sexta-feira, 15 de julho de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 3: Livro Subvalorizado

Este não foi um livro fácil de eleger e por muito que pensasse, o único volume me vinha a cabeça era “O memorial do Convento” de José Saramago, como a nossa amiga p7 escolheu.

Escolho este volume porque existe muito preconceito para com o mesmo e não me vejo livre de culpas, pois também eu comecei o livro reticente se ia gostar dele. Por um lado, porque as obras dadas na escola, nem sempre eram uma boa experiência e por outro, porque o gosto pela literatura tinha-me nascido há poucos meses.
Parti para a leitura, tentando não ligar às vozinhas que me diziam que a escrita do autor era difícil e que a estória em si não possuía grande nexo. E não é que tive uma agradável surpresa?! Foi um livro que gostei bastante de estudar e de debater nas aulas, por tudo o que o mesmo representa. Possui uma estória bastante bonita, com uma mensagem forte relativamente à Inquisição; usando aspectos verídicos; portador de personagens enriquecedoras, que nos fazem ficar agarrados ao livro até ao último virar de página. Não digo que não me custou habituar à forma de escrever do autor, pois mentiria, mas como tudo na vida, foi só uma questão de hábito e ao fim de alguns capítulos, já nem sentia tanto isso.
Assim, penso que este é, sem dúvida, o livro que merece ocupar esta categoria “Livro Subvalorizado”, por ser um livro que é bastante criticado e, por vezes, por pessoas que nem sequer leram o mesmo, mas também por ter um enorme potencial e por ter sido uma agradável surpresa.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 2: Livro Detestado

Para esta categoria pensei inicialmente numa obra, mas penso que se enquadra melhor no dia 4 – Livro sobrevalorizado. Assim, decidi antes eleger o “Lua Nova” da Stephenie Meyer.

Foi graças a esta saga que entrei no mundo literário, como tal, foram obras das quais gostei bastante primariamente. Porém, quando, um ano mais tarde, tentei reler estes livros, fui incapaz de reler o segundo volume, que retrata o desgosto amoroso de Bella depois da partida de Edward, com o intuito de a proteger.
Elejo este livro por, pessoalmente, achar que é um relato demasiado dramático, pois sei que custa ultrapassar estes momentos menos bons e que é difícil dar a volta por cima, mas não como a autora retrata na obra, em que o mundo de Bella deixa de fazer sentido, a partir do momento em que não tem a seu lado Edward. Desgosto este, que se arrasta durante meses a fio, em que ela mal come e interage com as pessoas que a rodeiam. Foi também um dos que menos gostei, por grande parte da obra abordar unicamente este mesmo tema, tornando-se um pouco extenuante.
Penso que dizer que detestei este volume, é demasiado forte, mas foi dos que menos gostei, até hoje.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 1: Livro Favorito

Decidi participar no desafio 45 Days Book Challenge, que vi no blog da p7, Bookeater/Booklover. O desafio consiste em eleger um autor, livro ou personagem para cada tema, todos os dias. Pareceu-me um bom desafio e incito todos os que, eventualmente, gostarem da ideia a fazerem o mesmo. :)


O meu livro preferido até ao momento é o “Para a minha irmã”, da minha escritora preferida Jodi Picoult.
Este livro retrata o questionamento de uma menina que se considera à parte na família, pois é ruiva, possui sardas, ao passo que acontece precisamente o contrário com a restante família. Este facto deve-se a Anna ter sido programada geneticamente, desde o sexo, ao posicionamento dos cromossomas, com o intuito de ser compatível com a irmã mais velha, Kate, que é portadora de Leucemia.
“Para a minha irmã” é uma obra extremamente emocionante, não só por falar da doença, leucemia, e de todo o sofrimento que a mesma embarga, mas também devido aos momentos finais do livro, que nos mostra que nada na vida é certo e que o Amor pode vencer qualquer barreira.
É um livro que nos marca e que nos transmite uma lição de vida. Podendo até mudar a forma como a vemos e ao Mundo que nos rodeia.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O Punhal do Soberano


Nome: "O Punhal do Soberano"

Autora: Robin Hobb

Páginas: 384

Colecção: Bang!

Editora: Saída de Emergência


Sinopse: "Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo, enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais, que deve manter em segredo a todo o custo. Enquanto recupera, o reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?"


Opinião:  “O Punhal do Soberano” é o segundo livro da Saga do Assassino e mais uma leitura viciante, que nos prende desde o primeiro momento.

