam medo ou mesmo ódio por ele. Nesta obra vemos Aden a criar amizades, a descobrir o verdadeiro significado da palavra amor, a compreender que apesar de ser incómoda a sua particularidade, que se tentou contornar com exorcismos, feitiços e orações, já se encontra de tal modo enraizada nele que a sua vida sem uma daquelas almas nunca poderia voltar a ser a mesma.

Relativamente às restantes personagens, Mary Ann, uma das jovens que se cruza na vida de Aden, é órfã de mãe e desde esta perda se tornou mais calma e com um único objectivo, tornar o pai feliz e orgulhoso dela. Com um carácter bastante vincado, com objectivos bem delineados e tendo em mente os passos necessários para os alcançar, Mary Ann terá um papel fundamental na trama e na vida de Aden, desde que se vêem pela primeira vez e algo de muito estranho acontece.

Quanto aos restantes elementos da trama, gostei de ambos os personagens que partilham o dia-a-dia com Mary Ann e Aden, foi um prazer conhecê-los, o seu passado, as suas particularidades e os seus sonhos. É graças a estas duas personagens que temos a possibilidade de vivenciar vários momentos ternurentos e também de acção, por isso foram igualmente personagens marcantes, que certamente não deixarão o leitor indiferente.

No que se refere a aspectos negativos existem alguns aspectos que poderia apontar, mais concretamente a previsibilidade da trama, existem muitos momentos em que os acontecimentos são bastante previsíveis, o que retira um pouco a magia à leitura e senti também que, por vezes, faltou um pouco de fluidez nos diálogos, contudo não sei se será devido à obra em si ou se devido à tradução a que tive acesso.

Numa escrita acessível, sem dar azos a grandes descrições, Gena Showalter apresenta-nos uma história original, repleta de acção e mistério, polvilhada com momentos mais ternurentos, onde a amizade e o amor são uma realidade.


Avaliação: 3/5 (Gostei!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

domingo, 29 de setembro de 2013

O Sorriso das Mulheres


Nome. “O Sorriso das Mulheres”

Autor: Nicolas Barreau

Nº de Páginas: 292

Editora: Quinta Essência

Sinopse: “Para Aurélie Bredin, as coincidências não existem. Jovem, sensível e atraente, é a proprietária de um pequeno e romântico restaurante, Le Temps des Cerises, situado no coração de Paris, a dois passos do Boulevard Saint-Germain. Naquele pequeno restaurante forrado a madeira, com toalhas aos quadradinhos vermelhos e brancos, o seu pai conquistou o coração da sua mãe graças ao menu d’amour. E foi ali, rodeada pelo aroma do chocolate e da canela, que Aurélie cresceu e onde encontra consolo nos momentos difíceis da sua vida. Mas agora, magoada pelo abandono de Claude, nem sequer a calidez acolhedora da cozinha é capaz de consolá-la.
Uma tarde, mais triste que nunca, Aurélie refugia-se numa livraria. Um romance, O Sorriso das Mulheres, chama a sua atenção. Quando o folheia, descobre que a protagonista é inspirada nela e que Le Temps des Cerises é um dos cenários principais. Graças a esta prenda inesperada, volta a sentir-se animada. Decide entrar em contacto com o autor, Robert Miller, para lhe agradecer. Mas isso não é fácil. Qualquer tentativa de conhecer o escritor – um misterioso e esquivo inglês – morre na secretária de André Chabanais, o editor que publicou o romance. Porém, Aurélie não desiste e quando um dia surge efectivamente uma carta do autor na sua caixa de correio, acaba por daí resultar um encontro bem diferente daquele que tinha imaginado…”

Opinião: Nicolas Barreau, filho de mãe alemã e pai francês, nasceu em 1980, em Paris, e formou-se em Literaturas Românticas e História na Sorbonne. Inicialmente trabalhou numa livraria da Ribe Gauche na sua terra natal, até que momentos mais tarde decidiu dedicar-se à escrita. O escritor, que acredita no destino e que tem um gosto especial pela culinária, define-se como sendo tímido, reservado, não apreciando aparecer em público. Os seus três primeiros volumes foram publicados inicialmente por uma pequena editora alemã e rapidamente se tornaram um sucesso, especialmente “O Sorriso das Mulheres”.

