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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O Rapaz da Porta ao Lado


Nome: "O Rapaz da Porta ao Lado"

Autora: Meg Cabot

Nº de Páginas: 422

Editora: Bertrand

Sinopse: "Que há-de uma mulher solteira fazer em Nova Iorque? Mel assina uma coluna de mexericos e vive na cidade que nunca dorme, o sítio mais emocionante do planeta, mas aborrece-se... em especial devido à sua vida amorosa. As coisas começam a ficar interessantes quando a sua idosa vizinha do lado quase é assassinada. 
Decidida a desmascarar o criminoso que terá cometido tal acto, Mel começa a prestar mais atenção aos vizinhos, em particular àquele que veio cuidar da tia doente. É muito giro, sem dúvida, mas tão misterioso!
O que se passa de facto com o rapaz da porta ao lado? Terá Mel descoberto um assassino... ou o amor da sua vida?"

Opinião: Meg Cabot é uma escritora americana, com mais de sessenta obras da sua autoria publicadas. Um dos seus maiores êxitos é o bestseller “Diário da Princesa”, que foi publicado em mais de quarenta línguas e adaptado ao cinema pela Disney. Leitora desde tenra idade, inicialmente com obras de Ficção Científica e Banda Desenhada, passando mais tarde a Clássicos, como “Jane Eyre” de Charlotte Brontë, que lhe incutiram o gosto por romances. Meg começou a escrever desde a secundária, lançando a sua primeira obra em 1998, “Onde as Rosas crescem Selvagens” e em 2000 vê a saga “Diário da Princesa” publicada, após ter sido rejeitada dezassete vezes pela editora HarperCollins.

“O Rapaz da Porta Lado”, início da Série Boys, lançado em 2002, conta através de emails a história de Melissa, mais conhecida por Mel entre os amigos. A sua vida amorosa tem sido uma desgraça, todos os homens que se aproximam dela acabam por fazê-la sofrer, o que a faz questionar-se se haverá de algo de errado consigo. Quando a sua vizinha do lado é agredida e entra em coma, Mel fica a tomar conta dos seus animais, até o sobrinho da mesma ocupar a casa. Mel acaba por conhecer e apaixonar-se por este homem, que parece ser tão semelhante consigo, mas ao mesmo tempo tão misterioso, que não sabe bem o que esperar dele.

Tive o prazer de ler toda a saga do “Diário da Princesa”, pelo que estava à espera de me sentir bastante apegada à história e escrita da Meg. Adoro o modo como esta escritora nos embrenha nas suas histórias de amor, sendo que neste caso em específico, temos também uma certa dose de mistério e policial. Outro ponto que me agrada sobremaneira é o humor patente nos seus livros. É impossível ler uma obra sua, sem soltar diversas gargalhadas ao longo das suas páginas.

Tenho de confessar que me senti apegada ao casal da trama. Mel é uma rapariga bonita, que nasceu numa terra pequena e que mais tarde arranjou um trabalho em Nova Iorque. Cheia de sonhos e ambições, Mel consegue ainda ter tempo para se preocupar com os outros e tentar ao máximo ajudar o próximo. Embora tenhamos contacto consigo somente por emails foi palpável o seu humor, vitalidade e até um pouco baixa auto-estima, devido a tudo o que passou com o sexo oposto, que nos fazem sentir ligados a ela. John é um homem bastante interessante, jornalista policial, que tem vários pontos em comum com a Mel, até no facto de ter alguma dificuldade em encontrar alguém que o ame pelo que ele é.

Relativamente às seguintes personagens, penso que todas tiveram a sua importância e que não me deixaram indiferente. Gostaria somente de ressalvar que achei que a história por detrás da agressão da vizinha de Mel algo previsível, desde o início que suspeitava quem tinha sido o agressor.

Gostei bastante deste modo de narrativa, da troca de correio electrónico. Tive a possibilidade de ler um livro nestes moldes e penso que torna a obra original. Em certos momentos aconteceu-me achar que havia um certo forçamento em certos emails partilhados entre as personagens, porque existem várias coisas que não partilhamos deste modo, mas ainda assim gostei muito destes momentos.

Numa escrita fluída e bastante cativante, Meg Cabot consegue-nos arrancar inúmeras gargalhadas e sorrisos de ternura ao longo de toda a sua obra. Uma história de amor bonita e possível, que irá tocar certamente os corações de todos os românticos.

Avaliação: 3/5 (Gostei!)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Onde Estarás?




Nome: “Onde Estarás?”

Autora: Mary Higgins Clark

Nº de Páginas: 336

Editora: Bertrand Editora

Sinopse: “Decorreram dez anos desde que o jovem de vinte e um anos, Charles MacKenzie, júnior, "Mack", desapareceu sem deixar rasto. Saiu do seu apartamento, na Upper West Side, em Manhattan, sem ter dito uma única palavra aos colegas que partilhavam a casa consigo e desde então nunca mais foi visto. No entanto, obedece a um ritual todos os anos: telefona à mãe no Dia da Mãe. Sempre que lhe liga, assegura-a de que está bem, recusa-se a responder às perguntas frenéticas que ela lhe faz e desliga.
A irmã de Mack, Carolyn, actualmente com vinte e seis anos, formada em Direito, acabou o seu estágio, não obstante, sente que nunca será capaz de voltar a ter paz de espírito e dar continuidade à sua vida enquanto não encontrar o irmão.
A procura apaixonada de Carolyn, com vista à descoberta da verdade sobre o desaparecimento do irmão - além de tentar descobrir o paradeiro do próprio Mack - leva-a a um confronto mortal com alguém que lhe é chegado e que guarda um segredo que não pode permitir que ela revele.”