Depois dos acontecimentos desencadeados no anterior volume, FitzCavalaria retoma a Torre de Cervo, ainda com sequelas das peripécias que atravessou. Contudo, ao voltar constata que várias foram as mudanças ocorridas no Reino, sendo necessário usar as suas capacidades para ajudar Torre de Cervo e os seus ocupantes.
Havia gostado do primeiro volume, contudo foi um livro com uma narrativa mais lenta, que nos custou, inicialmente, a interiorizar. Ao passo que neste, possuímos uma narrativa mais fluida e cheia de acção. Foi neste volume que percebi quantas saudades tinha de Fitz, que é um jovem com uma força incrível e que é sempre um prazer poder acompanhar as suas peripécias, dilemas, preocupações e até paixões.
É impossível não sentir apresso por Fitz. Por um lado, devido ao livro ser contado na primeira pessoa, o que só por si no faz ligar a este menino de uma forma mais profunda e por outro, devido à forma como autora descreve os acontecimentos, explorando as emoções de Fitz, desde as relações amorosas, às suas preocupações, até mesmo à sua luta física e psíquica. De tal forma, que em certa medida, parece que nos conseguimos ver retratados na obra, vivendo a mesma, como se fossemos parte integrante dela. Fitz é, desta forma, uma personagem que nos cria uma grande empatia, sendo extremamente cativante saber mais sobre ele e sobre a sua vida. Para além disto temos o prazer de vê-lo crescer e amadurecer-se como pessoa, como amante, lutador e de o acompanhar no aperfeiçoamento do Talento e da Manha, que foram dois ingredientes que tanto interesse suscitaram no anterior volume, já fazendo sentir saudades.
Vemos neste volume um desenvolvimento das relações que este menino possui com outras personagens. Tendo sido bom conhecer um pouco melhor certas personagens e as suas intenções.
Gostei bastante de ver a relação entre Fitz, Paciência, a viúva de Cavalaria, e Renda, a aia. Até porque o convívio entre eles conseguiu arrancar-me um sorriso de quando em vez e também por percebermos que a preocupação de Paciência, para com Fitz, é genuína e que o ama realmente, como se fosse filho dela.
A relação entre Veracidade e ele, torna-se cada vez mais forte e interessante de acompanhar. Constatamos um aperfeiçoamento do Talento por parte de Fitz e uma ligação forte entre ambos, sendo que esta traz algumas implicações e consequências para ambos.
Em relação às personagens, o Bobo é uma das que merece ser destacada por ser uma das minhas personagens preferidas, mas também por ser deveras misterioso e ao mesmo tempo engraçado e subtil. É uma personagem que me consegue arrancar alguns sorrisos, quando goza com Fitz ou com o curandeiro do Rei Sagaz, sendo uma personagem que adorei conhecer, pois adoro as suas brincadeiras, profecias e até loucuras. Tendo diálogos bastante cativantes, pois tanto nos fazem rir, como nos fazem ficar presos à narrativa, quando tentamos perceber o que pretende ele dizer nas entrelinhas.
Também gosto bastante de Breu e Castro, pois sempre foram essenciais para Fitz, tanto na sua infância, como também no seu crescimento. Se bem que não se sentiu tanto este papel activo do primeiro, mas mesmo assim continuam a ser ambos personagens importantes na vida deste menino e na formação da personalidade do mesmo, portadores de um enorme potencial.
Majestoso continua irritante como no anterior volume, sendo a personagem que menos gosto de toda a trama, por rebaixar o filho bastardo de Cavalaria e por ser um nariz empinado, que pensa que só ele é o dono da verdade. Contudo, tenho de “dar mão à palmatória” e admitir que é, sem dúvida, um grande vilão.
Aspectos positivos desta obra são toda a construção das personagens, que é um dos pontos fortes desta escritora; o facto de a trama ser mais fluida e também com mais acção, devido aos combates com os Forjados, comparativamente com o anterior volume e também o trabalho de tradução do Jorge Candeias, pois encontra-se realmente bem conseguida, até porque não havia sido ele a traduzir o anterior volume e não sentimos qualquer diferença de um tradutor para o outro.
Para mim, o aspecto negativo a fazer ressalvar é a divisão do volume na versão original em duas partes na versão portuguesa “O punhal do Soberano” e “Cortes dos Traidores”. Sei o porquê de tal divisão, mas não me impossibilitou de sentir um certo sentimento de vazio quando o terminei, pois os últimos capítulos desenrolam-se de forma rápida, como que a preparar terreno para algo maior. Contudo, é só mais um incentivo de pegar no seguinte volume o mais tardar.
Desta forma, é sem dúvida uma obra que aconselho sem qualquer reticência. Sendo uma saga incrível, que move a passos largos, para ser uma das minhas preferidas. Como George Martin afirma “Toda a fantasia devia ser assim”.