“O Sorriso das Mulheres”, que foi publicado inicialmente em 2010 e no ano passado em Portugal, apresenta-nos uma jovem, Aurélie Bredin, que é proprietária de um pequeno e acolhedor restaurante, “Le Temps des Cerises”, no centro de Paris. Quando o seu namorado Claude a deixa de um momento para o outro, Aurélie que sempre encontrou refúgio na sua cozinha, não consegue deixar de se sentir angustiada. É neste estado de espírito que esta jovem entra numa livraria e, apesar de não apreciar muito ler, acaba por adquirir um livro que lhe chama a atenção, “O Sorriso das Mulheres”. Quando chega a casa devora o livro numa só noite e qual não é o seu espanto quando percebe que a heroína da história foi inspirada em si mesma. Com esta estranha coincidência e sentindo que aquele livro a salvou, decide conhecer o escritor, Robert Miller, e para esse efeito contacta o editor que publicou o romance, André Chabanais, contudo a missão demonstra-se praticamente impossível. Portadora de uma persistência inabalável, Aurélie não desistirá facilmente de encontrar o autor, porém nem tudo correrá como ela desejará.

Após ter acompanhado algumas opiniões que mencionavam que esta era uma obra perfeita para descontrair, não exigindo muito do leitor e conseguindo arrancar-lhe sorrisos com alguma facilidade, fiquei bastante curiosa com a mesma e a verdade é que a obra não desiludiu. É, sem dúvida, uma obra simples, óptima para passar uma boa tarde na sua companhia, contendo algumas mensagens.

Nesta obra é exposta a importância da leitura, a forma como uma obra é capaz de auxiliar o seu leitor de diversas formas, em diferentes estados de espírito. Sendo igualmente defendido que nem tudo o que parece ser à primeira vista o é verdadeiramente; que, por vezes, acalentamos alcançar algo com uma perseverança tal, que não percebemos que mesmo à nossa frente se encontra a felicidade e que embora a vida seja feita de altos e baixos se olharmos com atenção temos sempre uma ou outra razão para voltar a sorrir.

Através da perspectiva de Aurélie intercalada com a de André temos a possibilidade de conhecer estas duas personagens, que graças a uma obra se encontram e iniciam uma aventura em comum. Penso que as personagens não são particularmente inesquecíveis, mas não deixam de ser agradáveis e de nos proporcionar uma história ternurenta. Aurélie é uma jovem batalhadora, persistente e que dificilmente desiste daquilo em que acredita e do que ambiciona. Sem muita sorte ao amor, acaba por se refugiar num livro como forma de esquecer essa traição e toda a sua vida muda. É difícil não nos sentirmos ligados a esta personagem, mais não seja por este aspecto, a forma como é defendido que quando nos encontramos mais em baixo, a literatura se torna uma forma de escape e é capaz de nos ajudar das mais variadas formas. Quanto a André é um homem inteligente, trabalhador, que acabará por se apaixonar por Aurélie e que de tudo fará para que a mesma se interesse por ele e esqueça o esquivo escritor inglês por quem parece ter criado uma pequena obsessão.

Numa escrita simples e fluída, Nicolas Barreau apresenta-nos uma história óptima para descontrair, que nos transporta para as ruas e restaurantes de Paris, encontrando-se repleta de amor, ternura, algumas mentiras, perdão e recomeços. Efectivamente esta é uma história bastante previsível, desde o início que sabemos como as coisas se irão desenrolar e como a obra terminará, porém a verdade é que não nos deixa de agradar acompanhar a forma como estas personagens se conhecem e como os acontecimentos se desenvolvem a partir desse momento.

Em suma, “O Sorriso das Mulheres” mostrou ser uma obra previsível, mas ao mesmo tempo ternurenta, capaz de me arrancar alguns sorrisos, óptima para descontrair e passar uma tarde chuvosa na sua companhia.


Avaliação: 3/5 (Gostei!)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Rumores


Nome: “Rumores”

Autora: Ana Godbersen

Nº de Páginas: 288

Editora: Editorial Presença

Sinopse: “A trilogia «Princesas de Nova Iorque» prossegue com Rumores, o segundo volume que promete, à semelhança do primeiro, muito glamour, rebeldia, mentiras, segredos e escândalos. Ambientado dois meses mais tarde do que em Rebeldes, Nova Iorque de 1899 é o mesmo palco de fundo para a intriga. Nos meses cada vez mais frios do final do ano, a cidade ainda chora a perda da sua «princesa» favorita, Elizabeth Holland. Mas as atenções também se voltam rapidamente para quem irá ocupar o seu lugar no coração de todos. Diana, a irmã de Elizabeth irá confrontar-se com a ambiciosa e pouco escrupulosa Penélope na conquista de Henry Schoonmaker, o solteiro mais cobiçado da cidade. À medida que a linha entre amizade e rivalidade continua a revelar-se cada vez mais ténue para as duas raparigas, Nova Iorque prepara-se para assistir a nova torrente de escândalos envolvendo a nata da sua sociedade. Especialmente quando certos rumores do passado ameaçam comprometer o futuro de todos os envolvidos…”

Opinião: Anna Godbersen é uma escritora americana, que viu em 2007 a sua obra de estreia, "Rebeldes", ser editada, dando início à série “The Luxe”. O segundo volume desta quadrologia, “Rumores,” foi lançado inicialmente em 2008 e um ano depois na língua de Camões.