Opinião: “Onde estarás?” foi a minha estreia com a autora Mary Higgins Clark, que possui mais de 30 obras publicadas, tanto de autoria própria, como juntamente com a sua filha Carol Higgins Clark.

Charles MacKenzie Júnior, Mack como é conhecido por todos, é um jovem de 21 anos que desparece misteriosamente, contudo todos os anos no Dia da Mãe contacta a mãe salvaguardando que se encontra bem e que ninguém o deverá procurar. A sua irmã mais nova, Carolyn, passado dez anos do estranho desaparecimento do irmão decide procura-lo, porém o que poderia parecer um simples desaparecimento de um jovem, acaba por se mostrar algo muito mais perigoso.

A divisão realizada pela escritora, com capítulos nos quais ia alternando o narrador, foi algo que me agradou bastante, tendo sido interessante constatar que somente no caso de Carolyn, a nossa personagem principal, o relato era efectuado na primeira pessoa, sendo os restantes na terceira. Poderia parecer confuso existir inúmeros narradores, mas a verdade é que todas as personagens, mesmo aquelas que poderiam parecer não ter grande importância para o desenrolar da trama, são efectivamente essenciais, fornecendo uma maior dinâmica à trama.

Adorei a forma como a autora nos consegue ludibriar, levando-nos a pensar que eram determinadas personagens os causadores de todos os males que ocorrem e, no fim, todas as nossas conjunturas mostram-se erradas. Pessoalmente desde o início do livro que desconfiava de duas personagens e quando começava a pensar que me poderia ter enganado, a autora voltava a reforçar as minhas suspeitas, contudo no fim os culpados eram duas personagens que nem por uma vez suspeitei delas, embora não simpatizasse muito com uma delas.

Relativamente ao final da obra, embora tenha ficado um pouco triste, fiquei ao mesmo tempo maravilhada com a forma como a autora encaixou todas as peças do quebra-cabeças na perfeição. Foi um final de cortar a respiração, com inúmeras revelações que fizeram com que tudo tivesse a sua razão de ser.

Numa escrita fluída, tremendamente cativante, Mary Higgins Clark apresenta-nos um policial repleto de acção, mistério, portador de uma grande carga emocional, que certamente agradará aos fãs deste género literário.

Avaliação: 4/5 (Gostei Bastante!)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Casada à Força


Nome: "Casada à Força"

Autora: Leila

Nº de Páginas: 245

Editora: Bertrand Editora

Sinopse: "Ainda hoje em França mais de 50 mil mulheres são vítimas de casamento forçado. Em França, como noutras numerosas regiões do mundo, adolescentes e jovens mulheres são ainda hoje obrigadas a aceitar casar com um homem que não escolheram e que nunca conheceram. Esta é a história impressionante de Leila que aos 20 anos sonhou casar por amor. No entanto, um homem - que ela nunca antes vira e 15 anos mais velho - é-lhe imposto pelos pais como aquele com quem terá que partilhar a sua vida. O casamento realiza-se em Marrocos e é registado legalmente em França, contra todos os esforços de Leila que suplica até ao último minuto contra aquela decisão. E o homem que é agora o seu marido vai submetê-la ao seu domínio e à sua vontade. Com uma coragem inaudita, Leila vai-se bater contra o poder da tradição, lutando para resgatar a sua liberdade e dignidade. Actualmente já não vive com o marido e está a desencadear o pedido de divórcio..."

Opinião: “Casada à força” retrata a realidade de muitas muçulmanas que se vêem confrontadas com um casamento por oposição dos pais, um casamento por conveniência.

Leila sempre foi uma rapariga que se opôs aos valores muçulmanos porque tendo ela nacionalidade Francesa e vivendo na década de 90, considerava que os ideais que lhe tentavam incutir eram antiquados e que merecia ter uma vida como a das suas amigas. Contudo, os pais não concordavam que ela respondesse, que fumasse e outros factores considerados promíscuos pela religião, agredindo-a para lhe transmitir esses mesmos valores. Resiste até ao fim, com uma tenacidade incrível, não se deixando levar pelos ideais dos pais, até ao dia em que se vê confrontada com um casamento imposto, que aparentemente só desgostos lhe tem a oferecer.

Gostei do livro por nos falar desta realidade, que embora tivesse noção que assim era, contado na primeira pessoa e sendo uma história verídica, tem sempre outra força e outro impacto na forma como a vemos. Tinha noção que a religião muçulmana era muito rígida para com o sexo feminino e que havia estes casamentos arranjados, mas nunca pensei que fosse uma realidade assim tão dura. Algumas descrições de espancamentos e de proibições fizeram-me muita confusão, pois são de uma desumanidade indescritível e o pior é que mesmo hoje, em pleno século XXI, ainda acontecem estas coisas, embora não sejam expostas, porque, como Leila frisa, são pecado e uma vergonha para a comunidade.

Os aspectos positivos que ressalvo deste livro são a exposição desta realidade, que me fez compreender um pouco melhor o que tantas mulheres muçulmanas são obrigadas a passar e compreender um pouco mais a religião, pois desconhecia que a violência era permitida pelo Corão. A tenacidade e perseverança de Leila, porque chegou aos 24 anos com mais amarguras que uma pessoa de meia-idade e que mesmo assim teve força para aguentar e erguer-se.

O aspecto negativo seria, se calhar, alguns momentos que achei exagerados ou quiçá forçados, especialmente quando referem a última depressão de Leila. Contudo, penso ser compreensível que algumas das memórias que a nossa narradora possui não sejam muito nítidas, pois ou foram contadas por outras pessoas ou ela recorda-se somente de excertos do que se passou.

“Casada à força” é, desta feita, um livro que nos mostra uma realidade ainda patente nos dias que correm e que nos faz reflectir.

Avaliação: 3/5 (Gostei!)