Avaliação: 4.5/5 (Adorei!)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tudo por Amor


Nome: "Tudo por amor"

Autora: Jodi Picoult

Páginas: 372 

Editora: Livraria Civilização Editora


Sinopse: "Nina Frost é delegada adjunta do Ministério Público, acusa pedófilos e todo o tipo de criminosos que destroem famílias. Nina ajuda os seus clientes a ultrapassar o pesadelo, garantindo que um sistema criminal com várias falhas mantenha os criminosos atrás das grades. Ela sabe que a melhor maneira de avançar através deste campo de batalha vezes sem conta, é ter compaixão, lutar afincadamente pela justiça e manter a distância emocional.
Mas quando Nina e o marido descobrem que o seu filho de 5 anos foi vítima de abuso sexual, essa distância é impossível de manter e sente-se impotente perante um sistema legal ineficiente que conhece demasiado bem. De um dia para o outro o seu mundo desmorona-se e a linha que separa a vida pessoal da vida profissional desaparece. As respostas que Nina julgava ter já não são fáceis de encontrar. Tomada pela raiva e pela sede de vingança, lança-se num plano para fazer justiça pelas próprias mãos e que a pode levar a perder tudo aquilo por que sempre lutou."

Opinião: “Tudo por amor” representa o que uma mãe e um pai são capazes de fazer por amor a um filho e quão longe são capazes de ir, quando sentem o que mesmo pode estar, de alguma forma, em perigo.

Nina Frost é uma promotora pública que ganha a vida a lutar pelos direitos de crianças violadas e que conhece, melhor que ninguém, as limitações do sistema judicial, pois embora sejam muitos os casos, poucos são os que conseguem ir em frente e até que conseguem que os agressores recebam a sua punição. Ao longo da sua carreira viu o que este sistema fez a muitas destas crianças, o facto de terem de depor e reviver tudo o que haviam passado era algo traumatizante e que as impossibilitava, de certa forma, de “dar a volta por cima”.
Quando o Nathaniel, filho de Nina, deixa de falar e passa a agir de forma estranha, Nina é chamada à escola. Ao sentir falta da alegria e de todo o role de perguntas, característico de uma criança de 5 anos, Nina leva-o a uma Psicóloga e é aí que descobre que o mesmo sofreu abusos sexuais.
A partir deste momento é o começo de toda uma luta. Primeiro para que Nathaniel volte a falar e quando tal não acontece, para que a pessoa que lhe fez passar por tal coisa, possa pagar pelo crime cometido. Contudo, nada é certo e aquilo que pode parecer um dado adquirido, em determinada altura, pode não o ser na realidade.
As personagens e as descrições são, para mim, o melhor e mais forte ponto desta autora, sendo nesta obra incríveis.
Penso que a dor de uma mãe e o amor incondicional da mesma se encontra imensamente bem retratado; a representação da criança que sofreu abusos sexuais, tal como todo o processo que enfrentou para voltar a falar e conseguir estar novamente junto de alguém sem se sentir intimidado.
Em relação às descrições são algo que gosto muito porque nos fazem sorrir com a ternura subjacente nelas, por exemplo, quando a Nina fala de Nathaniel, a forma como emprega tanta ternura e amor às mesmas é incrível, tal como todo o suspense criado pela autora.
Para dar um exemplo da ternura desta mãe, poderiam ser mencionadas enumeras citações, deixo-vos um exemplo de uma: “Tentar encontrar a melhor maneira de descrever Nathaniel. É como tentar deitar o oceano numa chávena de café. Como explico um rapaz que come a comida por cores; que me acorda a meio da noite com uma necessidade premente de saber porque respiramos oxigénio, em vez de água; que desmontou um gravador de micro cassetes para encontrar a sua voz, presa lá dentro? Conheço tão bem o meu filho que me surpreendo – há demasiadas palavras para escolher.”
Se tivesse de mencionar um aspecto negativo do livro seria, para mim, o facto de ser um pouco previsível, pois senti que as coisas não eram bem como estavam a ser dadas e, por diversas vezes. suspeitei das revelações feitas mais tarde. Não sei se por estar mais atenta aos pormenores ou se por saber que a autora tem sempre uma nova revelação a dar-nos...
Em suma, foi muito bom poder novamente ler algo desta incrível escritora, ou não fosse ela a minha escritora preferida, pois sempre que leio algo seu, é impossível não me tocar com o tema, não ponderar que comportamento tomaria, tal como é impossível não reflectir sobre a temática que aborda a obra.

Avaliação: 4/5 (Gostei bastante!)