Destinada a um público mais jovem, esta obra embrenha-nos novamente na sociedade do final do Século XIX em Nova Iorque, onde nos são apresentadas quatro jovens muito diferentes entre si, uma jovem rebelde, que tenta a todo o custo destacar-se pela diferença e sem receio de lutar por aquilo em que acredita; uma criada repleta de ambição e de vontade de igualar as jovens com mais posses, tentando a todo o custo mostrar que com um pouco de dinheiro também ela se poderá tornar uma senhora; uma jovem encarada pela sociedade como um exemplo de virtude e amabilidade e, por último, uma jovem ambiciosa, que não vê a meios para atingir fins.

Iniciei esta leitura sem conter grandes expectativas, por um lado por não ter ficado absolutamente rendida ao anterior volume desta saga, apesar de ter apreciado a leitura, e, por outro, porque me tinham dado alguns spoilers da obra, o que me suscitou algum interesse, mas ao mesmo tempo comprometeu um pouco a leitura, pois já sabia o que se iria passar futuramente. Contudo, apesar de saber alguns dos desenvolvimentos e de estar constantemente à espera que algo se passasse, a verdade é que a obra não deixou de me surpreender. Neste volume constatamos as consequências das escolhas tomadas no anterior volume, observamos os jogos de poder, onde cada uma destas personagens tenta alcançar aquilo que deseja, umas por dinheiro, outras por amor. Numa sociedade onde a aparência é tudo e onde é essencial salvaguardar a inocência e a amabilidade para evitar escândalos, este volume encontra-se repleto de intrigas, amor, mentiras e escândalos abafados.

No que se refere às personagens, no anterior volume havia defendido que não apreciava sobremaneira a personagem Elizabeth, porém neste volume cativou-me pela forma como aprendeu a viver de uma forma diferente à que estava habituada, pelo amor que nutria pelos que mais lhe diziam, pela sua simplicidade e força. Quanto a Diana continuo a gostar da sua forma de ser, livre e descontraída, contudo penso igualmente que é uma personagem algo impulsiva e que deveria pensar mais vezes nas consequências dos seus actos antes de agir, pois actos irreflectidos poderão trazer-lhe futuramente alguns dissabores. No que se refere a Penelope Hayes é daquele género de personagens de quem rapidamente sentimos animosidade, pela sua falsidade, pela forma como não vê a meios para atingir fins, não se importando de alcançar os seus objectivos à custa do sofrimento dos outros envolvidos. Quanto a Linda Broud encontra-se a tentar entrar na sociedade aos poucos e tenta igualmente vários estratagemas para o conseguir. Pessoalmente penso que é um jogo muito perigoso aquele que ela enceta e algo me diz que tem uma grande probabilidade de vir a correr mal.

Numa escrita acessível e fluída, Anna transporta-nos para os salões de baile, para os jantares, repletos de glamour, onde as aparências são a base de tudo, mostrando-nos que a vida é feita de momentos e que devemos aproveitar cada dia como se fosse o último, pois não sabemos o que se passará de seguida; que o amor nem sempre é suficiente para que uma relação vingue, pois a vida é um aglomerado de acontecimentos e que nem tudo o que parece ser à primeira vista o é efectivamente.

Em suma, “Rumores” foi um livro agradável, repleto de intriga, glamour, mentiras, com uma pitada de amor, sendo capaz de surpreender o leitor por diversas vezes. Acredito que se não me tivesse sido contado alguns dos desenvolvimentos da obra, teria apreciado mais a sua leitura e que teria deixado uma marca mais duradoura em mim, pois penso sinceramente que este volume se encontra melhor do que anterior, mais não seja por as personagens nos tocarem na sua generalidade, ao contrário do que aconteceu em “Rebeldes”.


Avaliação: 3/5 (Gostei!)

Outras obras da escritora, com opinião no blogue:

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Site Revista Bang! [Divulgação - Saída de Emergência]



A revista Bang! é publicada de quatro em quatro meses pela Saída de Emergência, que se dedica ao género Fantástico, sendo distribuída gratuitamente, através das lojas Fnac, em Portugal. Desde Setembro deste ano, também no Brasil poderá ser lida esta revista gratuitamente, que teve o seu primeiro volume distribuído na Bienal do Livro do Rio de Janeiro e espera-se que brevemente se encontrem um pouco por todas as livrarias brasileiras.

Devido a serem lançadas poucas revistas por ano, a editora decidiu criar um site onde poderão ser lidas novidades, o trabalho que é realizado na revista, entre outros aspectos. Também nesta plataforma poderão encontrar as edições em ebook das revistas que já foram lançadas.